Oi!!!
Hoje a gente vai falar aqui sobre uma das situações mais mencionadas no Brasil pelos detratores das religiões da Terra: os sacrifícios humanos no Candomblé.
Em 1º lugar, se alguém chega pra você e fala sobre sacrifícios humanos nessa religião, eu sugiro que você pergunte à pessoa o que é Candomblé.
Em muitos casos, a resposta dessa pergunta feita a esse tipo de pessoa vai ser alguma coisa mais ou menos assim:
“Ah, sei lá! É uma religião lá que veio da África.”
Ou seja, a própria pessoa não sabe direito o que é Candomblé. Ela provavelmente tá repetindo alguma coisa de que ela ouviu falar, sem nem sequer consultar as fontes e sem nem sequer procurar se informar mais sobre o assunto.
Em 2º lugar, procure saber se a pessoa que disse isso é evangélica. Se for, você pode reduzir 90% do que ela disse, porque com certeza é exagero e fantasia.
Embora as pessoas geralmente achem que os evangélicos têm preconceito contra o Candomblé, na verdade não é bem isso. O que acontece com certos evangélicos é que eles são contra TUDO que não seja do grupo deles.
Se você for a certas igrejas evangélicas, não é difícil ver os membros “recém-convertidos” dessas igrejas que eram de outras religiões dando “testemunhos” assim do que acontece nessas outras religiões:
“Quando eu era católico, o padre me obrigava a sacrificar criancinha! Mas depois que eu vim pra igreja aqui, eu me curei! Encontrei Jesus!”
“Quando eu era do Candomblé, o pai de santo me obrigava a sacrificar criancinha! Mas depois que eu vim pra igreja aqui, eu me curei! Encontrei Jesus!”
“Quando eu era budista, o monge me obrigava a sacrificar criancinha! Mas depois que eu vim pra igreja aqui, eu me curei! Encontrei Jesus!”
“Quando eu era muçulmano, o xeique me obrigava a sacrificar criancinha! Mas depois que eu vim pra igreja aqui, eu me curei! Encontrei Jesus!”
E por aí vai.
Então, não é difícil que esse tipo de evangélico fale sobre sacrifícios humanos e até sobre coisas piores em TODAS as religiões, menos na igreja da qual ele faz parte. Pois se eles falam mal até das outras igrejas evangélicas, que fazem outras interpretações da Bíblia!
Então, se um evangélico desse tipo disser a você que já viu sacrifícios humanos no Candomblé (ou mesmo em outras religiões), desconsidere.
Em 3º lugar, fanáticos e gente maluca existem em TODAS as religiões. Então, obviamente, também existem no Candomblé. Assim, se você ouviu falar de um caso de alguém que cometeu um sacrifício humano num ritual de Candomblé e aí você checou e viu é verdade, eu posso afirmar que foi obra de uma pessoa fanática ou mentalmente desequilibrada. Porque fazer esse tipo de ritual não é algo proibido apenas pelo Candomblé, mas por TODAS as religiões da Terra. Afinal, se você mata uma pessoa, você está atentando contra o livre arbítrio dela, o que vai diretamente contra os princípios das religiões da Terra. E se você faz isso como um ato de louvor aos deuses, você está multiplicando o seu erro por nem sei quantas vezes, porque aí você está cometendo uma afronta contra os deuses. E quando eles mandarem um castigo por essa afronta... Sem comentários, né? Com certeza o infeliz vai se arrepender muito do que fez.
Posto isso, talvez algumas pessoas perguntem:
“Nunca fez parte da cultura do Candomblé realizar sacrifícios humanos?”
Bom, vamos lembrar que a cultura do Candomblé é inspirada nos mitos que foram trazidos da África pelos próprios africanos (nigerianos, em sua maioria), que tinham sido escravizados pelos portugueses, no final do século XVI ou início do XVII.
Afinal, o Calundu, ou seja, a forma original como a religião era praticada antes disso na África, também era inspirado nesses mitos.
