segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MACUMBA NÃO É CANDOMBLÉ!

Oi!!!

Gente, uma coisa que eu esqueci de colocar no post abaixo desse, sobre o Abdellah Taïa, foi o link pro site oficial dele. Então, vou colocar aqui (é em Francês, hein!). Lá vai:

http://abdellahtaia.free.fr/

E agora, é claro, vou linkar aqui o site de utilidade pública desse mês. Vou deixar o link pro site da Alternativa, que é uma instituição voltada pra pessoas com problemas neurológicos e/ou psicológicos. Lá vai:

http://www.alternativa.org.br/

Bom, no post de hoje eu vou procurar resolver uma confusão linguística que se estabeleceu na sociedade brasileira.

Quando se pronuncia a palavra ‘macumba’, o que vem à mente de uma grande parte das pessoas são as religiões de origem africana que foram trazidas ao Brasil durante o período da escravidão...

Nada disso!

Em 1º lugar, as religiões praticadas por africanos que foram trazidas ao Brasil naquela época eram o Islamismo (muitos africanos trazidos ao Brasil como escravos eram muçulmanos) e o Calundu. Aí o Calundu, devido às alterações que recebeu por causa do Catolicismo, se transformou no que hoje é o Candomblé (e é o Candomblé, especificamente, que as pessoas costumam chamar de “macumba”).

Em 2º lugar, macumba é o nome de um instrumento musical que é tocado em algumas cerimônias do Candomblé. E é simplesmente um tipo de reco-reco.

Pra quem nunca viu, é isso aí:


Pra tocar a macumba, você segura o instrumento com uma mão e, com a outra, você passa a vareta nas reentrâncias da macumba em movimento rítmico. Isso produz um som de “CRÉ-CRÉ, CRÉ-CRÉ, CRÉ-CRÉ...”.

Então, Candomblé é o nome da religião. Macumba é o nome desse instrumento musical que algumas pessoas tocam nos rituais do Candomblé.

Obviamente, a pessoa que é praticante do Candomblé é um candomblecista, e não um macumbeiro, como algumas pessoas chamam. Macumbeiro é quem sabe tocar macumba, independente de qual seja a religião dele (ou mesmo que ele não tenha religião nenhuma).

Eu, por exemplo, sou candomblecista, mas não sou macumbeiro. Não sei tocar macumba.

Bom, não estou achando que com esse post eu vou fazer TODO MUNDO passar a chamar o Candomblé pelo nome certo dele. Muitos leigos (principalmente evangélicos) vão continuar chamando o Candomblé de “macumba”. Até porque eles nem sequer entendem direito do assunto. Mas achei interessante esclarecer a diferença entre uma coisa e outra aqui no blog.

Don’t confuse Candomble with macumba: Candomble is a religion and macumba is the musical instrument you can see above.

No hay que cofundir Candomblé con macumba: Candomblé es una religión y macumba es el instrumento músico que se puede ver arriba.

Non confondere Candomblé con macumba: Candomblé è una religione e macumba è lo strumento musicale che si può vedere sopra.

Bom, eu volto em Dezembro. Até lá!

sábado, 26 de novembro de 2011

O 1º ESCRITOR MARROQUINO A DECLARAR QUE É GAY

Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada no escritor marroquino Abdellah Taïa.


Ele nasceu em Salé, em 1973.

O Abdellah tinha nada menos que 2 irmãos e 6 irmãs, provavelmente devido à tradição muçulmana de aumentar a família cada vez mais. E todos moravam numa casa de 3 cômodos.

Com 13 anos, quando ele percebeu que era gay, começou a ver as dificuldades que quem não é hétero enfrenta numa sociedade muçulmana.

Isso não impediu que o Abdellah tivesse as primeiras experiências sexuais com homens. Mas o que incomodava ele é que os homens que transavam com ele e se diziam héteros sempre esperavam que ele tivesse um comportamento afeminado e que ele fosse só passivo no sexo.

Ele conta que se irritou tanto com isso que ficou 9 anos sem transar depois de passar por essa experiência (dos 13 aos 22).

Em 1995, o Abdellah foi pra Suíça, disposto a estudar Literatura em Genebra. E em 1998, ele se mudou pra Paris, onde mora até hoje.

Em 2006, ele publicou o 1º livro dele: L’Armée du Salut.

Os livros do Abdellah foram todos escritos em Francês. E falam sobre homossexualidade e sobre os problemas em geral da sociedade marroquina.

Em 2007, ele declarou que é gay quando deu uma entrevista à revista Tel Quel. E foi o 1º escritor marroquino a dar esse tipo de declaração em público.

O Abdellah diz que um dos motivos de ter feito essa declaração foi a consciência de que o Marrocos tá mudando em relação a vários conceitos. E a homossexualidade, embora ainda seja mais mal vista lá do que na maioria dos países ocidentais, hoje já não é mais tratada com tanto radicalismo quanto já foi no passado.

Ele até costuma lembrar que, quando a mãe dele soube que ele era gay, isso não mudou quase nada pra ela. Mas quando ele deixou claro que nunca ia se casar e nunca ia ter filhos, ela ficou em estado de choque.

Você achou isso sem sentido?

Bom, eu já li declarações de mais de 1 gay muçulmano afirmando que a relação sexual homossexual é até frequente entre homens dessa religião, até devido à falta de contato entre homens e mulheres lá (o Islamismo é a religião que mais separa o homem da mulher). Mas, quando isso acontece, existe a condição radicalíssima de que tudo seja feito escondido.

Então, pruma grande parte dos muçulmanos, desde que um homem se case com pelo menos 1 mulher, tenha a maior quantidade possível de filhos e nunca assuma que é gay, ele pode dar lá as transadinhas escondidas dele com outros homens, que aí ninguém incomoda nem cobra nada dele.

É claro que muitos muçulmanos vão dizer que situações assim NUNCA acontecem e vão até sentenciar:

“Não existe muçulmano homossexual, porque o Islam é contra o homossexualismo”.

