quinta-feira, 24 de novembro de 2011

“NÃO EXISTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DA MULHER CONTRA O HOMEM!!!” AH, TÁ...

Oi!!!

O post de hoje vai ser só em Português porque é sobre a forma como uma determinada situação é vista aqui no Brasil. E eu vou começar contando uma história verídica:

No último dia 22 de Fevereiro, o empresário Márcio Costa, de 34 anos, foi mantido em cárcere privado e submetido a uma sessão de tortura por cerca de 20 horas seguidas, até que conseguiu fugir e foi a uma delegacia do Recreio dos Bandeirantes, aqui no Rio, prestar depoimento sobre o ocorrido.


Ele tinha queimaduras no rosto, no pescoço, no tórax, nos pulsos, na barriga e nos quadris.


De acordo com o Márcio, ele foi preso por parentes da esposa dele e torturado por ela. Ele afirma que foi amarrado e amordaçado e que então ela começou a enfiar a cabeça dele num balde com água e queimar ele com uma espécie de ácido que derramava nele. Ele alega que, enquanto ela torturava ele, dizia coisas sem sentido, como pra ele não se preocupar porque ela ia contratar uma dermatologista pra cuidar dos ferimentos dele depois da tortura, ao mesmo tempo em que falava que ia matar ele.

De acordo com o Márcio, a esposa tinha um comportamento inconstante e subjetivo, passando da calma pra violência extrema de um segundo pro outro.

Ele revelou também que ela já faz um tratamento psiquiátrico há pelo menos 2 anos, mas que mesmo assim apresenta um comportamento agressivo com frequência.

Levado a um hospital no bairro do Méier, o Márcio ficou internado por 10 dias, precisando inclusive passar por algumas cirurgias plásticas.

A esposa dele disse que foi ao contrário: ela afirma que não sabe como ele se machucou e que ele é que bateu nela com extrema violência... Uma acusação um tanto fraca, já que, na ocasião, ela não se apresentou pra fazer nenhum exame de corpo de delito pra provar o que estava dizendo e menos ainda mostrava marcas de agressão visíveis no corpo dela.

Uma coisa é certa, porque já foi testemunhada por várias pessoas: eles viviam eternamente brigando. Mas se ela tivesse sido tão agredida por ele da forma como ela disse na ocasião, será que ela também não teria feito um exame de corpo de delito pra comprovar incontestavelmente o que dizia, como ele mesmo fez?

Ela também acusou o Márcio de estar extremamente drogado no dia em que tudo aconteceu. Mas os exames que ele fez não acusaram nenhuma presença de drogas no organismo dele na ocasião, o que deixa claro que ela não contou exatamente o que aconteceu ali.

Bom, ela e os parentes dela que o Márcio disse que participaram da sessão de tortura foram indiciados e devem ir a julgamento no início do ano que vem.

Por que eu estou contando essa história aqui? Porque amanhã, 25 de Novembro, é comemorado o Dia Internacional do Combate à Violência Contra A Mulher. E aí uma GRANDE parte das pessoas que vão discursar em público sobre esse assunto vão fazer apologia à Lei 11340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha.

Sobre a minha opinião quanto a essa lei, vou deixar aqui um link de um post que eu fiz sobre isso:

http://centrogb.blogspot.com/2009/07/leis-pra-punir-violencia-domestica-sim.html

Uma das explicações mais usadas pelos defensores dessa lei é que “Não existem casos de violência doméstica cometidos por uma mulher contra um homem”. E por isso, a lei tem que ser mantida mesmo tendo ares inconstitucionais.

Bom, acabamos de ver acima um caso extremo de violência doméstica de uma esposa contra o marido.

Sim. É claro que esse foi um caso extremo. Mas só isso já serve pra desmistificar essa historinha de que NÃO EXISTE violência doméstica de uma mulher contra um homem.

Quer ver casos menos graves? Tudo bem. Aí você pode olhar ao seu redor mesmo, que não vai demorar a ver ou lembrar de algum parente, amigo, conhecido ou vizinho que já foi agredido fisicamente pela esposa ou pela namorada. Um empurrão, um tapa, um soco... Duvido que você nunca tenha visto alguma mulher fazer isso com o marido ou o namorado. Mas isso é sempre tratado como se ela não tivesse feito nada de mais. E quem tiver em volta na hora ainda vai botar panos quentes na situação, dizendo que ela só fez isso porque ela estava com TPM, que são os hormônios que fazem ela ser assim ou simplesmente que, se ela bateu, foi porque ela teve um bom motivo.

Se o cara for a uma delegacia fazer uma queixa por causa de uma agressão física mais leve desse tipo, o delegado ainda é capaz de ridicularizar a situação:

“Ah, meu amigo! Eu cheio de trabalho aqui e você vem me apurrinhar porque a tua mulher te deu uns tapinhas?! Tenha dó!”

