segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O ESCOBAR ERA AMANTE DA CAPITU OU DO BENTINHO?

Oi!!!

Hoje a gente vai falar aqui sobre uma das obras principais da Literatura Brasileira, e até considerada por alguns A MAIOR: o livro Dom Casmurro, do Machado de Assis.

Esse livro é considerado também a obra-prima do autor.

O livro foi escrito em 1899 e lançado em 1900, mas a história se passa aqui no Rio, na 2ª metade do século XIX. E é uma autobiografia fictícia, na qual o personagem principal, já com 54 anos, conta o que se passou na vida dele durante a adolescência e pós-adolescência.
Bom, se você já se informou um mínimo que seja sobre esse livro e agora ouve falar nele, posso apostar que vem à sua mente aquela pergunta que todo mundo faz quando se menciona esse livro:

“A Capitu traiu o Bentinho ou não?”

Pois é. Por mais de 110 anos, muita gente ligada à Literatura Brasileira tem se feito essa pergunta, inspirada numa conclusão tirada pelo personagem principal desse livro... Mas é difícil entender por quê dão tanta importância a isso!
Pra dizer a verdade, o tema principal do livro nem é esse, mas sim a luta do personagem Bentinho pra fugir da vida eclesiástica (o livro tem 217 páginas e, da página 1 até a página 153, esse é o principal tema abordado). O suposto adultério da Capitu só começa a ser imaginado pelo Bentinho nas últimas páginas do livro (a partir da página 190).
Bom, começando do começo: a mãe dele perdeu o 1º filho no parto. E como ela era uma católica de ideias meio extremas, beirando o fanatismo e com um profundo medo de ir pro Inferno, decidiu fazer uma promessa, determinando que, se ela tivesse outro filho homem e ele sobrevivesse, seria padre. E como ela tem o Bentinho não muito tempo depois disso...
Na verdade, ela mesma se arrepende muito da promessa que fez. Mas tem tanto medo de desagradar o deus dela se não cumprir que nem cogita a ideia de voltar atrás.
Durante a adolescência, o Bentinho é quase sempre retratado com uma personalidade submissa, principalmente em relação à mãe. E pela própria ética da época, uma mãe viúva (e era esse o caso) exercia autoridade incontestável e vitalícia sobre o filho na sociedade brasileira. Então, mesmo que ele tivesse coragem pra isso, não poderia simplesmente dizer que não faria o que a mãe queria.
O máximo que ele consegue é ter uma conversa com a mãe, na qual expressa um tímido desagrado em ter que seguir a vida eclesiástica. Mas, obviamente, isso não produz resultado nenhum. E com 15 anos, ele é internado no seminário, do qual só podia voltar pra casa nos finais de semana. Mas continua tramando planos pra não chegar a se ordenar padre.
Quanto à Capitu, só esclarecendo pra quem desconhece o livro por completo, ela é uma menina 1 ano mais nova do que o Bentinho, que mora na casa ao lado da dele. E com a qual ele vai acabar se casando, já chegando ao final do livro.
Mas enfim: desde que o Bentinho começa a falar sobre a Capitu até a última página do livro, ele menciona ela mais como uma amiga de infância do que como uma namorada. E várias passagens do livro dão a entender que ele via ela mais como uma forma de escapar da vida eclesiástica: se casando com ela, ele não poderia mais ser padre.
É claro que também tem várias e várias passagens que demonstram que ele gosta dela. Mas a aversão dele à vida eclesiástica parece ser bem mais forte do que a afetividade que ele tem por ela. Ou, pelo menos, a forma como a situação é descrita dá a entender isso.
Quanto ao “ciúme” que algumas pessoas fazem questão de lembrar que ele sente dela, a história, como já foi dito, se passa no Brasil do século XIX. A mentalidade masculina vigente naquela época era que a esposa, a noiva ou uma simples namorada funcionavam como propriedade do homem. Então, o que ele sentia por ela nesse sentido nem seria exatamente aquilo que hoje a gente chama de ‘ciúme’, mas sim uma sensação de posse (referente à mentalidade da época) sendo ameaçada.
Bom, quando chega ao seminário, o Bentinho conhece outro seminarista, chamado Ezequiel Escobar, que é chamado durante o livro todo apenas de “Escobar”.
Esse francamente não tá interessado em ser padre. Ele entrou pro seminário só pra ter a oportunidade de estudar mais, já que o ensino ali é melhor.
Embora a descrição explícita do texto fale do Escobar apenas como um amigo do Bentinho, examinando várias passagens, a gente pode no mínimo supor que não era só isso. O texto faz várias sugestões indiretas de que eles eram amantes.
Isso não é nenhuma interpretação nova da história, não, hein! Essa teoria já é estudada há muitos anos. Mas foi o Millor Fernandes que deu mais destaque a ela nos últimos anos.
Bom, vamos ver algumas passagens do livro que mostram isso:

