quarta-feira, 23 de novembro de 2011

LOGUN EDÉ e NANÃ

LOGUN EDÉ

Essa divindade quase sempre é lembrada antes de mais nada como um/uma deus/deusa de sexo indefinido, embora a maioria das estátuas e pinturas dele/dela mostrem ele/ela como um deus masculino.

Ocorre que Logun Edé é mencionado/mencionada pela maioria das tradições do Candomblé como filho/filha de Oxum e Erinlé. E se manifesta como uma mistura dos 2, ao mesmo tempo em que muda de sexo de acordo com as estações do ano: durante metade do ano, ela é uma deusa feminina igual a Oxum; durante a outra metade, ele é um deus masculino igual a Erinlé.

Na forma feminina, Logun Edé anda sempre junto com Oxum, tem os mesmos poderes que ela e deve receber o mesmo culto que ela. Na forma masculina, ele anda sempre junto com Erinlé, tem os mesmos poderes que ele e deve receber o mesmo culto que ele.

Sobre quais são as estações do ano em que ele/ela se manifesta de forma masculina ou de forma feminina, não há concordância. Cada grupo do Candomblé diz uma coisa diferente sobre isso. Mas a maioria concorda que Logun Edé é masculino durante 2 estações e feminino durante as outras 2.

Essas mudanças de sexo acabaram por, informalmente, transformar ele/ela no/na deus/deusa protetor/protetora dos transexuais no Candomblé. Mas essa ideia geralmente é bem mal vista pelos grupos catolicizados do Candomblé, que preferem dizer que Logun Edé é um deus só masculino ou mesmo que ele é uma divindade sem sexo.

O Pierre Verger não parece ter feito grandes estudos sobre essa divindade. E assim, não confirma nem nega nada sobre o sexo de Logun Edé, o que nos deixa sem saber como essa divindade era vista originalmente na África.

Quando ela é cultuada como deusa feminina, deve ser cultuada junto com Oxum. Quando ele é cultuado como deus masculino, deve ser cultuado junto com Erinlé.

Logun Ede is often seen as an indeterminate gendered god/goddess. Even so, several statues and paintings show him/her as a male deity.

Most of the candomblecist traditions mention him/her as a son/daughter of Oshun and Erinle. He/she is a mixture of both. And he/she changes his/her gender according to the seasons. For half of the year she is a female deity similar to Oshun. For the other half he is a male deity similar to Erinle.

As a female, she always stays alongside Oshun, is worshipped with her and has the same kind of powers than her mother. As a male, he always stays alongside Erinle, is worshipped with him and has the same kind of powers than his father.

Candomblecist groups don’t agree about when Logun Ede changes his/her gender. Each group gives a different explanation for that. But most of them agree he/she is a god during 2 seasons of the year and a goddess during the other ones.

Informally, this changing of gender makes him/her the protective god/goddess of transsexuals in Candomble. But candomblecist catholic groups reject that. They usually mention him as a male deity or as an asexual deity.

Pierre Verger doesn’t seem to have done extensive studies on this deity. He doesn’t confirm or deny anything about Logun Ede’s gender. And because of that we don’t know how this deity was originally seen in Africa.

If you worship her as a goddess, you have to worship Oshun too. If you worship him as a god, you have to worship Erinle too.

Logun Edé es a menudo visto como un/una dios/diosa de sexo indefinido. Aun así, varias de sus estatuas y pinturas lo muestran como una deidad masculina.

La mayor parte de las tradiciones candomblecistas lo/la mencionan como un/una hijo/hija de Oshun y Erinlé y al mismo tiempo una mezcla de ambos. El/ella cambia su sexo como cambian las estaciones del año. Durante la mitad del año, es una diosa femenina igual a Oshun; durante la otra mitad, es un dios masculino igual a Erinlé.

Como diosa femenina, ella siempre se mantiene junto a Oshun, es adorada con ella y tiene los mismos poderes que su madre. Como dios masculino, él siempre se mentiene junto a Erinlé, es adorado con él y tiene los mismos poderes que su padre.

Los grupos candomblecistas no están de acuerdo en cuando Logun Edé cambia su sexo. Cada grupo dice algo diferente de eso. Pero la mayoría dice que es un dios durante 2 estaciones y una diosa durante las otras 2.

De manera informal, estos cambios de sexo lo/la convierten en el/la dios/diosa protector/protectora de los transexuales en el Candomblé. Pero los grupos catolicizados del Candomblé rechazan esa interpretación. Por lo general, ellos lo mencionan como una deidad masculina o como una deidad asexual.

