Oi!!!
Como a maioria de vocês já devem ter visto, nos últimos meses eu fiz alguns posts sobre deuses e deusas originários de Oió e das proximidades de Oió, ou seja, os orixás. E também fiz posts sobre deuses e deusas originários do Daomé e das proximidades do Daomé, ou seja, os voduns. São divindades que recebem culto no Candomblé.
Mas acho necessário lembrar aqui de um outro grupo de entidades que, embora com uma frequência bem menor, também recebem culto em alguns grupos específicos do Candomblé: as ia mi oxorongás.
Diferentes dos orixás e dos voduns, as ia mi oxorongás não são deusas. Na verdade, são espíritos de mulheres que já morreram no mínimo há muitos e muitos séculos, de acordo com as pesquisas do Pierre Verger.
O título ia mi oxorongá significa “mãe nossa ancestral”. Essa expressão já deixa claro que elas são figuras matriarcais que já existiam bem antes de todos nós nascermos. E nos mitos africanos, elas são sempre mencionadas como mulheres velhas, lembrando também que todas elas já morreram e o que existe hoje são só os espíritos delas.
Enfim, tudo mostra que se trata de figuras que faziam parte de um povo muito antigo, provavelmente pré-histórico ou quase pré-histórico, que já habitou as florestas nigerianas.
A cidade de Otá parece ter sido a grande pátria das ia mi oxorongás. E as margens do Rio Olontoqui parecem ter sido um dos principais locais onde eram realizados os rituais delas.
Elas aparecem nos mitos como conhecedoras de grandes mistérios e manipuladoras de energias. E essas energias podem produzir a felicidade, a longevidade, a onipotência momentânea e a satisfação dos desejos, mas também os acidentes, o azar, a destruição da felicidade e a morte súbita.
Ao todo, as ia mi oxorongás são mencionadas como 201. A líder, chamada Odu, é a única que consegue manipular energias sozinha. As outras 200 só têm poder quando agem em grupo.
As identidades delas eram sempre escondidas: os nomes pessoais das 200 ia mi oxorongás menos poderosas nunca eram mencionados e todas elas, inclusive a própria Odu, andavam sempre com o rosto coberto.
Embora sejam sempre mencionadas como “feiticeiras”, na verdade elas seriam mais o que atualmente as pessoas chamam de “bruxas” (principalmente na Wicca e em religiões do mesmo tipo): um grupo só de mulheres, que manipulam energias através de rituais e que são praticantes de uma religião matriarcal, milenar e associada à Natureza.
Na maioria dos mitos em que as ia mi oxorongás aparecem, elas são as vilãs da história. E são sempre descritas como irritadas.
O único deus que consegue dobrar a vontade dessas bruxas sem grandes dificuldades é Ifá, embora os mitos expliquem de formas diferentes como ele consegue isso.
As bruxarias que as ia mi oxorongás praticam estão associadas às árvores e aos pássaros.
As árvores mais mencionadas ligadas aos rituais delas são o apaocá, a araticuna da areia, o baobá, a figueira, o iroco, o orobô e, principalmente, a cajazeira.
De acordo com os mitos, a única forma de acalmar uma ia mi oxorongá sem a ajuda de Ifá é pedir o perdão dela em nome das figueiras, pois a figueira é o símbolo da misericórdia dessas bruxas.
Quanto aos pássaros, cada ia mi oxorongá tem o seu.

E ela guarda ele dentro de uma cabaça, mandando o pássaro sair da cabaça quando quer realizar algum ritual específico. E quando termina o ritual, o pássaro volta voando pra dentro da cabaça e é fechado ali pela bruxa.
Os mitos também deixam claro que elas perdem completamente a capacidade de fazer mal a alguém quando determinados tipos de comida são oferecidos a elas. Mas as informações sobre isso são muito vagas.
Os mitos contam que, na época em que eram vivas, as ia mi oxorongás faziam rituais com fetos e intestinos humanos, nos quais bebiam sangue humano e praticavam canibalismo.