Bom, na prática, dizer essa frase não muda nada de nada. Vamos lembrar que o Vaticano também diz sempre:

“Não existe católico homossexual, porque o Catolicismo é contra o homossexualismo”.

Dê uma pequena olhada na quantidade de católicos homossexuais que existem espalhados pelo Mundo que você vai ver que essa frase não produz nenhum efeito prático. Ela é só um discurso de quem quer fingir que as coisas não são como são. Então, é a mesma coisa pros muçulmanos que falam isso.

Oggi parleremo un po’ dello scrittore marocchino Abdellah Taïa.

Lui è nato a Salé, nel 1973.

Abdellah aveva 2 fratelli e 6 sorelle. Ciò era probabilmente dovuto alla tradizione musulmana di avere un numero sempre crescente di figli. E tutti vivevano in una casa di 3 camere.

Lui ha capito che era gay quando aveva 13 anni. Ed ha cominciato a vedere le difficoltà incontrate da coloro che non sono eterosessuali in una società musulmana.

Questo non ha impedito Abdellah di avere i suoi primi contatti sessuali con uomini. Ma ciò che l’infastidiava davvero è che gli uomini che avevano rapporti sessuali con lui sempre volevano che lui avesse un comportamento effeminato e che fosse soltanto il passivo nel sesso anale.

Lui dice che è così sconvolto per questo che è rimasto 9 anni senza sesso dopo aver attraversato questa esperienza (da 13 a 22 anni).

Nel 1995, Abdellah si è trasferito in Svizzera, perché voleva studiare Letteratura a Ginevra. E nel 1998, si è trasferito a Parigi, dove vive da allora.

Il suo primo libro è stato L’Armée du Salut (2006).

I libri di Abdellah sono stati tutti scritti in Francese e parlano di omosessualità e dei problemi generali della società marocchina.

En 2007, Abdellah dijo que era gay a la revista Tel Quel. Y fue el primer escritor marroquí musulmán a decir algo así en público.

El dice que uno de los motivos de haberlo hecho es que puede ver que Marruecos está cambiando muchos de sus conceptos. Y la homosexualidad, aunque todavía sea más mal vista en Marruecos que en la mayor parte de los países occidentales, actualmente ya no suele ser más tratada con las mismas radicalizaciones que era en el pasado.

A propósito, Abdellah dice que cuando su madre supo que él es gay, eso no cambió casi nada en su vida. Pero cuando ella supo que él nunca se casaría y nunca tendría hijos, se quedó realmente impactada.

¿Crees que eso es extraño?

Bueno, yo ya encontré textos de más de 1 gay musulmán diciendo que las relaciones sexuales homosexuales son hasta mismo comunes entre los hombres de esa religión, por cuenta de la falta de contacto entre homens y mujeres que hay allá (el Islam es la religión que más separa al hombre de la mujer). Pero cuando esto ocurre, se impone la condición MUY radical que todo se haga en la clandestinidad, sin que nadie lo sepa nunca. Y para ocultarlo, hay que casarse y tener hijos.

According to many muslims, a man may have some sexual contact to another man under some conditions: he has to marry at least 1 woman, he has to give birth to the largest possible number of children by her, and he has to keep his gay affair completely hidden. If he does that, no other muslim will annoy him.

Of course, many muslims say that such situations will NEVER happen. They’ll even say:

“There is no homosexual muslim, because Islam is against homosexualism.”

Well, talking about practical results saying this phrase does not change anything. Let’s remember that the Vatican also says always:

“There is no homosexual catholic, because Catholicism is against homosexualism.”

Take a look at the number of homosexuals who are catholic around the World and you’ll see that this statement does not produce any practical effect. This is only a discourse of those who want to pretend that things are not as they are. So, it’s the same for muslims who say that.

MUÇULMANOS PACÍFICOS VS ISLAMISMO VIOLENTO

E já que o post acima desse foi sobre um gay muçulmano, acho interessante dar mais uma palavrinha sobre isso.
Como vimos acima, o fato de existirem muçulmanos gays ainda provoca, no mínimo, espanto em algumas pessoas. Certamente, devido aos exemplos que o Mundo inteiro vê em países como o Irã, onde quem tem a sua homossexualidade ou bissexualidade descoberta é sempre condenado à morte sem julgamento.
Mas esse é apenas 1 dos vários e vários exemplos de violência física que vemos sendo praticada por muçulmanos frequentemente.
É claro que, ao afirmarmos isso, vem sempre algum muçulmano correndo e diz:

“O Islam é uma religião muito pacífica.”

Eu até concordo com essa frase, desde que ela seja reformulada. Deveria ser assim:

“Apesar do Islamismo ser uma religião violenta, existem pessoas muçulmanas que são muito pacíficas.”

Aí sim. Concordo em gênero e número.
Mas, mesmo com a frase sendo reformulada, provavelmente muitas pessoas que não são muçulmanas não vão concordar com isso: influenciados pela imagem que os Estados Unidos (e principalmente pelos membros e simpatizantes do Partido Republicano) passam do Islamismo, muitos não-muçulmanos têm a tendência de pensar que TODO muçulmano é uma pessoa violentíssima que comete atrocidades em nome do fanatismo religioso dele.
Bom, existem mais de 1000000000 de muçulmanos no Mundo. Se todos fossem adeptos da violência física, provavelmente o planeta já teria sido destruído, né?
Mas, deixando pra lá a imagem que os Estados Unidos vendem dessa religião, se dermos uma olhada nos dogmas do Islamismo, vamos ver que realmente ele passa longe de ser uma religião pacífica.
O Alcorão, visto pelos muçulmanos como o livro sagrado deles, defende o castigo físico nos mais variados casos: manda cortar a mão de quem comete certos tipos de erro, dar 80 chibatadas em quem comete outros tipos de erro, cortar a cabeça de quem comete outros tipos de erro, apedrejar até a morte quem comete outros tipos de erro, enforcar quem comete outros tipos de erro e por aí vai.
E muitas vezes, esses “erros” nem são nada demais: se você simplesmente chegar em certos países muçulmanos e se recusar a usar roupas muçulmanas, aí mesmo que você não seja muçulmano você já recebe 1 ou mais dos castigos descritos acima. Principalmente se você for mulher. Nesse caso, ai de ti que não cubra a cabeça (e em muitos casos, até o rosto)!
Você chamaria uma religião fundamentada NESSES PRINCÍPIOS de “religião pacífica”? Se você responder “Sim!”, eu vou começar a duvidar da sua sanidade mental.
Aí vem sempre alguém correndo e diz:

“Ah, mas isso que você mencionou aí não são dogmas da religião muçulmana. Isso aí são leis de países extremistas.”