Pierre Verger no parece haber hecho amplios estudios sobre esta deidad. Y tampoco llega a confirmar ni negar nada sobre el sexo de Logun Edé. Y por eso no sabemos cómo esta deidad era vista originalmente en África.

Cuando se hace su culto como diosa, hay que hacerse el culto de Oshun también. Cuando se hace su culto como dios, hay que hacerse el culto de Erinlé también.

Si vede Logun Edé spesso come un/una dio/dea di sesso indeterminato. Anche così, diverse statue e dipinti suoi lo mostrano come una divinità maschile.

La maggior parte delle tradizioni candombleciste lo/la menzionano come un/una figlio/figlia di Oshun e Erinlé e come una miscela dei suoi genitori. E lui/lei cambia il suo sesso secondo le stagioni dell’anno. Per metà dell’anno, lei è una divinità femminile simile a Oshun. Per l’altra metà, lui è una divinità maschile simile a Erinlé.

Come una dea femminile, lei rimane sempre accanto a Oshun, è adorata con lei e ha gli stessi poteri di sua madre. Come un dio maschile, lui rimane sempre accanto a Erinlé, è adorato con lui e ha gli stessi poteri di suo padre.

I gruppi candomblecisti non sono d’accordo su quando Logun Edé cambia il suo sesso. Ogni gruppo dà una spiegazione diversa per questo. Ma la maggior parte di loro si mette d’accordo che è un dio per 2 stagioni dell’anno e una dea per le altre 2.

Informalmente, questi cambiamenti di sesso fanno di lui/lei il/la dio/dea protettore/protettrice dei transessuali nel Candomblé. Ma i cattolici candomblecisti lo rifiutano. Di solito, lo menzionano come una divinità maschile o come una divinità asessuata.

Si vede che Pierre Verger non ha fatto studi davvero approfonditi su questa divinità. Lui non conferma né smentisce nulla del sesso di Logun Edé. E per questo motivo, non sappiamo come questa divinità era originariamente vista in Africa.

Se si fa il suo culto come dea, si deve fare anche il culto di Oshun. Se si fa il suo culto come dio, si deve fare anche il culto di Erinlé.


NANÃ

Essa é a grande deusa-matriarca do Daomé (no atual Benin). Mas o culto dela se espalhou praticamente por todas as regiões vizinhas, chegando a Oió (na atual Nigéria) pelo Leste e a Ashanti (no atual Gana) pelo Oeste.

Sendo uma deusa do Daomé, Nanã era originalmente um vodun. Mas em Oió, passou a ser vista como um orixá.

Ela é eventualmente vista como a mais antiga de todas as divindades. Ou, no mínimo, como a mais antiga das divindades femininas.

Nanã era louvada na África como deusa dos pântanos e muito associada à lama. E como deusa da lama, ela também é a deusa da decomposição. Sempre que uma criatura morre e o corpo dela começa a ser devorado pela Natureza, o poder de Nanã está presente nessa decomposição.

Ela é mencionada pelos mitos como uma deusa vaidosa, que ama a beleza e despreza a feiúra. E embora seja uma divindade matriarcal e imaginada amando os filhos, a função de mãe não parece vir em 1º lugar pra ela, de acordo com os mitos. Num 1º momento, ela é mostrada desprezando os filhos que considera feios, embora acabe se reaproximando deles depois.

Quando o culto de Nanã foi trazido pro Brasil, entrou num certo desacordo com o culto de Iemanjá, que ficou sendo considerada por aqui como a matriarca do Candomblé, vista como a maior das deusas-mães e como a mãe de quase todos os orixás. E assim, pra não descaracterizar os atributos originais de Nanã, ela passou a ser vista como a avó de quase todos os orixás, sem tirar Iemanjá do posto que ela ocupa (uma avó ocupa o posto de matriarca mais do que uma mãe).

No culto de Nanã é proibido o uso de qualquer tipo de metal. Só madeira afiada e/ou endurecida pode ser usada pra furar ou cortar o que quer que seja durante os rituais.

O mito que explica isso conta que Nanã não se dá muito com Ogum. E como se deve agradecer a Ogum sempre que se usa objetos de metal no culto de qualquer orixá (pois ele é o deus dos metais), Nanã proíbe que se use tais objetos no culto dela pra nunca precisar agradecer a ele.

A melhor oferenda pra Nanã é a madeira. E o melhor lugar pra deixar a oferenda são os pântanos ou florestas onde se possa derramar água sobre a terra pra fazer lama. Nesse último caso, a pessoa que vai fazer a oferenda pode levar uma garrafa de água (lembrando que não pode ser uma garrafa térmica nem outro tipo de garrafa feita de nenhum tipo de metal) e qualquer objeto de madeira que seja bonito e resistente. Pode chegar num lugar da floresta que tenha bastante espaço, derramar a água sobre a terra e revolver bem com o próprio objeto de madeira até formar bastante lama.

