quarta-feira, 29 de junho de 2011

QUEM DISSE QUE EU QUERO MUDAR?

Oi!!!

O site de utilidade pública que eu vou linkar esse mês é o da Audioteca Sal e Luz, voltada pro público com problemas oculares, que tem passado por certas dificuldades nos últimos tempos devido à pouca quantidade de voluntários que se dedicam a ela.

Então, lá vai:

http://www.audioteca.com.br/

Bom, hoje eu vou falar sobre um assunto que com certeza todo mundo aqui já conhece: a obsessão de algumas igrejas evangélicas em “curar” a homossexualidade.

O texto vai ser só em Português, porque, embora a gente veja algumas situações assim em outros países também, não dá pra generalizar e dizer que o Protestantismo é SEMPRE assim. Vejam que na Escandinávia, por exemplo, a maioria da população é protestante e a gente não costuma ver nas igrejas de lá essas tentativas de “cura” da homossexualidade.

Então, talvez seja um problema mais do Protestantismo brasileiro mesmo.

Mas qual é o problema em si? É que tem evangélicos que tentam arrastar todos os homossexuais que eles encontram pra igreja deles, dizendo que o pastor vai “curar” a homossexualidade deles.

Bom, antes de mais nada, vamos lembrar que usar a palavra “cura” nesse tipo de situação não faz sentido nenhum por 2 motivos:

1º- Homossexualidade não é doença e não é ferimento. E se não há doença e não há ferimento em questão, não se pode falar em cura. Porque as únicas coisas que podem ser curadas são doenças e ferimentos.

2º- O que essas igrejas fazem é simplesmente ensinar técnicas pra pessoa reprimir o comportamento sexual dela. Mas a pessoa continua sentindo os mesmíssimos desejos sexuais que sentia antes. Ela pode até não voltar a fazer mais nada na prática, mas a homossexualidade continua fazendo parte da mente dessa pessoa e vai continuar lá pra sempre. Então, se a homossexualidade continua lá, como é que ela foi “curada”, como esses evangélicos dizem???

Aí já sei que alguém vai dizer:

“Mas se um evangélico convidar você pra ir à igreja dele, é só você dizer que não está interessado.”

Bom, se fosse assim, realmente seria ótimo. Mas se alguém diz isso, é porque ainda não esbarrou por aí com esse tipo de evangélico.

Em 1º lugar, “convidar” alguém pra conhecer a igreja deles não é exatamente o que eles fazem na prática. Porque, quando eles encontram alguém que não é da igreja deles, eles tentam forçar essa pessoa a ir lá. Isso não é propriamente um ‘convite’, mas sim uma ‘intimação’, né?

Em 2º lugar, quando você responde a um evangélico desse tipo que não tá interessado em conhecer a igreja dele, você vai ouvir frases mais ou menos assim como resposta:

“Você não quer ir à minha igreja conhecer o MEU Deus?!?!?! Se você não acredita no meu Deus, isso é uma grande ofensa contra a minha fé!”

“Se você não quer ir à minha igreja, você não é de Jesus! Se você não é de Jesus, você é de satanás!”

“Se você não acredita no meu Deus, você é uma criatura que quer ser maior do que o Criador! Você vai queimar no Inferno pelo resto da eternidade por causa disso!”

Ou falam coisas bem piores ainda do que isso.

E quando terminam de falar coisas assim, eles ainda dizem:

“Eu não estou falando nada contra vocês. Tudo o que eu disse aqui é a palavra de Deus. Eu estou apenas mostrando a verdade a vocês.”

Claro que também tem quem tenta botar panos quentes:

“Olha, não é bem assim. É que tem pessoas que são evangélicas que não sabem se expressar e aí acabam falando de um jeito que parece que estão agredindo.”

Ah, tá. Agora conta a do papagaio.

Até porque, se eles são tão perfeitos quanto eles mesmos sempre dizem que são (“Eu sou perfeito como o meu Deus manda ser!”, é uma das frases que eles repetem o tempo todo), como é que eles podem “não saber se expressar”?

E se o “convite” pra conhecer a igreja foi feito pela Internet e a sua recusa foi feita também pela Internet, geralmente a criatura responde transcrevendo um trecho de 150 linhas da Bíblia, que às vezes nem tem nada a ver com o que você disse.

Pra você ver o nível de alienação ao qual certos evangélicos chegaram! Nem eles mesmos encontram justificativas pras coisas que eles falam e aí pegam uma parte qualquer da Bíblia e saem transcrevendo aleatoriamente.

Não é à toa que os evangélicos sérios têm rejeitado a palavra ‘evangélico’ como denominação deles. Eles preferem dizer que são “cristãos” (se você der uma pesquisada por aí, você vai encontrar vários textos de evangélicos dizendo isso). Porque, se alguém fala pra você que é evangélico, a imagem que vai vir à sua cabeça provavelmente vai ser desse tipo de criatura que em descrevi acima. É ou não é? Um dia desses eu vou fazer um post sobre a questão dessa nomenclatura.

Talvez alguém teja estranhando o fato de eu ter falado só dos evangélicos e não ter falado dos católicos, dos muçulmanos, dos judeus conservadores... Afinal, esses também são grupos religiosos que têm dogmas homofóbicos.