Bom, lamento, mas essa ‘justificativa’ na verdade não justifica nada. Porque, de acordo com os governantes desses países extremistas, essas leis são todas inspiradas em dogmas do Alcorão, pra “garantir que a pessoa não caia em erro” (podem procurar essa definição aí pela Internet que vocês encontram). Então, dá no mesmo.
Depois de lembrar disso, é claro que temos que lembrar que, principalmente no Ocidente, existem indivíduos muçulmanos que fazem uma interpretação mais amena desses dogmas e das demais passagens do Alcorão.
Por exemplo, tem uma passagem que diz:

“Os homens têm um grau sobre as mulheres.”

Nota-se claramente que o Alcorão impõe aí uma ideia de superioridade do homem sobre a mulher. E existe uma série de dogmas muçulmanos que confirmam isso. Vamos ver alguns:

O homem muçulmano pode ficar com a cabeça descoberta. Mas a mulher muçulmana é obrigada a cobrir a cabeça.

O homem muçulmano pode ser casado com 4 esposas ao mesmo tempo. Mas a mulher muçulmana só pode ser casada com 1 marido de cada vez.

O homem muçulmano pode se casar com mulheres de qualquer religião. Mas a mulher muçulmana só pode se casar com um homem que seja muçulmano também.

O homem muçulmano pode se divorciar da esposa quando bem entender, precisando pra isso somente falar “Eu te repudio” 3 vezes seguidas, olhando pra ela e na frente de 4 testemunhas. A mulher muçulmana não tem o direito de se divorciar do marido se ele não quiser, assim como não tem o direito de manter o casamento se ele não quiser, tendo que aceitar o que ele decidir: se ele quiser continuar casado, ela tem que aceitar; se ele quiser se divorciar, ela tem que aceitar também. Alguns grupos muçulmanos aceitam que a mulher peça o divórcio se o marido tiver batido nela de uma forma que tenha deixado alguma cicatriz: se ele bateu nela, mas não ficou marca nenhuma, ela não tem o direito de pedir o divórcio.

Quando os homens muçulmanos rezam, eles ficam ajoelhados um do lado do outro, sob a alegação de que “Isso é uma forma de demonstrar que, aos olhos de Allah, somos todos iguais, não importando se quem está do meu lado é um rei ou um mendigo” (SIC). Mas as mulheres muçulmanas são obrigadas a ficar ajoelhadas atrás dos homens na hora de rezar, em posição de inferioridade. Ou seja: o posto do homem muçulmano é de superioridade sobre a mulher, não importando se ele é um rei ou um mendigo; e o posto da mulher muçulmana é de inferioridade ao homem, não importando se ela é uma rainha ou uma mendiga.

O homem muçulmano pode rezar em voz alta. Mas a muçulmana é obrigada a rezar só em pensamento, sem falar em voz alta.

Quando o homem muçulmano morre, ele vai pro Paraíso e encontra 72 mulheres pra satisfazer todas as fantasias sexuais dele pelo resto da eternidade. Quando a mulher muçulmana morre, ela pode até ir pro Paraíso, mas não encontra ninguém esperando por ela pra satisfazer nenhuma fantasia sexual dela.

E poderíamos dar vários outros exemplos que provam que o homem e a mulher são vistos e tratados de formas completamente diferentes pelo Islamismo. Mas, apesar disso, tem muçulmanos que tentam fazer uma releitura mais pacífica dessa ideia. Aí falam alguma coisa mais ou menos assim:

“Quando o Alcorão diz que os homens têm um grau a mais do que as mulheres, não está falando de nenhum tipo de superioridade, mas sim de responsabilidade, pois é o homem que tem que sustentar a casa.”

Bom, comparando essa explicação com todo o resto que o Alcorão descreve, você vê claramente que não é isso que ele quer dizer originalmente. Isso é uma interpretação amenizada que os muçulmanos mais pacíficos fazem dessa passagem. Ou seja, é uma releitura do Alcorão, e não a visão do que o Alcorão ditava originalmente.
Então, existem indivíduos muçulmanos que são pacíficos e que procuram transmitir mensagens de paz. Evidentemente. Mas aí a gente está falando de PESSOAS, e não da RELIGIÃO que essas pessoas praticam. Existem pessoas muçulmanas pacíficas, mas não existe religião muçulmana pacífica.
Que fique claro que eu não estou desestimulando ninguém que é nem que quer passar a ser muçulmano por vontade própria. Se você faz ou quer passar a fazer parte dessa religião por vontade própria, vá em frente.
Inclusive, vamos lembrar que muitas mulheres muçulmanas frequentemente vêm a público pra dizer que não se sentem oprimidas e que não acham que o Islamismo é machista. Mas aí são mulheres que GOSTAM de ser tratadas da forma como eu mencionei acima. E por mais que eu ache bizarro alguém gostar de ser tratado assim, o que é de gosto é regalo da vida, né? Não tenho nada com isso.
Mas, como eu ia dizendo, se você é ou quer passar a ser muçulmano por vontade própria, divirta-se! Só tenha em mente que o Islamismo é uma religião que, pelos motivos aqui explicitados, não pode ser chamada de “pacífica”.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

“NÃO EXISTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DA MULHER CONTRA O HOMEM!!!” AH, TÁ...

Oi!!!