Bom, quem organizou esses mitos de forma mais satisfatória foi o Pierre Verger, já no século XX: depois de extensas pesquisas, ele conseguiu separar o que são mitos originais africanos e o que são lendas populares criadas pelos escravos depois que já estavam no Brasil.
Então, pra dizer se os sacrifícios humanos fazem parte da cultura do Candomblé, a gente teria que ver se os mitos originais africanos falam sobre isso com frequência.
Bom, eu só consegui encontrar 1 único mito reconhecido pelo Pierre Verger que menciona esse assunto. Vamos ver:
Atravessando as terras que fazem parte da atual Nigéria, o Rei de Oú chega às margens do Rio Oxum.
Junto com ele e os súditos dele, vai a esposa dele, que é uma mulher de uma beleza fascinante.
O Rio Oxum está extremamente turbulento nesse dia, impedindo o rei de atravessar pro outro lado. E assim, ele invoca Oxum, a deusa do Rio Oxum, prometendo que, se ela acalmar as águas e permitir que ele passe, ele vai dar a ela um presente belíssimo. Mas não especifica o que é esse presente.
Oxum acalmou suas águas, permitindo que o rei atravessasse com a esposa e os demais acompanhantes. Mas Oxum entendeu que o que o rei tinha prometido a ela era a própria esposa, já que ela era o que ele tinha de mais belo ali.
Assim que termina a travessia, o rei ordena aos súditos que atirem às águas do Rio Oxum todas as melhores comidas, as melhores bebidas, os perfumes mais raros, os tecidos mais luxuosos, as jóias mais preciosas e os objetos de ouro que levavam. Era esse o presente que ele tinha imaginado dar a Oxum. Mas a deusa rejeita tudo isso, fazendo com que tudo bóie pras suas margens.
Tempos depois, o rei volta ao Rio Oxum, fazendo o caminho inverso. E dessa vez, a esposa dele está grávida.
Como encontra as águas do rio novamente enfurecidas, o rei faz a mesma promessa que fez antes a Oxum. Mas agora a deusa não acalma as suas águas.
O rei entende que ela quer receber os presentes antes. E ordena que os súditos atirem de novo nas águas o mesmo que tinham atirado da outra vez. Mas tudo bóia pras margens sem nem sequer ser tocado e o rio continua furioso.
Diante disso, o rei finalmente entende o que está acontecendo e, sem ter outra saída, atira a esposa às águas do Rio Oxum.
Enquanto a mulher se afoga, nem percebe que, pelo poder de Oxum, começou a parir o bebê. E esse bóia em segurança até as margens do Rio Oxum, chegando lá são e salvo, ao mesmo tempo em que o rio se acalma e permite a passagem do rei.
O mito deixa claro que Oxum só afogou a mulher porque foi o que ela entendeu que lhe havia sido prometido.
O Pierre Verger lembra que esse mito tem uma variante, que conta exatamente a mesma história, mas substituindo a deusa Oxum pela deusa Obá e o Rio Oxum pelo Rio Obá.
Bom, como eu disse, esse é o único mito que eu encontrei, reconhecido pelo Pierre Verger como um mito original africano, que menciona um sacrifício humano. E se é o único mito desse tipo, como parece que é, então esse assunto nem era muito discutido entre os povos africanos que foram trazidos pro Brasil como escravos. Se essa fosse uma atitude comum entre eles, existiriam mais mitos que falassem sobre o assunto, né?
E o mito também mostra com bastante clareza que tudo só aconteceu por causa de um desentendimento: o Rei de Oú não soube formular as palavras na hora de fazer a promessa e, por causa disso, a deusa Oxum acabou entendendo a situação de forma equivocada.
Notem também que não foi a deusa que pediu nada no início: o rei é que chamou por ela e fez a promessa.
Acho que até aqui já temos provas suficientes pra dizer que os sacrifícios humanos NÃO fazem parte da cultura do Candomblé.
Espero que não tenha ficado nenhuma dúvida sobre o assunto. Mas, se ficou, comentem. Vamos tentar tirar.