Na página 94, falando sobre a alma humana, o Bentinho diz:

“Não sei o que era a minha. Eu não era ainda casmurro, nem dom casmurro; o receio é que me tolhia a fraqueza, mas como as portas não tinham chaves nem fechaduras, bastava empurrá-las, e Escobar empurrou-as e entrou. Cá o achei dentro, cá ficou, até que...”

A frase acaba exatamente assim. Com reticências. Na verdade, essa passagem é o fim do capítulo 58.
Na página 107, o Bentinho descreve uma parte da estadia dele no seminário:

“Os padres gostavam de mim, os rapazes também, e Escobar mais que os rapazes e os padres.”

Na página 117, quando o Bentinho fala sobre a 1ª visita que o Escobar fez à casa dele, ele diz:

“Nunca me visitara até ali, nem as nossas relações estavam já tão estreitas, como vieram a ser depois...”

E na mesma página, ele descreve o rosto do Escobar, demonstrando um certo fascínio pela beleza dele:

“Os olhos de Escobar, claros como já disse, eram dulcíssimos, assim como os definiu José Dias, depois que ele saiu, e mantenho esta palavra apesar dos quarenta anos que traz em cima de si. Nisto não houve exageração do agregado. A cara rapada mostrava uma pele alva e lisa. A testa é que era um pouco baixa, vindo a risca do cabelo quase em cima da sobrancelha esquerda; mas tinha sempre a altura necessária para não afrontar as outras feições, nem diminuir a graça delas. Realmente, era interessante de rosto, a boca fina e chocarreira, o nariz curvo e delgado...”

Aparentemente, foi depois desse jantar na casa do Bentinho que ele começou a se interessar mais diretamente pelo Escobar, como vemos na página 118, quando, depois do jantar, o Bentinho saiu pra acompanhar o Escobar até o ônibus:

“Separamo-nos com muito afeto: ele, de dentro do ônibus, ainda me disse adeus com a mão. Conservei-me à porta, a ver se, ao longe, ainda olharia para trás, mas não olhou.”

A Capitu, que observava a cena da janela da casa dela, chegou a se espantar um pouco com a situação.
Na página 125, os 2 têm um diálogo um tanto dúbio... O Bentinho declara:

“Escobar, você é meu amigo, eu sou seu amigo também; aqui no seminário você é a pessoa que mais me tem entrado no coração, e lá fora, a não ser a gente da família, não tenho propriamente um amigo.”

Isso pode parecer simplesmente o desabafo de um adolescente sem amigos. Afinal, realmente ele tinha sido criado praticamente SÓ dentro de casa, sem muito contato com pessoas que não eram da família... Mas ele também não chegava a ser 100% sem amigos! E a Capitu? E os pais da Capitu? Isso não são amigos? E várias passagens do livro dizem explicitamente que ele convivia com esses vizinhos frequentemente.
E quando o Bentinho diz isso, o Escobar responde:

“Se eu disser a mesma cousa, perde a graça; parece que estou repetindo. Mas a verdade é que não tenho aqui relações com ninguém, você é o primeiro e creio que já notaram; mas eu não me importo com isso.”

A forma como ele encerra a última frase é um pouco estranha numa situação em que teja se falando SÓ de amizade, né? Se ele declara que não se importa com alguma coisa que já notaram, isso dá a entender que o que ele tá mencionando é alguma coisa da qual a maioria das pessoas ali seriam contra (lembrando que eles tão num seminário, cercados de padres católicos), mas que ele não tá nem aí pra isso. Não é isso que essa frase dá a entender? Então, será que a maioria das pessoas ali seriam contra uma relação que é SÓ de amizade?
Na página 144, se sentindo culpado por não ter podido ir ao enterro de um vizinho, o Bentinho se anima um pouco ao receber uma visita do Escobar em casa. E assim descreve a situação:

“Um amigo supria assim um defunto, e tal amigo que durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se me não visse desde longos meses.”

Na página 145, ao elogiar a beleza dos olhos da mãe do Bentinho, os Escobar compara isso à beleza dos olhos do próprio Bentinho, dizendo a ele:

“Também a alguém há de você sair com esses olhos que Deus lhe deu...”