O post de hoje vai ser só em Português porque é sobre a forma como uma determinada situação é vista aqui no Brasil. E eu vou começar contando uma história verídica:

No último dia 22 de Fevereiro, o empresário Márcio Costa, de 34 anos, foi mantido em cárcere privado e submetido a uma sessão de tortura por cerca de 20 horas seguidas, até que conseguiu fugir e foi a uma delegacia do Recreio dos Bandeirantes, aqui no Rio, prestar depoimento sobre o ocorrido.


Ele tinha queimaduras no rosto, no pescoço, no tórax, nos pulsos, na barriga e nos quadris.


De acordo com o Márcio, ele foi preso por parentes da esposa dele e torturado por ela. Ele afirma que foi amarrado e amordaçado e que então ela começou a enfiar a cabeça dele num balde com água e queimar ele com uma espécie de ácido que derramava nele. Ele alega que, enquanto ela torturava ele, dizia coisas sem sentido, como pra ele não se preocupar porque ela ia contratar uma dermatologista pra cuidar dos ferimentos dele depois da tortura, ao mesmo tempo em que falava que ia matar ele.

De acordo com o Márcio, a esposa tinha um comportamento inconstante e subjetivo, passando da calma pra violência extrema de um segundo pro outro.

Ele revelou também que ela já faz um tratamento psiquiátrico há pelo menos 2 anos, mas que mesmo assim apresenta um comportamento agressivo com frequência.

Levado a um hospital no bairro do Méier, o Márcio ficou internado por 10 dias, precisando inclusive passar por algumas cirurgias plásticas.

A esposa dele disse que foi ao contrário: ela afirma que não sabe como ele se machucou e que ele é que bateu nela com extrema violência... Uma acusação um tanto fraca, já que, na ocasião, ela não se apresentou pra fazer nenhum exame de corpo de delito pra provar o que estava dizendo e menos ainda mostrava marcas de agressão visíveis no corpo dela.

Uma coisa é certa, porque já foi testemunhada por várias pessoas: eles viviam eternamente brigando. Mas se ela tivesse sido tão agredida por ele da forma como ela disse na ocasião, será que ela também não teria feito um exame de corpo de delito pra comprovar incontestavelmente o que dizia, como ele mesmo fez?

Ela também acusou o Márcio de estar extremamente drogado no dia em que tudo aconteceu. Mas os exames que ele fez não acusaram nenhuma presença de drogas no organismo dele na ocasião, o que deixa claro que ela não contou exatamente o que aconteceu ali.

Bom, ela e os parentes dela que o Márcio disse que participaram da sessão de tortura foram indiciados e devem ir a julgamento no início do ano que vem.

Por que eu estou contando essa história aqui? Porque amanhã, 25 de Novembro, é comemorado o Dia Internacional do Combate à Violência Contra A Mulher. E aí uma GRANDE parte das pessoas que vão discursar em público sobre esse assunto vão fazer apologia à Lei 11340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha.

Sobre a minha opinião quanto a essa lei, vou deixar aqui um link de um post que eu fiz sobre isso:

http://centrogb.blogspot.com/2009/07/leis-pra-punir-violencia-domestica-sim.html

Uma das explicações mais usadas pelos defensores dessa lei é que “Não existem casos de violência doméstica cometidos por uma mulher contra um homem”. E por isso, a lei tem que ser mantida mesmo tendo ares inconstitucionais.

Bom, acabamos de ver acima um caso extremo de violência doméstica de uma esposa contra o marido.

Sim. É claro que esse foi um caso extremo. Mas só isso já serve pra desmistificar essa historinha de que NÃO EXISTE violência doméstica de uma mulher contra um homem.

Quer ver casos menos graves? Tudo bem. Aí você pode olhar ao seu redor mesmo, que não vai demorar a ver ou lembrar de algum parente, amigo, conhecido ou vizinho que já foi agredido fisicamente pela esposa ou pela namorada. Um empurrão, um tapa, um soco... Duvido que você nunca tenha visto alguma mulher fazer isso com o marido ou o namorado. Mas isso é sempre tratado como se ela não tivesse feito nada de mais. E quem tiver em volta na hora ainda vai botar panos quentes na situação, dizendo que ela só fez isso porque ela estava com TPM, que são os hormônios que fazem ela ser assim ou simplesmente que, se ela bateu, foi porque ela teve um bom motivo.

Se o cara for a uma delegacia fazer uma queixa por causa de uma agressão física mais leve desse tipo, o delegado ainda é capaz de ridicularizar a situação:

“Ah, meu amigo! Eu cheio de trabalho aqui e você vem me apurrinhar porque a tua mulher te deu uns tapinhas?! Tenha dó!”

Ou seja, quando a agressão física é cometida pela mulher, ela é sempre banalizada.

Tem também os casos de agressão verbal em público. Muitas mulheres acham que podem chegar pro marido ou pro namorado e agredir ele verbalmente falando o que elas quiserem, com as palavras que elas quiserem, no lugar que elas quiserem e na frente de quem elas quiserem.

Agora imagine se é um homem fizer a 10ª parte disso com a namorada ou a esposa dele! Além da crise de vitimismo que ela vai ter na hora (falando aquelas frases do tipo “Não se fala assim com uma mulher!!!”), todas as pessoas que tiverem em volta vão cair em cima dele ferozmente. Porque, na atual sociedade brasileira, quando se vê um desentendimento entre um homem e uma mulher em público, é bem visto dar razão à mulher e ficar contra o homem, por mais errada que a mulher esteja e por mais certo que o homem esteja. Tomar as dores da mulher nessas ocasiões pega bem, dá status e enfeita a imagem pública de quem faz isso.

Bom, pra encerrar eu vou lembrar aqui que, em QUALQUER tipo de violência, o responsável tem que responder pelo que fez. Não interessa se ele é homem ou mulher ou se a vítima dele foi homem ou mulher. Obviamente eu não estou falando contra o fato de os homens que agrediram fisicamente a esposa ou a namorada responderem judicialmente por isso. É claro que eles têm que responder pelo que fizeram.