Pra encerrar, só uma explicaçãozinha pra quem não sabe o que são religiões da Terra: como as religiões judaico-cristãs (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) se autodenominam “religiões do Céu”, a expressão “religiões da Terra” geralmente é usada pra definir as religiões de outras origens, ou seja, todas as religiões que não são de origem judaico-cristã.
Today we’ll talk about one of the situations which are most mentioned in Brazil by the detractors of the Earth religions: human sacrifices in Candomble.
I have basically 2 things to say about it:
1st, if somebody tells you something about human sacrifices in this religion, I suggest you to ask this person what Candomble is.
In several cases, he’ll answer you something like that:
“Oh! I don’t know! It’s some kind of African religion.”
You see. The person himself knows basically nothing about Candomble. He’s probably just repeating something he heard before. He didn’t consult his sources or even tried to learn more about it.
And 2nd, you have to find out if the person who says that is a Brazilian protestant. If he is, you can reduce 90% of what he says about it. His speech is surely full of exaggeration and fantasy.
People generally think that Brazilian protestants have a bias against Candomble. But that’s not exactly the truth. Actually some Brazilian protestants have a bias against EVERYBODY who isn’t a member of their groups.
If you go to some Brazilian protestant churches, you’ll meet some “born-again” members who’ll tell you what “happened” when they were members of other religions:
“When I was a catholic, a priest forced me to kill people in his ceremonies. But when I arrived at this church here, I finally met Jesus!”
“When I was a candomblecist, a babalorixa forced me to kill people in his ceremonies. But when I arrived at this church here, I finally met Jesus!”
“When I was a buddhist, a monk forced me to kill people in his ceremonies. But when I arrived at this church here, I finally met Jesus!”
“When I was a muslim, a sheikh forced me to kill people in his ceremonies. But when I arrived at this church here, I finally met Jesus!”
If you don’t believe it, do a search about it on the Internet.
Then, you often meet a Brazilian protestant who tells you there are human sacrifices or even worse things in ALL the religious groups except for his church. You see: this kind of protestant usually speaks against the other protestant churches! Then, talking about other religions...
So, if a protestant of this kind tells you something about human sacrifices in Candomble (or even in other religions), the best you have to do is forget it.
Vamos a ver el único mito original africano que habla de sacrificios humanos en el Candomblé:
Caminando por las tierras que forman parte de la actual Nigeria, el Rey de Oú llega a las orillas de Río Oshun.
Junto a él y a sus súbditos, está su esposa, una mujer que tiene una belleza fascinante.
El Río Oshun está extremadamente turbulento en ese día, lo que evita que el rey pueda cruzarlo. Y así, él llama por Oshun, la diosa del río, prometiéndole que, si ella calmar las aguas y permitir que él pase, se le dará un regalo muchísimo hermoso. Sin embargo, no especifica qué regalo será ese.
Oshun calma las aguas, permitiendo al rey cruzar su río con la esposa y los súbditos. Pero Oshun entiende que lo que el rey le prometió era su esposa, puesto que ella era lo más hermoso de todo que el rey tenía junto a él.
Una vez que termina de cruzar el río, el rey ordena a sus súbditos que lanzen a las aguas del Río Oshun las mejores comidas, las mejores bebidas, los perfumes más raros, las ropas más lujosas, las joyas más preciosas y los objetos de oro que llevan. Pero la diosa rechaza todo eso, lanzando todo a las orillas de su río.
Más tarde, el rey vuelve al Río Oshun, volviendo por el camino opuesto. Y esa vez, su esposa está embarazada.
Puesto que las aguas del río están otra vez muy furiosas, el rey hace la misma promesa que hizo antes a Oshun. Pero ahora la diosa no calma sus aguas.
El rey cree que ella quiere recibir los regalos antes. Y ordena a sus súbditos que lanzen de nuevo en las aguas lo mismo que habían lanzado la otra vez. Sin embargo, todas esas cosas vuelven sin ser tocadas a las orillas del río, que continúa furioso.
Así, el rey por fin entiende lo que está sucediendo y, sin otra salida, lanza a su esposa en las aguas del Río Oshun.