Existem 3 situações específicas descritas no livro que parecem confirmar de uma forma inegável um romance entre o Bentinho e o Escobar...
A 1ª é uma descrição que o Bentinho dá, na página 146, de uma situação que aconteceu. Os 2 tão andando pela horta da casa do Bentinho, começam a caminhar prum canto da horta e assim ele conta o que se seguiu:

“Caminhamos para o fundo. Passamos o lavadouro; ele parou um instante aí, mirando a pedra de bater roupa e fazendo reflexões a propósito do asseio; depois continuamos. Quais foram as reflexões não me lembra agora; lembra-me só que as achei engenhosas, e ri, ele riu também. A minha alegria acordava a dele, e o céu estava tão azul, e o ar tão claro, que a natureza parecia rir também conosco. São assim as boas horas deste mundo. Escobar confessou esse acordo do interno com o externo, por palavras tão finas e altas que me comoveram; depois, a propósito da beleza moral que se ajusta à física, tornou a falar de minha mãe, ‘um anjo dobrado’, disse ele.”

Bom, o que foi que ele descreveu aí? Vamos ver:
Eles foram prum canto afastado (provavelmente deserto) da horta, passaram pelo lugar onde as escravas lavavam roupa, o Escobar ficou ali um tempinho falando alguma coisa banal pra se certificar de que não tinha ninguém por perto e/ou pra despistar os escravos que eventualmente tivessem ali por perto vendo os 2 se afastarem e depois disso eles continuaram a se afastar.
O Bentinho diz claramente que achou “engenhoso” o que o Escobar fez ali, apesar de nem se lembrar do que ele disse... Mas se foi algo “engenhoso”, havia a intenção de conseguir alguma coisa fazendo aquilo. E os 2 seguiram em frente rindo do improviso do Escobar ali na hora.
Agora vejam as frases seguintes: “A minha alegria acordava a dele, e o céu estava tão azul, e o ar tão claro, que a natureza parecia rir também conosco. São assim as boas horas deste mundo.”. Isso parece simplesmente a descrição metafórica de uma relação sexual daquelas bem dadas, né?rsrs
Em outras palavras, eles foram prum canto mais afastado da horta pra transar.
Quando, depois disso, o Escobar menciona a mãe do Bentinho, aparentemente tá falando da beleza do próprio Bentinho, pois na página 145 ele já tinha feito aquele comentário sobre a beleza do Bentinho herdada da mãe. E quando ele chama a mãe do Bentinho de “anjo dobrado”, acho que a gente pode entender como um anjo reproduzido, ou seja, existe outro anjo igual àquele (o próprio Bentinho).
Antes de chegar nas outras 2 ‘provas’ de que eles eram amantes, vamos ver o que aconteceu antes disso.
Na página 148, os 2 tão no pátio do seminário. E o Escobar tem uma conversa com o Bentinho sobre Matemática, mostrando a facilidade e rapidez com que consegue fazer contas... O Bentinho fica tão fascinado que dá um abraço no Escobar. Mas um padre que tava por perto não gostou de ver isso, e se aproximou dizendo:

“A modéstia não consente esses gestos excessivos; podem estimar-se com moderação.”

Bom, das duas uma: ou esse padre era muito radical e muito conservador; ou ele já tinha visto alguma outra coisa ali antes.
O Escobar fica meio apreensivo ao ouvir isso do padre, mas o Bentinho não dá a mínima.
Na página 153, o Bentinho consegue convencer a mãe a deixar o seminário através de um plano do Escobar: já que ela prometeu que um filho homem dela seria padre, ela poderia simplesmente adotar um menino órfão pobre e mandar ele estudar pra ser padre, deixando assim o Bentinho livre da promessa. E ela acaba aceitando.
Pouco depois que deixam o seminário, eles se casam: o Bentinho com a Capitu e o Escobar com uma amiga da Capitu, chamada Sancha.
Não vamos nos esquecer que, naquela época, casar e ter filhos não era uma escolha, mas sim uma imposição da sociedade. Ninguém se casava e procriava porque queria, mas sim porque nem se discutia muito o fato de não fazer isso. Uma pessoa que chegava aos 25 anos solteira já era considerada passada da idade de casar.
Na página 160, tem até uma parte em que, reclamando pelo fato da Capitu ainda não ter engravidado, o Bentinho diz ao Escobar:

“Uma criança, um filho é o complemento natural da vida.”