Mas daí a fingir que o ÚNICO tipo possível de violência doméstica tem SEMPRE o homem como agressor e a mulher como vítima (e é esse o mito que os defensores da Lei Maria da Penha tentam manter a ferro e fogo), aí já vimos que não faz sentido nenhum.

E não venham dizer que essa tendência de ver SÓ o lado da mulher contra o homem é uma forma de combater o machismo porque não é. O homem que é machista vai continuar sendo machista, com ou sem isso.

E as principais culpadas pela manutenção do machismo são as próprias mulheres na sua maioria, porque elas mesmas não assumem um posicionamento definitivo e objetivo em relação a isso: num dia uma mulher se declara contra o machismo, no dia seguinte a mesma mulher fala alguma frase mega-hiper-ultra-machista em público, aí no outro dia ela mesma dá razão a um homem que tomou uma atitude machista... E quando um homem machista encontra uma mulher que tem essas contradições, indecisões e indefinições em relação a esse assunto, ele domina ela com a maior facilidade, é claro. Mas nem vou me aprofundar nisso, porque aí daria outro post até maior do que esse.

De qualquer forma, fica aí algo pra refletir.

Até a próxima!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

LOGUN EDÉ e NANÃ

LOGUN EDÉ

Essa divindade quase sempre é lembrada antes de mais nada como um/uma deus/deusa de sexo indefinido, embora a maioria das estátuas e pinturas dele/dela mostrem ele/ela como um deus masculino.

Ocorre que Logun Edé é mencionado/mencionada pela maioria das tradições do Candomblé como filho/filha de Oxum e Erinlé. E se manifesta como uma mistura dos 2, ao mesmo tempo em que muda de sexo de acordo com as estações do ano: durante metade do ano, ela é uma deusa feminina igual a Oxum; durante a outra metade, ele é um deus masculino igual a Erinlé.

Na forma feminina, Logun Edé anda sempre junto com Oxum, tem os mesmos poderes que ela e deve receber o mesmo culto que ela. Na forma masculina, ele anda sempre junto com Erinlé, tem os mesmos poderes que ele e deve receber o mesmo culto que ele.

Sobre quais são as estações do ano em que ele/ela se manifesta de forma masculina ou de forma feminina, não há concordância. Cada grupo do Candomblé diz uma coisa diferente sobre isso. Mas a maioria concorda que Logun Edé é masculino durante 2 estações e feminino durante as outras 2.

Essas mudanças de sexo acabaram por, informalmente, transformar ele/ela no/na deus/deusa protetor/protetora dos transexuais no Candomblé. Mas essa ideia geralmente é bem mal vista pelos grupos catolicizados do Candomblé, que preferem dizer que Logun Edé é um deus só masculino ou mesmo que ele é uma divindade sem sexo.

O Pierre Verger não parece ter feito grandes estudos sobre essa divindade. E assim, não confirma nem nega nada sobre o sexo de Logun Edé, o que nos deixa sem saber como essa divindade era vista originalmente na África.

Quando ela é cultuada como deusa feminina, deve ser cultuada junto com Oxum. Quando ele é cultuado como deus masculino, deve ser cultuado junto com Erinlé.

Logun Ede is often seen as an indeterminate gendered god/goddess. Even so, several statues and paintings show him/her as a male deity.

Most of the candomblecist traditions mention him/her as a son/daughter of Oshun and Erinle. He/she is a mixture of both. And he/she changes his/her gender according to the seasons. For half of the year she is a female deity similar to Oshun. For the other half he is a male deity similar to Erinle.

As a female, she always stays alongside Oshun, is worshipped with her and has the same kind of powers than her mother. As a male, he always stays alongside Erinle, is worshipped with him and has the same kind of powers than his father.

Candomblecist groups don’t agree about when Logun Ede changes his/her gender. Each group gives a different explanation for that. But most of them agree he/she is a god during 2 seasons of the year and a goddess during the other ones.

Informally, this changing of gender makes him/her the protective god/goddess of transsexuals in Candomble. But candomblecist catholic groups reject that. They usually mention him as a male deity or as an asexual deity.

Pierre Verger doesn’t seem to have done extensive studies on this deity. He doesn’t confirm or deny anything about Logun Ede’s gender. And because of that we don’t know how this deity was originally seen in Africa.

If you worship her as a goddess, you have to worship Oshun too. If you worship him as a god, you have to worship Erinle too.

Logun Edé es a menudo visto como un/una dios/diosa de sexo indefinido. Aun así, varias de sus estatuas y pinturas lo muestran como una deidad masculina.

La mayor parte de las tradiciones candomblecistas lo/la mencionan como un/una hijo/hija de Oshun y Erinlé y al mismo tiempo una mezcla de ambos. El/ella cambia su sexo como cambian las estaciones del año. Durante la mitad del año, es una diosa femenina igual a Oshun; durante la otra mitad, es un dios masculino igual a Erinlé.

Como diosa femenina, ella siempre se mantiene junto a Oshun, es adorada con ella y tiene los mismos poderes que su madre. Como dios masculino, él siempre se mentiene junto a Erinlé, es adorado con él y tiene los mismos poderes que su padre.

Los grupos candomblecistas no están de acuerdo en cuando Logun Edé cambia su sexo. Cada grupo dice algo diferente de eso. Pero la mayoría dice que es un dios durante 2 estaciones y una diosa durante las otras 2.

De manera informal, estos cambios de sexo lo/la convierten en el/la dios/diosa protector/protectora de los transexuales en el Candomblé. Pero los grupos catolicizados del Candomblé rechazan esa interpretación. Por lo general, ellos lo mencionan como una deidad masculina o como una deidad asexual.

Pierre Verger no parece haber hecho amplios estudios sobre esta deidad. Y tampoco llega a confirmar ni negar nada sobre el sexo de Logun Edé. Y por eso no sabemos cómo esta deidad era vista originalmente en África.

Cuando se hace su culto como diosa, hay que hacerse el culto de Oshun también. Cuando se hace su culto como dios, hay que hacerse el culto de Erinlé también.