De qualquer forma, o objeto deve ser deixado em cima da lama como oferenda.

Nanã também costuma ser vista como mãe e conselheira de Obaluaiê, que geralmente faz tudo o que ela pede. Assim, também é aconselhável agradar Nanã antes de pedir qualquer coisa a Obaluaiê.

Os melhores momentos pra invocar Nanã como deusa-matriarca e conselheira de Obaluaiê são o período de lua crescente e o 1º dia de Primavera (quando as energias de maternidade estão fluindo com mais força na Natureza) e como deusa da lama e da decomposição dos cadáveres são o período de lua nova e o 1º dia de Inverno (quando as energias da morte estão fluindo com mais força na Natureza).

Nana is the great matriarchal goddess of Dahomey (in the current Benin). But her worship was spread over almost all the regions around Dahomey, like Oyo (in the current Nigeria) and Ashanti (in the current Gana).

As a goddess from Dahomey, she is originally a vodun. But in Oyo they started seeing her as an orisha.

Nana is sometimes seen as the oldest deity in the World. Or at least as the oldest female deity.

She was worshipped in Africa as the goddess of marshes and very associated to mud. And as the goddess of mud she is also the goddess of decomposition. Every time any creature dies and Nature starts devouring its body Nana’s power is acting on that.

Myths mention her as a very vain goddess who loves beautiful things and hates the ugly ones. And in spite of being a matriarchal deity who loves her children, these myths state that being a mother isn’t so important for her. If she has an ugly child she rejects him before accepting him.

When Nana’s worship arrived to Brazil, Yemanja was already seen as the great matriarch of Candomble as the mother of almost all the orishas and the great mother-goddess. Then, Nana was seen as the grand-mother of almost all the orishas in order to not mischaracterizing her original attributes and not usurping Yemanja’s title (a grand-mother is a matriarch more than a mother).

No kind of metal may be used at Nana’s rituals. Wood is usually used to replace it when it’s necessary.

A myth which intends to explain that tells Nana doesn’t like Ogoun so much. You see: if you use metal at the ritual of any deity, you have to thank Ogoun (he is the god of metals). Then, Nana rejects metals at her worship in order to not having to thank him.

The best offering to Nana is wood. The best places to leave it are marshes and forests. In this last case you have to carry water with you (but it may not be in any metal container) and some beautiful wood object. You have to pour the water on earth and use the object itself to turn the earth over in order to produce much mud.

Anyway, you have to leave the offering in the mud.

Nana is also seen as Babalu Aye’s mother and mentor. He often does everything she asks him to. Then, it’s a good idea pleasing Nana before asking anything to Babalu Aye.

The best moments to worship Nana as a matriarchal goddess and Babalu Aye’s mentor are the crescent-moon period and the 1st day of Spring (when energies of motherhood are stronger in Nature). And the best moments to worship her as the goddess of mud and decomposition are the new-moon period and the 1st day of Winter (when energies of death are stronger in Nature).

Nanán es la gran diosa matriarcal de Dahomey (en el actual Benin). Sin embargo, su culto se extendió a lo largo de casi todas las regiones alrededor de Dahomey, como Oyo (en la actual Nigeria) y Ashanti (en el actual Gana).

Siendo una diosa de Dahomey, ella era en su origen un vodun. Pero en Oyo fue vista como un orisha.

Nanán suele ser vista como la divinidad más vieja del Mundo. O por lo menos como la divinidad femenina más antígua.

Ella era adorada en África como la diosa de los pantanos y muy asociada al barro. Y siendo la diosa del barro, es también la diosa de la descomposición. Cada vez que una criatura se muere y la Naturaleza comienza a devorar su cuerpo, el poder de Nanán está actuando sobre eso.

Los mitos hablan de ella como una diosa muy vanidosa que ama a las cosas bellas y odia a las feas. Y a pesar de ser una deidad matriarcal que ama a sus hijos, estos mitos dicen que ser madre no es tan importante para ella. Si ella tiene un hijo feo, ella lo rechaza antes de aceptarlo.

Cuando el culto de Nanán llegó a Brasil, Yemayá ya era vista como la gran matriarca del Candomblé, como la madre de casi todos los orishas y la gran diosa madre. Entonces, Nanán fue vista como la abuela de casi todos los orishas, con el fin de no contradecir sus atributos originales y de no usurpar el título de Yemayá (una abuela es una matriarca muy más que una madre).