Bom, o Bentinho e a Capitu têm um filho e o Escobar e a Sancha têm uma filha. E numa homenagem recíproca, dão às crianças os nomes de Ezequiel e Capituzinha.
Mesmo depois do casamento dos 2, a descrição do Bentinho continua insistindo que a relação entre ele e o Escobar foi ficando cada vez mais próxima, como se vê na página 166, quando ele menciona as visitas que um fazia ao outro:

“Escobar também se me fez mais pegado ao coração. As nossas visitas foram-se tornando mais próximas, e as nossas conversações mais íntimas.”

Quando se casam, o Bentinho vai morar com a Capitu na Glória e o Escobar vai morar com a Sancha no Andaraí. Mas, pouco depois, o Escobar se muda com a família pruma casa do Flamengo... Pra quem não conhece, a Glória e o Flamengo são bairros quase vizinhos, localizados entre a Zona Sul e o Centro do Rio, enquanto o Andaraí fica um pouco afastado dali.
Na página 181, o Bentinho antecipa que o Escobar morreu pouco tempo depois de se mudar. Mas assim ele descreve a convivência deles:

“Enquanto viveu, uma vez que estávamos tão próximos, tínhamos por assim dizer uma só casa, eu vivia na dele, ele na minha, e o pedaço de praia entre a Glória e o Flamengo era como um caminho de uso próprio e particular.”

Na página 184, vemos a 2ª ‘prova’ do romance entre eles.
Numa visita à casa do Escobar, o Bentinho começa descrevendo a cena dando a entender que tá se sentindo atraído pela Sancha. Mas isso parece mais uma linguagem de charada: prestando bastante atenção, dá pra entender que ele quer dizer que tá se sentindo atraído pelo Escobar.
Tem uma parte aí em que o Escobar olha pro Mar na Praia do Flamengo e vê que vai ter uma ressaca na manhã seguinte. E assim, apesar do Bentinho estranhar o risco de alguém nadar no Mar nessas condições, o Escobar diz que é exatamente isso o que ele vai fazer. E diz que não tem perigo, pois ele tem condições físicas de nadar assim e ainda pede pro Bentinho apalpar os braços dele pra ver como tavam musculosos. E o Bentinho obedece e diz:

“Apalpei-lhe os braços, como se fossem os de Sancha.”

E ele segue pela página seguinte falando sobre um desejo meio incontrolável pela “Sancha”.
Finalmente, a 3ª ‘prova’ de que existia alguma coisa ali é uma foto do Escobar que o Bentinho sempre mantinha sobre a mesa de trabalho dele, na qual se lia a dedicatória:

“Ao meu querido Bentinho o seu querido Escobar”