Si vede Logun Edé spesso come un/una dio/dea di sesso indeterminato. Anche così, diverse statue e dipinti suoi lo mostrano come una divinità maschile.

La maggior parte delle tradizioni candombleciste lo/la menzionano come un/una figlio/figlia di Oshun e Erinlé e come una miscela dei suoi genitori. E lui/lei cambia il suo sesso secondo le stagioni dell’anno. Per metà dell’anno, lei è una divinità femminile simile a Oshun. Per l’altra metà, lui è una divinità maschile simile a Erinlé.

Come una dea femminile, lei rimane sempre accanto a Oshun, è adorata con lei e ha gli stessi poteri di sua madre. Come un dio maschile, lui rimane sempre accanto a Erinlé, è adorato con lui e ha gli stessi poteri di suo padre.

I gruppi candomblecisti non sono d’accordo su quando Logun Edé cambia il suo sesso. Ogni gruppo dà una spiegazione diversa per questo. Ma la maggior parte di loro si mette d’accordo che è un dio per 2 stagioni dell’anno e una dea per le altre 2.

Informalmente, questi cambiamenti di sesso fanno di lui/lei il/la dio/dea protettore/protettrice dei transessuali nel Candomblé. Ma i cattolici candomblecisti lo rifiutano. Di solito, lo menzionano come una divinità maschile o come una divinità asessuata.

Si vede che Pierre Verger non ha fatto studi davvero approfonditi su questa divinità. Lui non conferma né smentisce nulla del sesso di Logun Edé. E per questo motivo, non sappiamo come questa divinità era originariamente vista in Africa.

Se si fa il suo culto come dea, si deve fare anche il culto di Oshun. Se si fa il suo culto come dio, si deve fare anche il culto di Erinlé.


NANÃ

Essa é a grande deusa-matriarca do Daomé (no atual Benin). Mas o culto dela se espalhou praticamente por todas as regiões vizinhas, chegando a Oió (na atual Nigéria) pelo Leste e a Ashanti (no atual Gana) pelo Oeste.

Sendo uma deusa do Daomé, Nanã era originalmente um vodun. Mas em Oió, passou a ser vista como um orixá.

Ela é eventualmente vista como a mais antiga de todas as divindades. Ou, no mínimo, como a mais antiga das divindades femininas.

Nanã era louvada na África como deusa dos pântanos e muito associada à lama. E como deusa da lama, ela também é a deusa da decomposição. Sempre que uma criatura morre e o corpo dela começa a ser devorado pela Natureza, o poder de Nanã está presente nessa decomposição.

Ela é mencionada pelos mitos como uma deusa vaidosa, que ama a beleza e despreza a feiúra. E embora seja uma divindade matriarcal e imaginada amando os filhos, a função de mãe não parece vir em 1º lugar pra ela, de acordo com os mitos. Num 1º momento, ela é mostrada desprezando os filhos que considera feios, embora acabe se reaproximando deles depois.

Quando o culto de Nanã foi trazido pro Brasil, entrou num certo desacordo com o culto de Iemanjá, que ficou sendo considerada por aqui como a matriarca do Candomblé, vista como a maior das deusas-mães e como a mãe de quase todos os orixás. E assim, pra não descaracterizar os atributos originais de Nanã, ela passou a ser vista como a avó de quase todos os orixás, sem tirar Iemanjá do posto que ela ocupa (uma avó ocupa o posto de matriarca mais do que uma mãe).

No culto de Nanã é proibido o uso de qualquer tipo de metal. Só madeira afiada e/ou endurecida pode ser usada pra furar ou cortar o que quer que seja durante os rituais.

O mito que explica isso conta que Nanã não se dá muito com Ogum. E como se deve agradecer a Ogum sempre que se usa objetos de metal no culto de qualquer orixá (pois ele é o deus dos metais), Nanã proíbe que se use tais objetos no culto dela pra nunca precisar agradecer a ele.

A melhor oferenda pra Nanã é a madeira. E o melhor lugar pra deixar a oferenda são os pântanos ou florestas onde se possa derramar água sobre a terra pra fazer lama. Nesse último caso, a pessoa que vai fazer a oferenda pode levar uma garrafa de água (lembrando que não pode ser uma garrafa térmica nem outro tipo de garrafa feita de nenhum tipo de metal) e qualquer objeto de madeira que seja bonito e resistente. Pode chegar num lugar da floresta que tenha bastante espaço, derramar a água sobre a terra e revolver bem com o próprio objeto de madeira até formar bastante lama.

De qualquer forma, o objeto deve ser deixado em cima da lama como oferenda.

Nanã também costuma ser vista como mãe e conselheira de Obaluaiê, que geralmente faz tudo o que ela pede. Assim, também é aconselhável agradar Nanã antes de pedir qualquer coisa a Obaluaiê.

Os melhores momentos pra invocar Nanã como deusa-matriarca e conselheira de Obaluaiê são o período de lua crescente e o 1º dia de Primavera (quando as energias de maternidade estão fluindo com mais força na Natureza) e como deusa da lama e da decomposição dos cadáveres são o período de lua nova e o 1º dia de Inverno (quando as energias da morte estão fluindo com mais força na Natureza).

Nana is the great matriarchal goddess of Dahomey (in the current Benin). But her worship was spread over almost all the regions around Dahomey, like Oyo (in the current Nigeria) and Ashanti (in the current Gana).

As a goddess from Dahomey, she is originally a vodun. But in Oyo they started seeing her as an orisha.

Nana is sometimes seen as the oldest deity in the World. Or at least as the oldest female deity.

She was worshipped in Africa as the goddess of marshes and very associated to mud. And as the goddess of mud she is also the goddess of decomposition. Every time any creature dies and Nature starts devouring its body Nana’s power is acting on that.

Myths mention her as a very vain goddess who loves beautiful things and hates the ugly ones. And in spite of being a matriarchal deity who loves her children, these myths state that being a mother isn’t so important for her. If she has an ugly child she rejects him before accepting him.