É importante lembrar que todas essas práticas são mal vistas e quase sempre abertamente proibidas pela maioria dos grupos do Candomblé. E por isso mesmo, ficamos na dúvida: será que essas informações não foram meio deturpadas? Já que os registros que chegaram até hoje sobre essas bruxas ancestrais são tão vagos, não temos como saber com certeza se elas celebravam rituais com ESSAS práticas. E já que ESSAS práticas são mal vistas dentro do Candomblé, pode ser que alguém, ainda lá na África, tenha atribuído esse comportamento às ia mi oxorongás pra deturpar a imagem delas por algum motivo histórico.
Vamos lembrar, por exemplo, que, na História de outros povos, quando os hábitos religiosos foram reformulados por algum motivo, os praticantes dos dogmas antigos passaram a ser mal vistos. E no caso aqui as ia mi oxorongás eram as próprias matriarcas dos dogmas antigos.
Os próprios mitos que costumam retratar elas como vilãs parecem fortalecer essa teoria.
Bom, como eu disse, os espíritos das ia mi oxorongás recebem culto em alguns poucos grupos específicos do Candomblé, mas é um culto raro no Brasil. Só mesmo grupos que procuram recriar os rituais como eram realmente na sua origem realizam esse tipo de culto, que parece ser associado ao culto de Exu.
Tem também os rituais benéficos delas, que são feitos com 4 cabaças, das quais cada uma deve ser preenchida com uma substância diferente e consagrada a uma divindade diferente: uma cabaça deve ser preenchida com pó branco e consagrada a Oxalá, outra deve ser preenchida com pó vermelho e consagrada a Obaluaiê, outra deve ser preenchida com carvão e consagrada a Ogum e outra deve ser preenchida com lama e consagrada a Odudua.
A maioria dos sacerdotes e sacerdotisas reconhecem que as ia mi oxorongás devem ser lembradas como antepassadas dos atuais nigerianos, mas muitos desaconselham o culto feito a elas, por ser um culto cheio de proibições e do qual as instruções originais já foram perdidas há muitos séculos. Em outras palavras, elas proíbem várias coisas que ninguém mais sabe direito o que são. Então, os devotos delas podem acabar cometendo algum sacrilégio contra elas sem perceber e, consequentemente, provocando a ira delas sem entender o motivo.
Como muchos de uds ya han visto, en los últimos meses he hecho algunos posts acerca de los dioses y diosas originarios de Oyo y de las inmediaciones de Oyo, o sea, los orishas. Y también algunos posts acerca de los dioses y diosas originarios de Dahomey y de las inmediaciones de Dahomey, o sea, los voduns. Todos esos son divinidades adoradas en el Candomblé.
Pero me parece necesario recordar aquí otro grupo de entidades que, aunque con una frecuencia mucho menor, también reciben culto en algunos grupos específicos del Candomblé: las ia mi oxorongás.
Diferentes de los orishas y de los voduns, las ia mi oxorongás no son diosas. En verdad, los estudios de Pierre Verger nos muestran que son espíritus de mujeres que ya están muertas hace muchos y muchos siglos.
La expresión ia mi oxorongá significa “madre nuestra ancestral”. Esta expresión nos muestra claramente que ellas son figuras matriarcales que ya existían muy antes de que todos nosotros hayamos nacido. Y los mitos africanos siempre se las mencionan como mujeres muy viejas, recordando que todas ellas ya se murieron y que todo lo que existe actualmente son sus espíritus.
Como sea, todo indica que se habla aquí figuras que eran miembros de una gente muy antigua, probablemente prehistórica o casi prehistórica, que vivía en las florestas nigerianas.
Se cree que la ciudad de Otá fue la gran patria de las ia mi oxorongás. Y es casi cierto que las orillas del Río Olontoqui eran el lugar donde más eran hechos sus rituales.