Bom, na página 187, como o Escobar tinha planejado na véspera, ele foi nadar no Mar em ressaca... Mas não voltou vivo, pois acabou se empolgando e indo nadar mais longe do que tava acostumado.
Na página 190, durante o enterro do caixão do Escobar, o Bentinho começa a lembrar de uma cena que viu há pouco, antes que o caixão fosse fechado: a Capitu olhava pro cadáver de uma forma que, pro Bentinho, parecia diferente. E a partir daí, do nada, ele começa a supor que o Escobar era amante dela.
Vamos lembrar que o único que achou que ela tava olhando de uma forma diferente pro cadáver é o próprio Bentinho. Não aparece nenhum outro personagem nem sequer comentando nada que dê a entender isso. E olhem que tava cheio de gente ali na hora.
O que fica parecendo é que o Bentinho sofreu um abalo psicológico com a morte do Escobar e, talvez por isso, tenha começado a delirar. E a partir daí, começou a embarcar no próprio delírio.
A partir da página 198, o Bentinho deixa claro que começa a acreditar que o Ezequiel é filho da Capitu com o Escobar...
É bom lembrar que, na página 168, o Escobar tinha dito ao Bentinho que gostaria que o Ezequiel se casasse com a Capituzinha no futuro. Isso parece inutilizar a hipótese de que o Ezequiel seria filho do Escobar, pois, se fosse, ele não ia querer que ele se casasse com a Capituzinha: seriam irmãos.
Mas isso não detém os delírios do Bentinho em relação ao adultério que ele tem cada vez mais certeza de que aconteceu...
Na página 208, depois de revelar à Capitu as suspeitas que tinha, o Bentinho decide viajar com ela e o Ezequiel pra Suíça, onde deixa eles e volta sozinho pro Brasil.
A Capitu nunca mais voltou, morrendo e sendo enterrada por lá alguns anos depois. E assim, o Ezequiel, já adolescente, volta pro Brasil, pra ficar com o pai. Mas só 3 páginas do livro descrevem essa nova convivência entre eles.
Quando reencontra o Ezequiel, o Bentinho acha ele quase totalmente igual ao Escobar quando tinha a idade dele. Mas isso é bastante questionável, já que a única pessoa que viu o Escobar adolescente e agora tá vendo o Ezequiel adolescente é o próprio Bentinho: nenhum outro personagem da história confirma essa suposta semelhança entre eles. Então, o que fica parecendo mais é que ele entendeu o que quis entender.
Não muito tempo depois de voltar ao Brasil, o Ezequiel decide fazer uma viagem ao Oriente Próximo, onde morre de febre tifóide, sendo enterrado em Jerusalém, como é descrito na página 216.
As poucas linhas que se seguem a isso mostram que o resto da vida do Bentinho foi triste, lamentando a traição que ele tem certeza que sofreu por parte dos melhores amigos que teve.
Assim, embora muitos estudiosos desse livro acreditem que o adultério da Capitu foi real, parecem existir mais indícios de que foi um delírio do Bentinho somado ao desejo de posse comum da época do marido pela esposa.
É preciso lembrar também que, sendo uma autobiografia fictícia, o livro é narrado do início ao fim em 1ª pessoa. É o próprio Bentinho que conta o que aconteceu. E quando alguém conta a história da própria vida, raramente consegue contar as coisas da forma 100% exata como aconteceram. Afinal, ele tá contando a história da vida dele sob o ponto de vista dele.
Então, como a gente não tem o ponto de vista dos outros personagens nem sabe o que se passava na cabeça desses outros personagens, as únicas informações de que se pode fazer uso sobre o que aconteceu são as narrações do Bentinho.
Também não se pode contar com a memória dele pra ter uma informação segura sobre o que ocorreu, pois o próprio Bentinho, na página 98, ao falar sobre essa questão, declara que a memória dele não é confiável:

“Como eu invejo os que não esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que enfiei ontem.”

Como foi dito no início do post, o livro mostra ele já com 54 anos, apenas se lembrando e contando situações que aconteceram há muitos anos... Será que alguém com uma memória assumidamente tão ruim assim vai contar o que se passou na vida dele há tantos anos atrás exatamente da forma como as coisas aconteceram? Óbvio que não, né?
Quanto à sexualidade do Bentinho, mesmo os que defendem que ele era hétero não podem negar que ele tinha lá os seus traumas relacionados a sexo, até pelo próprio histórico de vida dele: ele teve uma mãe que era uma beata conservadora e que tentou obrigar ele a ser padre (então, obviamente, ele foi 100% virgem pelo menos até entrar no seminário) e que comprovadamente nunca deu nenhum esclarecimento a ele sobre sexo. Isso fica claro numa passagem em que ele descreve a adolescência dele e menciona um beijo que ele deu na Capitu. Esse beijo foi simplesmente um selinho. Mas depois disso, ele começou a repetir pra ele mesmo:

“Sou homem! Sou homem!”

Então, provavelmente até ali ele pensava que dar um selinho era o ponto máximo do sexo, pois ele literalmente se sentiu perdendo a virgindade quando fez isso!
Na verdade, podemos afirmar sem medo de errar que o Bentinho era um ignorante em relação a sexo. Pelo menos até conhecer o Escobar.
Então, se é que ele era hétero, é inegável que era um hétero de sexualidade meio conturbada.

Today we’ll talk a little about one of the most import writings of Brazilian Literature (and some call it THE MOST important): Dom Casmurro, by Machado de Assis.
This book is also seen as its author’s masterpiece.
It was written in 1899 and released in 1900. But the story takes place in the late 1800s in Rio de Janeiro. It’s a fictitious autobiography written by a 54-year-old man. And he tells us some events of his life as a teenager and as a post-adolescent.
Well, if you already have any piece of information about this book and then you hear its title I’m sure one of the 1st things you think about is a very famous question about this story:

“Did Capitu commit adultery against Bentinho or didn’t she?”