When Nana’s worship arrived to Brazil, Yemanja was already seen as the great matriarch of Candomble as the mother of almost all the orishas and the great mother-goddess. Then, Nana was seen as the grand-mother of almost all the orishas in order to not mischaracterizing her original attributes and not usurping Yemanja’s title (a grand-mother is a matriarch more than a mother).

No kind of metal may be used at Nana’s rituals. Wood is usually used to replace it when it’s necessary.

A myth which intends to explain that tells Nana doesn’t like Ogoun so much. You see: if you use metal at the ritual of any deity, you have to thank Ogoun (he is the god of metals). Then, Nana rejects metals at her worship in order to not having to thank him.

The best offering to Nana is wood. The best places to leave it are marshes and forests. In this last case you have to carry water with you (but it may not be in any metal container) and some beautiful wood object. You have to pour the water on earth and use the object itself to turn the earth over in order to produce much mud.

Anyway, you have to leave the offering in the mud.

Nana is also seen as Babalu Aye’s mother and mentor. He often does everything she asks him to. Then, it’s a good idea pleasing Nana before asking anything to Babalu Aye.

The best moments to worship Nana as a matriarchal goddess and Babalu Aye’s mentor are the crescent-moon period and the 1st day of Spring (when energies of motherhood are stronger in Nature). And the best moments to worship her as the goddess of mud and decomposition are the new-moon period and the 1st day of Winter (when energies of death are stronger in Nature).

Nanán es la gran diosa matriarcal de Dahomey (en el actual Benin). Sin embargo, su culto se extendió a lo largo de casi todas las regiones alrededor de Dahomey, como Oyo (en la actual Nigeria) y Ashanti (en el actual Gana).

Siendo una diosa de Dahomey, ella era en su origen un vodun. Pero en Oyo fue vista como un orisha.

Nanán suele ser vista como la divinidad más vieja del Mundo. O por lo menos como la divinidad femenina más antígua.

Ella era adorada en África como la diosa de los pantanos y muy asociada al barro. Y siendo la diosa del barro, es también la diosa de la descomposición. Cada vez que una criatura se muere y la Naturaleza comienza a devorar su cuerpo, el poder de Nanán está actuando sobre eso.

Los mitos hablan de ella como una diosa muy vanidosa que ama a las cosas bellas y odia a las feas. Y a pesar de ser una deidad matriarcal que ama a sus hijos, estos mitos dicen que ser madre no es tan importante para ella. Si ella tiene un hijo feo, ella lo rechaza antes de aceptarlo.

Cuando el culto de Nanán llegó a Brasil, Yemayá ya era vista como la gran matriarca del Candomblé, como la madre de casi todos los orishas y la gran diosa madre. Entonces, Nanán fue vista como la abuela de casi todos los orishas, con el fin de no contradecir sus atributos originales y de no usurpar el título de Yemayá (una abuela es una matriarca muy más que una madre).

Se prohíbe que todo tipo de metal sea utilizado en los rituales de Nanán. La madera es generalmente utilizada en su lugar cuando es necesario.

Un mito que tiene la intención de explicarlo dice que Nanán no tiene buenas relaciones con Oggun. Si se utiliza metal en los rituales de cualquier deidad, hay que agradecerse a Oggun (puesto que es el dios de los metales). Entonces, Nanán rechaza los metales en su culto con el fin de no tener que darle las gracias.

La mejor ofrenda para Nanán es la madera y los mejores lugares para dejarla son los pantanos y las florestas. En este último caso, hay que llevar agua contigo (pero el agua no puede estar en ningún recipiente de metal) y algún objeto bello de madera. Tienes que verter el agua en la tierra y usar el propio objeto para mezclar la tierra con el agua y producir mucho barro.

De todos modos, tienes que dejar la ofrenda en el barro.

Nanán también es vista como la madre y mentora de Babalú Ayé. A menudo, él hace todo lo que ella se le pide. Así, es una buena idea agradar a Nanán antes de pedir cualquier cosa a Babalú Ayé.

Los mejores momentos para adorar a Nanán como diosa matriarcal y mentora de Babalú Ayé son el periodo de luna creciente y el primer día de la Primavera (cuando las energías de maternidad están más fuertes en la Naturaleza). Y los mejores momentos para adorarla como diosa del barro y de la descomposición son el período de luna nueva y el primer día del Invierno (cuando las energías de muerte están más fuertes en la Naturaleza).

Nana è la grande dea matriarcale di Dahomey (Benin). Ma il suo culto si è diffuso su quasi tutte le regioni attorno Dahomey, come Oyo (Nigeria) e Ashanti (Gana).

Come una dea di Dahomey, lei è originariamente un vodun. Ma a Oyo la vedevano come un oriscià.

A volte si vede Nana come la più antica divinità nel Mondo. O almeno come la più antica divinità femminile.

Lei era adorata in Africa come la dea delle paludi e molto legata al fango. E come la dea del fango, è anche la dea della decomposizione. Ogni volta che una creatura muore e la Natura comincia a divorare il suo corpo il potere di Nana sta agendo su questo.

I miti la menzionano come una dea molto vanitosa che ama le cose belle e odia quelle brutte. E pur essendo una divinità matriarcale che ama i suoi figli, questi miti raccontano che essere una madre non è così importante per lei. Se lei ha un figlio brutto, lei lo rifiuta prima di accettarlo.

Quando il suo culto è arrivato in Brasile, Yemaja era già vista come la grande matriarca del Candomblé, come la madre di quasi tutti gli oriscià e la grande dea-madre. Così, hanno cominciato a vedere Nana come la nonna di quasi tutti gli oriscià al fine di non distorcere i suoi attributi originali e non usurpare il titolo di Yemaja (una nonna è una matriarca più di una madre).

Nessun tipo di metallo può essere usato nei rituali di Nana. Il legno è di solito utilizzato per sostituirlo quando è necessario.

Un mito che lo spiega racconta che Nana non ha buone relazioni con Ogun. Guarda: se si utilizza metallo nei rituali di qualsiasi divinità, si deve ringraziare Ogun (lui è il dio dei metalli). Per questo, Nana rifiuta metalli nel suo culto al fine di non dover ringraziare niente a lui.