Mientras que la mujer se ahoga, no se da cuenta de que, a través del poder de Oshun, el bebé comenzó a nacer. Y el niño flota a salvo a la orilla del Río Oshun, llegando allá sano y salvo, mientras que el río se tranquiliza y permite que el rey pueda cruzarlo.
El mito deja claro que Oshun ahogó a la mujer sólo porque entendió que ella era lo que le había sido prometido.
Pierre Verger, el gran organizador del Candomblé, nos recuerda que hay una variante de este mito que cuenta la misma historia, pero poniendo la diosa Obbá en el lugar de la diosa Oshun y el Río Obbá en el lugar de el Río Oshun.
Bueno, este es el único mito que he encontrado entre los reconocidos por Pierre Verger como mitos originales africanos que menciona un sacrificio humano. Y si es el único mito de este tipo, que es lo que parece, se puede creer que este tema no era muy discutido entre los pueblos africanos que fueron traídos a Brasil como esclavos. Si esa fuera una actitud común entre ellos, obligatoriamente existirían más mitos que hablasen de eso, ¿verdad?
Y el mito también muestra muy claramente que todo ocurrió sólo a causa de un malentendido: el Rey de Oú no habló las palabras como tenía que hablarlas y, por cuenta de eso, la diosa Oshún acabó por entender la situación equivocadamente.
Vamos a tener en cuenta que la diosa no deseaba nada cuando todo empezó: el rey fue quien la llamó y le hizo la promesa.
Esistono sacrifici umani nel Candomblé?
Bene, fanatici e pazzi esistono in tutte le religioni. Così, ovviamente, esistono anche nel Candomblé. Quindi, se hai sentito parlare di un caso di qualcuno che ha commesso un sacrificio umano in un rituale del Candomblé e, dopo aver verificato, hai visto che la storia è vera, posso dirti che è stato l’atteggiamento di una persona fanatica o mentalmente squilibrata. Perché questo tipo di rituale non è qualcosa proibita solo per il Candomblé, ma per tutte le religioni della Terra. Non dimenticare che, se una persona uccide qualcuno, sta violando il libero arbitrio di questa altra persona. E questo va direttamente contro i principi delle religioni della Terra. E se lo fa come un atto di lode agli dei, sta moltiplicando l’errore tantissime volte, perché così sta commettendo un affronto agli dei. E la punizione divina per questo affronto arriverà... Sicuramente, questo imbecille farà rimpiangere molto di quello che ha fatto.
È possibile che qualcuno voglia chiedere:
“Fare sacrifici umani non è mai stato parte della cultura del Candomblé?”
Bene, ricordiamo che la cultura del Candomblé si ispira ai miti che sono stati portati in Brasile per gli africani (nigeriani, per lo più), che erano già schiavi dei portoghesi alla fine del secolo XVI o inizio del secolo XVII.
Non dimenticare che il Calundu, cioè, la religione come era praticata in forma originale in Africa prima, fu ispirato anche a questi miti.
Bene, Pierre Verger ha organizzato meglio questi miti, già nel secolo XX: dopo approfondite ricerche, lui è riuscito a separare i miti originali africani e i racconti popolari che vengono creati dagli schiavi dopo che erano già in Brasile.
Così, per dire se i sacrifici umani fanno parte della cultura del Candomblé, dobbiamo vedere se i miti africani originali parlano spesso di questo.
Beh, io sono riuscito a trovare 1 unico mito riconosciuto da Pierre Verger che cita il presente argomento.
Credo che questo dimostra che i sacrifici umani non fanno parte della cultura del Candomblé. Se c’è 1 solo mito che ne parla...
Se sono rimasti dubbi circa questo, potete usare il box di comments per fare qualche domanda.
Per terminare, una spiegazione per coloro che non sanno cosa sono le religioni della Terra: visto che le religioni giudaico-cristiane chiamano a sé stesse “religioni del Cielo”, il termine “religioni della Terra” è spesso usato per definire le religioni di altre origini, cioè, tutte le religioni che non sono giudaico-cristiane.
Até mais!
2 comentários:
No si no hay nada peor que los mal entendidos !!!!
¡Por supuesto!
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