Ou seja, quando a agressão física é cometida pela mulher, ela é sempre banalizada.

Tem também os casos de agressão verbal em público. Muitas mulheres acham que podem chegar pro marido ou pro namorado e agredir ele verbalmente falando o que elas quiserem, com as palavras que elas quiserem, no lugar que elas quiserem e na frente de quem elas quiserem.

Agora imagine se é um homem fizer a 10ª parte disso com a namorada ou a esposa dele! Além da crise de vitimismo que ela vai ter na hora (falando aquelas frases do tipo “Não se fala assim com uma mulher!!!”), todas as pessoas que tiverem em volta vão cair em cima dele ferozmente. Porque, na atual sociedade brasileira, quando se vê um desentendimento entre um homem e uma mulher em público, é bem visto dar razão à mulher e ficar contra o homem, por mais errada que a mulher esteja e por mais certo que o homem esteja. Tomar as dores da mulher nessas ocasiões pega bem, dá status e enfeita a imagem pública de quem faz isso.

Bom, pra encerrar eu vou lembrar aqui que, em QUALQUER tipo de violência, o responsável tem que responder pelo que fez. Não interessa se ele é homem ou mulher ou se a vítima dele foi homem ou mulher. Obviamente eu não estou falando contra o fato de os homens que agrediram fisicamente a esposa ou a namorada responderem judicialmente por isso. É claro que eles têm que responder pelo que fizeram.

Mas daí a fingir que o ÚNICO tipo possível de violência doméstica tem SEMPRE o homem como agressor e a mulher como vítima (e é esse o mito que os defensores da Lei Maria da Penha tentam manter a ferro e fogo), aí já vimos que não faz sentido nenhum.

E não venham dizer que essa tendência de ver SÓ o lado da mulher contra o homem é uma forma de combater o machismo porque não é. O homem que é machista vai continuar sendo machista, com ou sem isso.

E as principais culpadas pela manutenção do machismo são as próprias mulheres na sua maioria, porque elas mesmas não assumem um posicionamento definitivo e objetivo em relação a isso: num dia uma mulher se declara contra o machismo, no dia seguinte a mesma mulher fala alguma frase mega-hiper-ultra-machista em público, aí no outro dia ela mesma dá razão a um homem que tomou uma atitude machista... E quando um homem machista encontra uma mulher que tem essas contradições, indecisões e indefinições em relação a esse assunto, ele domina ela com a maior facilidade, é claro. Mas nem vou me aprofundar nisso, porque aí daria outro post até maior do que esse.

De qualquer forma, fica aí algo pra refletir.

Até a próxima!

2 comentários:

Anônimo disse...

Agora pegue esse caso extremo como você mesmo disse e contraponha a tantos outros casos contra a mulher. É infinitamente maior. O que você fez nesse post foi procurar agulhas em palheiro, como homofóbicos fazem ao dizer que heterofobia existe, ou racistas tentam provar preconceito contra brancos.

Tão vítimas, coitadinhos. Vamos fazer uma lei que os ampare, além dá que já existe, claro! Minhas solidariedades ao rapaz torturado pela inescrupulosa mulher monstro e, minhas solidadriedade às mulher, bem mais numerosas que o Marcio, vitimas de homens inescrupulosos e monstros.

Leo Carioca disse...

Bom, até onde eu vejo, a quantidade de casos de agressões de homens contra mulheres não é tão maior assim do que a quantidade de casos de agressões de mulheres contra homens. A questão é que, quando uma mulher comete uma agressão física contra um homem, isso em 90% das vezes é banalizado.
Se um homem dá um tapa na cara de uma mulher, ele pode até ser linchado na hora por causa disso. Mas se uma mulher dá um tapa na cara de um homem, todo mundo que tiver visto essa cena vai procurar inocentar a mulher:
“Ah, coitada! Ela tava com TPM quando ela fez isso...”
Ou mesmo:
“Ué! E o que é que tem mulher bater em homem? Aposto que nem doeu...”
Só que passar a ideia de que TODA mulher é uma santa imaculada que está sempre certa (e é essa a imagem da mulher que muitos defensores da Lei Maria da Penha querem passar) não vai resolver nada. Passar essa imagem não vai diminuir a quantidade de casos de agressões de homens contra mulheres, não vai fazer nenhum homem machista ficar menos machista, não vai fazer nenhum homem compreender melhor as mulheres...
Como eu deixei claro: se uma pessoa comete uma agressão contra outra pessoa (independente de quem seja homem ou mulher na história), ela tem que responder pelo que fez. Os homens que agrediram a esposa, a namorada ou qualquer outra mulher no ambiente doméstico, OBVIAMENTE, têm que responder pelo que fizeram. Mas a gente não pode pensar que a violência doméstica se resume a isso. Inclusive, não vamos esquecer que uma mulher também pode agredir outra mulher e um homem também pode agredir outro homem no ambiente doméstico.