Il miglior regalo per Nana è il legno. I migliori posti per lasciarlo sono paludi e foreste. Se vuoi farlo in questo ultimo caso, è necessario portare acqua con te (ma l’acqua non può rimanere in qualsiasi contenitore metallico) e un oggetto bello di legno. Devi versare l’acqua sulla terra e usare l’oggetto stesso per capovolgere la terra al fine di produrre molto fango.

In ogni caso, devi lasciare il regalo nel fango.

Quasi sempre vedono Nana come la madre e consulente di Babalu Ayé. Lui fa spesso tutto quello che lei gli chiede. Così, è una buona idea piacere a Nana prima di chiedere qualsiasi cosa a Babalu Ayé.

I migliori momenti per adorare Nana come dea matriarcale e consulete de Babalu Ayé sono il periodo di luna crescente e il primo giorno di Primavera (quando le energie di maternità sono più forti nella Natura). E i migliori momenti per adorarla come dea del fango e della decomposizione sono il periodo di luna nuova e il primo giorno di Inverno (quando le energie di morte sono più forti nella Natura).

domingo, 20 de novembro de 2011

VOCÊ AINDA ACREDITA QUE TODO JESUÍTA É BONZINHO?

Oi!!!

O quadro do qual a gente vai falar esse mês se chama Anchieta e As Feras.


Foi pintado pelo Benedito Calixto. Mas não consegui identificar exatamente em que ano.

O quadro mostra o Padre José de Anchieta segurando uma bíblia aberta com a mão esquerda e empunhando um crucifixo com a direita.

Ele está no meio do Brasil do século XVI, retratado como uma selva fechada, inclusive com uma onça pintada presente.

O quadro retrata a forma como o Catolicismo Romano via o Continente Americano no século XVI: uma terra selvagem, habitada por índios “bárbaros, rudes e incultos”, que tinham que ser convertidos às ideias católicas e afastados dos “falsos deuses” que adoravam.

Nós ficamos com uma imagem muito errada dos jesuítas em relação aos índios, achando que eles protegiam os índios da escravidão e tal. Na verdade, eles queriam simplesmente transformar os índios em novos súditos do papa. E por isso, a ação proselitista do Catolicismo Romano ensinou os índios a desdenhar a própria cultura deles, passando pra eles a ideia de que essa cultura não passava de um amontoado de crendices sem fundamento e, por isso, merecia apenas ser renegada, esquecida e substituída pela cultura católica.

Até hoje é comum encontrar índios catolicizados que chamam a cultura original deles de “histórias falsas”, expressão que foi ensinada a eles pelos jesuítas.

Ainda existem mais de 200 línguas diferentes faladas por grupos indígenas diferentes em todas as regiões do Brasil. Mas a Igreja Católica Romana, através dos séculos, estimulou a ideia de que essas línguas são só expressões deficientes de um povo primitivo.

Como consequência das atitudes dessa igreja, hoje só restam cerca de 270 povos indígenas no Brasil que ainda preservam uma certa cultura original (até o início do século XVI, mais de 1000 povos indígenas com culturas diferentes habitavam o território que, hoje, é oficialmente o Brasil).

Graças ao proselitismo católico, todas as culturas estrangeiras que chegaram ao Brasil prevaleceram de um modo mais forte do que as culturas indígenas que já existiam aqui antes.

Mas esse é apenas um dos incontáveis erros que essa igreja cometeu, sendo a maior responsável por séculos de atraso na evolução não só da Europa, mas, como se pode ver, também das Américas.

This month we’ll talk a little about a picture called Anchieta e As Feras.

It’s a picture by Benedito Calixto. But I could find no information about when it was painted.

The picture shows Priest José de Anchieta holding an open bible with his left hand and holding a crucifix with the right one.

He is in the middle of the 16th-century Brazil. The country is portrayed as an extremely dense jungle. And there’s even a jaguar at the picture.

The picture shows how Roman Catholicism saw the whole American Continent in the 16th century: a savage land full of “barbarous, rude and uneducated” people (the indians) who had to be converted to catholic ideas and stayed away from the “false gods” they worshipped.

En general, tenemos una imagen muy equivocada de los jesuitas brasileños, creyendo que protegían a los indígenas contra la esclavitud. De hecho, los jesuitas simplemente querían transformar a los indígenas en los nuevos súbditos del papa. Y así, la acción proselitista del Catolicismo Romano enseñó a los indígenas a no prestar atención a su propia cultura, diciéndoles que esa cultura era sólo un montón de creencias sin fundamento, que merecía sólo para ser negada, olvidada y sustituida por la cultura católica.

Hasta mismo en los días actuales todavía es común encontrar indígenas catolicizados que llaman a su propia cultura original “falsas historias”, expresión que les fue enseñada por los jesuitas.

Hay todavía más de 200 idiomas diferentes hablados por diferentes grupos indígenas en todas las regiones de Brasil. Pero la Iglesia Católica Romana, a lo largo de los siglos, mantuvo la idea de que estas lenguas son sólo expresiones discapacidadas de una gente primitiva.

La Chiesa Cattolica Romana ha fatto tutto il possibile per distruggere la religione e la lingua degli indiani del Brasile del secolo XVI.

Come conseguenza degli atteggiamenti di questa chiesa, oggigiorno ci sono solo circa 270 gruppi indigeni in Brasile che hanno ancora un po’ della sua antica cultura (fino agli inizi del secolo XVI, più di 1000 gruppi indigeni con culture diverse abitavano il territorio che è il Brasile attuale).

Grazie al proselitismo cattolico, tutte le culture straniere che sono venute in Brasile sono prevalse in maniera più forte che le culture indigene che esistevano qui prima.

Ma questo è solamente uno degli innumerevoli errori che questa chiesa ha commesso. Come si può vedere, essa è la principale responsabile per secoli di ritardo nell’evoluzione non solamente dell’Europa ma anche delle Americhe.

Até a próxima!