Se prohíbe que todo tipo de metal sea utilizado en los rituales de Nanán. La madera es generalmente utilizada en su lugar cuando es necesario.

Un mito que tiene la intención de explicarlo dice que Nanán no tiene buenas relaciones con Oggun. Si se utiliza metal en los rituales de cualquier deidad, hay que agradecerse a Oggun (puesto que es el dios de los metales). Entonces, Nanán rechaza los metales en su culto con el fin de no tener que darle las gracias.

La mejor ofrenda para Nanán es la madera y los mejores lugares para dejarla son los pantanos y las florestas. En este último caso, hay que llevar agua contigo (pero el agua no puede estar en ningún recipiente de metal) y algún objeto bello de madera. Tienes que verter el agua en la tierra y usar el propio objeto para mezclar la tierra con el agua y producir mucho barro.

De todos modos, tienes que dejar la ofrenda en el barro.

Nanán también es vista como la madre y mentora de Babalú Ayé. A menudo, él hace todo lo que ella se le pide. Así, es una buena idea agradar a Nanán antes de pedir cualquier cosa a Babalú Ayé.

Los mejores momentos para adorar a Nanán como diosa matriarcal y mentora de Babalú Ayé son el periodo de luna creciente y el primer día de la Primavera (cuando las energías de maternidad están más fuertes en la Naturaleza). Y los mejores momentos para adorarla como diosa del barro y de la descomposición son el período de luna nueva y el primer día del Invierno (cuando las energías de muerte están más fuertes en la Naturaleza).

Nana è la grande dea matriarcale di Dahomey (Benin). Ma il suo culto si è diffuso su quasi tutte le regioni attorno Dahomey, come Oyo (Nigeria) e Ashanti (Gana).

Come una dea di Dahomey, lei è originariamente un vodun. Ma a Oyo la vedevano come un oriscià.

A volte si vede Nana come la più antica divinità nel Mondo. O almeno come la più antica divinità femminile.

Lei era adorata in Africa come la dea delle paludi e molto legata al fango. E come la dea del fango, è anche la dea della decomposizione. Ogni volta che una creatura muore e la Natura comincia a divorare il suo corpo il potere di Nana sta agendo su questo.

I miti la menzionano come una dea molto vanitosa che ama le cose belle e odia quelle brutte. E pur essendo una divinità matriarcale che ama i suoi figli, questi miti raccontano che essere una madre non è così importante per lei. Se lei ha un figlio brutto, lei lo rifiuta prima di accettarlo.

Quando il suo culto è arrivato in Brasile, Yemaja era già vista come la grande matriarca del Candomblé, come la madre di quasi tutti gli oriscià e la grande dea-madre. Così, hanno cominciato a vedere Nana come la nonna di quasi tutti gli oriscià al fine di non distorcere i suoi attributi originali e non usurpare il titolo di Yemaja (una nonna è una matriarca più di una madre).

Nessun tipo di metallo può essere usato nei rituali di Nana. Il legno è di solito utilizzato per sostituirlo quando è necessario.

Un mito che lo spiega racconta che Nana non ha buone relazioni con Ogun. Guarda: se si utilizza metallo nei rituali di qualsiasi divinità, si deve ringraziare Ogun (lui è il dio dei metalli). Per questo, Nana rifiuta metalli nel suo culto al fine di non dover ringraziare niente a lui.

Il miglior regalo per Nana è il legno. I migliori posti per lasciarlo sono paludi e foreste. Se vuoi farlo in questo ultimo caso, è necessario portare acqua con te (ma l’acqua non può rimanere in qualsiasi contenitore metallico) e un oggetto bello di legno. Devi versare l’acqua sulla terra e usare l’oggetto stesso per capovolgere la terra al fine di produrre molto fango.

In ogni caso, devi lasciare il regalo nel fango.

Quasi sempre vedono Nana come la madre e consulente di Babalu Ayé. Lui fa spesso tutto quello che lei gli chiede. Così, è una buona idea piacere a Nana prima di chiedere qualsiasi cosa a Babalu Ayé.

I migliori momenti per adorare Nana come dea matriarcale e consulete de Babalu Ayé sono il periodo di luna crescente e il primo giorno di Primavera (quando le energie di maternità sono più forti nella Natura). E i migliori momenti per adorarla come dea del fango e della decomposizione sono il periodo di luna nuova e il primo giorno di Inverno (quando le energie di morte sono più forti nella Natura).

2 comentários:

Iziel disse...

Bastante interessante esse post!

Leo Carioca disse...

Gostou?
Que bom!