Ellas aparecen en los mitos como conocedoras de grandes misterios y manipuladoras de energías. Y estas energías pueden producir la felicidad, la longevidad, la omnipotencia momentánea y la satisfacción de los deseos, pero también los accidentes, la mala suerte, la destrucción de la felicidad y la muerte súbita.
In all, the ia mi oxoronga group has 201 members according to the ancient Nigerian myths. The only one who can manipulate energy alone is their leader Odu. The other 200 members have power only when they’re together.
Their identities were always hidden. The personal names of the common 200 ia mi oxorongas are unknown. And all of them including Odu wore some kind of mask on their faces.
They’re often mentioned as “sorceresses”. But they were actually what people call “witches” nowadays (especially in Wicca and religions of the same kind): members of an all-female millennial matriarchal group connected to Nature who manipulate energy in their rituals.
Ia mi oxorongas are portrayed as villains in most of the myths which mention them. And they’re always described as angry creatures.
The only god who can defeat these witches without too much difficulty is Orunmila. But the myths give different explanations for that.
Ia mi oxorongas’ witchcraft is connected to trees and birds.
The trees which are most connected to their rituals are apaocas, araticunas da areia, fig trees, irokos, orogbos, and before all the others hog plum trees.
According to the myths, the only way to calm an ia mi oxoronga without Orunmila is begging her forgiveness in the name of fig trees. These trees are the symbol of the mercy of these witches.
About their birds, each ia mi oxoronga has her own bird. She keeps the bird inside a calabash and lets it goes out when she wants it to be used in a specific ritual. And after the ritual, the bird flies back to the calabash and the witch closes it inside again.
The myths also make clear that they completely lose the ability to hurt anyone when some specific kinds of food are offered to them. But the pieces of information about it are very vague.
Secondo i miti africani, quando le ia mi oxorongà erano vive, bebevano sangue umano, praticavano cannibalismo e usavano feti e intestini umani nei loro rituali.
È importante ricordare che tutte queste pratiche sono spesso apertamente vietate dalla maggior parte dei gruppi del Candomblé. E così, resta un dubbio: quello che si dice di loro è vero? I record che sono sopravvissuti fino ad oggi su le ia mi oxorongà sono così vaghe che non possiamo sapere con certezza se davvero avevano queste pratiche nei suoi rituali. E visto che queste pratiche sono disapprovate nel Candomblé, è possibile che qualcuno abbia attribuito questo comportamento a queste streghe per travisare loro per qualche ragione storica.
Ricordiamo che quando le abitudini religiose di una società sono riformati per qualsiasi motivo, i seguaci dei dogmi antichi di solito cominciano ad essere visti come persone cattive. E nel caso delle ia mi oxorongà, loro erano le matriarche dei dogmi antichi della Nigeria.
Anche i miti di solito le ritraggono come cattive.
Bene, gli spiriti delle ia mi oxorongà ricevono culto in alcuni gruppi specifici del Candomblé. Ma questo culto è raro in Brasile. Solo i gruppi che cercano di ricreare i rituali come erano in realtà inizialmente fanno questo tipo di culto, che sembra essere legato al culto di Eshu.
Loro hanno anche dei rituali benefici, fatti con 4 calabash. Ogni calabash deve essere piena con una sostanza diversa e offerta a una divinità diversa: si deve mettere polvere bianca in una calabash e offrirla a Obatala, si deve mettere polvere rossa in un’altra e offrirla a Babalù Ayé, si deve mettere carbone in un’altra e offrirla a Ogun e si deve mettere fango in un’altra e offrirla a Odudua.
La maggior parte dei sacerdoti e sacerdotesse del Candomblé riconosce che le ia mi oxorongà devono essere ricordate come antenate della Nigeria di oggi. Ma molti sconsigliano il culto fatto a loro, perché è un culto pieno di divieti e le sue istruzioni originali sono perdute molti secoli fa. In altre parole, loro vietano una serie di cose che nessuno sa più cosa sono. Così, i loro devoti possono commettere un sacrilegio contro di loro senza rendersene conto. E di conseguenza, possono provocare la loro ira senza capire perché.
Até mais!
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