You see. For more than 110 years many people who study Brazilian Literature have made this question. And this question is based on a conclusion which the main character came to... But it’s difficult to understand why people are so worried about that!
Actually, it’s not the major theme of the story. Most of the book tells about the protagonist Bentinho fighting against his catholic destiny (the book has 217 pages and this is the major theme from page 1 to page 153). And he starts thinking about Capitu’s possible adultery only in the end of the book (from page 190).
Let’s explain how it started... Bentinho’s mother lost her 1st son just when he was born. She was a bigoted roman catholic and was completely afraid of going to Hell. Then, she decided to make a promise to her god: if she would give birth to another male child she would force him to be a catholic priest. And Bentinho was born a little later. Then...
Actually she herself doesn’t agree with her promise and repents so much of it. But she thinks she can’t give up or it’ll infuriate her god.
Bentinho describes himself as a very submissive teenage boy. Especially when his mother gives him an order. And let’s remember it was in the 1850s. At that time a widowed mother (and that was her case) had an indisputable and lifelong authority over her children in Brazil. Then, even if he was courageous enough to do that, he couldn’t just say he wouldn’t do what she wanted him to.
There’s a moment when he talks to his mother and everything he’s able to do is saying in a very humbly way he wouldn’t like to be a priest. But of course it changes nothing in her mind. Then, the 15-year-old Bentinho is sent to a seminary. He could come home only in the weekends. But he goes ahead with his plans of leaving that catholic life.
About Capitu... She is a 1-year-younger girl who lives at the house on the side of Bentinho’s. And they will get married in the 2nd half of the book.
Anyway, Bentinho starts talking about Capitu as a friend who played with him when they were kids much more than as a future wife. He mentions her in this way even in the last page of the book. And there are many moments when we can understand he saw their marriage just as a way to escape from his catholic life: a married man may not be a catholic priest.
Of course there are also many, many moments when we see he likes her. But his aversion against his life as a priest seems to be much stronger than his love for her.
Some people always remind us Bentinho’s jealous behavior when he talkes about Capitu. But we have to remember a Brazilian male who lived in the 19th century used to see his wife, his fiancée, or even his simple girlfriend almost as a thing which belonged to him. Then, I think his feelings for her are not exactly what we call “jealousy” in the 21st century. Actually it was something like a possession desire.
Well, when Bentinho arrives at the seminary he meets another teenage boy named Ezequiel Escobar. He’s called only Escobar along the book.
This dude really doesn’t intend to be a priest in the future. He is at the seminary just because it gives him better a condition to study.
Well, explicitly the text introduces us Escobar just as Bentinho’s friend. But if you pay attention to many moments of the story you can at least suppose they weren’t only friends. They were lovers.
It’s not a new interpretation of the book. Such theory has existed for many years. And a few years ago Brazilian play-writer Millor Fernandes gave more emphasis to that.
Well, let’s see some parts of the story which show that:
At page 94 Bentinho says:

“I don’t know what my soul was. I wasn’t this surly man yet. This ‘Dom Casmurro’. I’m afraid I was a weak person. The doors of a soul had no keys. They had no locks. You could just open them. Escobar opened them and went in. I found them inside me. He stayed inside me. But once...”

The last sentence ends in this reticent way. Actually it’s the end of the 58th chapter.

At page 107 Bentinho describes a part of his days at the seminary:

“The priests liked me. The boys liked me too. And Escobar liked me more than the priests and the boys did.”

At page 117 Bentinho tells us about Escobar’s 1st visit to his house:

“He had never visited me before. And our contacts weren’t so close yet. But they would be later...”

At the same page he describes Escobar’s face. And we can see he got fascinated:

“Escobar’s eyes were light. They were ‘too sweet’ as José Dias would call them later. It was 40 years ago and I still think they were like that. José Dias didn’t exaggerate when he said that. His shaved face showed a white and light skin. His forehead wasn’t so large. His hair almost touched his left eyebrow. But it was large enough for not damaging his features. And it didn’t make him less beautiful. His face was really interesting. His mouth was light and funny. His hook nose was thin...”

Bentinho’s interest to Escobar seems to have become stronger after that dinner at his house. We see that at page 118. After dinner, Escobar sees it’s already time to go home. And Bentinho goes with him to the bus-stop. That was what happened:

“He went from me with so much love. When he was inside the bus he still gave me good-bye with his hand. I stayed near the door. I was waiting for him to look at me again when he was already farther. But he didn’t.”

At this moment Capitu is in her house at the window. She sees everything and gets surprised with the situation.