Pois é. Só que esses, apesar de também defenderem dogmas homofóbicos, não costumam entrar nessa de querer “curar” a homossexualidade. Pelo menos aqui no Brasil, a gente não costuma ver um rabino, um padre ou um xeique querendo “curar” nada nesse sentido. Esses, geralmente, ou rejeitam os gays logo de cara ou aceitam os gays nos grupos deles desde que os gays aceitem viver sem sexo. Então, aí já é outro tipo de bloqueio contra a homossexualidade.

Quem viaja nessa de “curar” os homossexuais, pelo menos em terras brasucas, são certos evangélicos mesmo.

E pra encerrar, eu vou fazer uma pergunta:

Ainda que fosse possível mudar alguma coisa em relação à minha sexualidade, quem disse que eu quero mudar?

Bom, eu volto em Julho. Até lá!

8 comentários:

Anônimo disse...

E aí, Leo, beleza?

Como bem você sabe, religiosos de quase todas as vertentes têm mania de querer cuidar da vida de todo mundo porque sabem que a vida deles está uma bosta, e que não suportam que existam pessoas felizes sem precisar da igreja deles.

Gays, para eles, são apenas parte disso. Eu lembro que quando eu estudava em colégio de pastores (sem jamais ter sido crente por causa disso), o que mais tinha era gente dizendo que eu estava louvando o demônio por curtir heavy metal, que deveria conhecer grupos de jovens nas igrejas deles, que em vez de sair para a balada no sábado à noite seria mais feliz indo para a igreja, entre outras coisas de dar náuseas de ouvir. Ou seja, sem igreja nem bíblia, você nem sai do lugar segundo eles.

Voltando aos gays, todo mundo sabe que eles adoram relatos de "cura". Mas eles fogem dessa palavra, porque sabem que atrai repulsa. Preferem o termo "reorientação sexual", ou coisa que o valha, mas nunca se preocupam com o "depois". Como bem sabemos, a maioria dos gays que tentam se "curar", casando e tendo filhos com mulheres da mesma igreja não conseguem sustentar essa máscara por muito tempo e logo voltam a sair com homens, às escondidas. E aí é só jogar pedra depois: "esse cara é um fraco, ele não teve fé suficiente, etc".

Eu te recomendo o livro "Em Busca de Mim Mesmo", de Sérgio Viúla, ex-pastor, ex-ex-gay, fundador de um grupo fundamentalista que "curava" homossexualidade, e que mostra o quanto é mentirosa é essa história de cura.

Abração e bom dia.

Anônimo disse...

Já que você mencionou os muçulmanos, você não postou aqui nada sobre a morte do Bin Laden. Acho que seria interessante um post sobre isso, já que o grupinho escroto dele era outro grupo religioso homofóbico. A Alkaida. Nem sei se é assim que se escreve essa coisa.huahuah

Anônimo disse...

Eu acho isso um absurdo, mas só vem a comprovar que religiões como essas são atraso hoje em dia , acho que deveria ter interferência, pois isso que eles pregam e dizem aumenta a homofobia .
A proposito dá uma olhada neste texto tem muito haver com seu post de hoje :)

http://www.change.org/petitions/tell-hong-kongs-social-welfare-department-end-sponsorship-of-ex-gay-therapy?utm_medium=facebook&utm_source=share_petition&utm_term=friends_wall

Unknown disse...

Boa dica e interessantes informações. Ainda que pra nós sejam assuntos até há muito debatidos, infelizmente existem pessoas que não tem a mínima noção desses conceitos e não entendem como esclarecimentos...

Abraços, querido.

Leo Carioca disse...

Kummitus→ Aliás, se você chegar pra um desses evangélicos e disser que, se ele conviver com alguém que não evangélico, o mais importante é viver em harmonia com essa pessoa, ele vai responder:

´´Harmonia?! COMO, SEM DEUS???``

Isso eu já vi pessoalmente.
Pra esse tipo de evangélico, se a outra pessoa simplesmente não é evangélica, só isso já é sinônimo da pessoa não prestar. Aí das duas uma: ou ele vai tentar converter essa pessoa à igreja dele ou ele vai atacar essa pessoa.
E essa história que você disse do cara que ´era` gay até que virou evangélico e aí casou com uma mulher, teve filho e mais cedo ou mais tarde acaba dando suas escapadinhas com homens é uma coisa que eu tô cansado de ver por aí. E não é em pouca quantidade, não! São muitos!
Abração também!

Anônimo→ O fato de um muçulmano ser homofóbico é uma coisa tão redundante que eu nem dei importância a isso realmente.
Mas tá bom: no mês que vem vou dar um toque sobre isso.

Mariposo-L→ A homofobia só tem a força que tem no Brasil por causa da questão religiosa: 90% dos comentários homofóbicos que a gente encontra mencionam alguma coisa de religião.

Diannus do Nemi→ Valeu!
Abraços também!

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Sabe quando você disse aí: "E se o “convite” pra conhecer a igreja foi feito pela Internet e a sua recusa foi feita também pela Internet, geralmente a criatura responde transcrevendo um trecho de 150 linhas da Bíblia, que às vezes nem tem nada a ver com o que você disse."?
Hoje mesmo vi um crente no Orkut falando assim: "Só faço isso quando é conveniente.", quando foi acusado de fazer isso.