Aunque cuando se hable de la novela brasileña Don Casmurro (1900), de Machado de Assis, se piense mucho en el posible adulterio de Capitú, casada con Bentinho, con su amigo Ezequiel Escobar, se puede ver también que el posible adulterio fue de Bentinho: él sería el amante de Escobar.
Ellos se conocen en el medio del siglo XIX, cuando son todavía muchachos, puesto que los 2 son seminaristas (Bentinho fue forzado por su madre a entrar en la iglesia y Escobar está allá solo para estudiar mejor). Y a contar de aí se puede ver algunas partes del libro que nos hacen creer que ellos son amantes...
En la página 144, Bentinho está triste porque no logró a irse al funeral de un vecino. Pero Escobar se va a visitarlo en su casa y así, más feliz, él describe la situación:

“Un amigo substituía así un muerto. Y este amigo, por casi 5 minutos, mantuvo mi mano entre las suyas. Era como si no me hubiera visto por meses y meses.”

En la página 145, Escobar dice que los ojos de la madre de Bentinho son muy bellos. Y los compara a los ojos del propio Bentinho, diciendo:

“Estos ojos que Dios te dio tenían realmente que ser heredados de alguien...”

Hay 3 situaciones específicas vistas en el libro que son pruebas casi innegables de que hay una relación romántica entre Bentinho y Escobar...
La primera es lo que Bentinho nos describe en la página 146. Los 2 están caminando por el huerto de la casa de Bentinho, empiezan a caminar para la parte trasera del huerto y así son las palabras de Bentinho:

“Caminamos para el fondo del patio posterior. Atravesamos el lugar donde las esclavas lavan la ropa. El se quedó allá rápidamente, mirando el lugar y hablando de limpieza. Después, continuamos. No me recuerdo de lo que él dijo. Me recuerdo sólo que fue algo astuto. Yo me reí y él también. Mi alegría despertaba la suya. El Cielo estaba muy azul. El aire estaba muy claro. Creo que la Naturaleza también se reía con nosotros. Así son los buenos momentos de este Mundo. Escobar dijo que hay un acuerdo entre lo que está dentro y lo que está fuera. Me lo dijo con palabras tan delicadas y elevadas que me quedé conmovido. Después, unió la belleza moral y la física, hablando de mi madre y llamándola ‘ángel doble’”.

Bueno, ¿que se puede ver en esta situación?
Ellos se fueron a una parte más lejana del huerto, atravesaron el lugar donde las esclavas lavaban ropas, Escobar se quedó allá por poco tiempo hablando algo de poca monta sólo para ver se había alguien allá y/o para despistar los esclavos que podrían estar allá y ver los 2 alejándose y después los 2 continuaron a seguir.
Bentinho dice claramente que se recuerda de algo “astuto” dicho por Escobar, aunque no se recuerde de lo que fue... Pero si fue una cosa “astuta”, había la intención de lograr a tener algo gracias a eso. Y los 2 se fueron caminando después de eso reíndose de lo que Escobar había improvisado.
Ahora presten atención a esas partes: “Mi alegría despertaba la suya. El Cielo estaba muy azul. El aire estaba muy claro. Creo que la Naturaleza también se reía con nosotros. Así son los buenos momentos de este Mundo.”. ¿No creen que eso es la descripción metafórica de una relación sexual? Bueno, en verdad, lo sería de una relación sexual MUY buena, ¿no?rsrs
En otras palabras, ellos se fueron a una parte aislada del huerto para hacer sexo.
Cuando Escobar habla de la madre de Bentinho, se puede creer que está hablando de la belleza del propio Bentinho. Hay que se recordar que, en la página 145, él dijo claramente que la belleza de Bentinho fue heredada de su madre. Y cuando él llama la madre de Bentinho “ángel doble”, se puede creer que está hablando de un ángel que tiene otro igal a sí (el propio Bentinho).
Ya vamos a ver las otras 2 pruebas de que hablé. Pero antes vamos a ver algunas otras partes del libro que muestran casi la misma cosa.
En la página 148, ellos están junto a la iglesia donde estudian. Escobar está hablando de Matemática con Bentinho. Y le muestra como le es posible hacer cálculos rápidamente... Bentinho se queda tan encantado que abraza Escobar. Pero eso no gusta nada a un sacerdote que los miraba. El se acerca y les dice:

“Ustedes tienen que ser modestos y no pueden tener esos gestos excesivos. Pueden amarse, pero no así.”

Hay sólo 2 explicaciones para eso: este sacerdote era muy radical y conservador; o ya había visto otra cosa entre aquellos chicos antes.
Escobar se queda preocupado con lo que dice el sacerdote, mas Bentinho no le hace caso.
En la página 153, Bentinho logra a convencer su madre a liberarlo de la vida eclesiástica gracias a un plan de Escobar: ella lo forzaba a ser sacerdote porque había prometido a su dios que un hijo hombre suyo lo sería, pero, para hacerlo, bastaba que adoptase un huérfano pobre y lo enviase al seminario, dejando Bentinho libre, puesto que no tenía vocación. Y ella lo acepta.
Poco después que dejan el seminario, ellos se casan: Bentinho con Capitú y Escobar con una amiga de Capitú, llamada Sancha.
Es necesario recordar que, en aquella época, casar y tener hijos no era propiamente una elección, pero sí una exigencia de la sociedad. Nadie casaba y ponía niños en el Mundo porque quería hacerlo, mas sí porque el hecho de no hacerlo no era ní siquiera discutido. Llegar a los 25 años de edad soltero era raro.
En la página 160, Bentinho reclama porque Capitú todavía no se quedó embarazada. Y dice a Escobar:

“Un niño, un hijo es el complemento natural de la vida.”

Bueno, Bentinho y Capitú tienen un hijo y Escobar y Sancha tienen una hija. Y como homenaje recíproco, dan a los niños los nombres de Ezequiel y Capituzinha.
Hasta mismo después de los casamientos, el libro continúa a insistir en que la relación de Bentinho y Escobar se queda cada vez más íntima. Lo vemos, por ejemplo, en la página 166, cuando Bentinho dice:

“Escobar se quedó más dentro de mi corazón. Nuestras visitas se quedaban más próximas y nuestras charlas más íntimas.”

Cuando se casan, Bentinho se va a vivir con Capitú en Glória y Escobar se va a vivir con Sancha en Andaraí. Pero, poco después, Escobar se va a vivir con su familia en una casa de Flamengo... Si no conoces Rio de Janeiro, te digo que Glória y Flamengo son barrios casi vecinos en esa ciudad, mientras que Andaraí es un barrio un poco más lejos, en otra parte de la ciudad.
En la página 181, ya es dicho que Escobar se morirá poco después de irse a vivir en Flamengo. Pero así Bentinho habla de sus últimos días junto a él:

“Cuando él estaba vivo, puesto que vivíamos en casas muy próximas, se puede decir que teníamos una sola casa. Yo estaba siempre en su casa y él estaba siempre en la mía. Y la playa que se queda entre Glória y Flamengo era como un camino que sólo nosotros utilizábamos.”

Ahora vamos a ver la segunda prueba principal de sus relaciones.
En la página 184, cuando está visitando Escobar, Bentinho habla de la situación como si sentiese un deseo sexual por Sancha. Pero cuando se hace más atención a lo que él dice, es posible ver que su deseo es por Escobar.
Hay un momento que Escobar mira el Mar en la Playa de Flamengo y ve que se quedará muy agitado en el otro día. Así, aunque Bentinho se admire de eso, Escobar le dice que nadará allá (y esta será la causa de su muerte). Y dice que no hay peligro, puesto que es un hombre muy fuerte. Así, pide que Bentinho toque sus brazos para ver como están musculosos. Y Bentinho lo hace y dice:

“Yo toqué sus brazos, como si fueran los de Sancha.”

Y continúa por esta y por la otra página hablando de su gran deseo por “Sancha”.
Y la tercera prueba de que existía alguna cosa más que amistad entre ellos era una foto de Escobar que Bentinho mantenía siempre sobre su mesa de trabajo. La dedicatoria de la foto dice:

“A mi amado Bentinho, tu amado Escobar.”


Nonostante il romanzo brasiliano Don Casmurro, di Machado de Assis, sia basato sul possibile adulterio di Capitu, la moglie di Bentinho, con il suo amico Escobar, si può capire che Bentinho era il vero amante di Escobar.
Loro si vedono per la prima volta quando sono ancora ragazzi e sono in un seminario cattolico.
Nella pagina 125, loro hanno un dialogo un po’ dubbio... Bentinho dice:

“Escobar, tu sei un amico mio. Anch’io sono un amico tuo. Qui, tu sei la persona che è più entrata nel mio cuore. E nel Mondo non ho propriamente amici. Soltanto la gente della mia famiglia.”

Va bene. Si può capire che questo è solo un ragazzo senza amici che vuole sfogarsi. Veramente, sua madre l’ha fatto eccessivamente legato a lei e senza molta intimità con altre persone... Ma lui non era un ragazzo 100% senza amici. Capitu e i suoi genitori, che abitavano la casa vicina alla sua, erano amici suoi. Molte parti del libro dicono chiaramente che lui conviveva sempre con loro.
E Escobar risponde:

“Se ti dico la stessa cosa, è stupido. Sarebbe una ripetizione. Ma veramente non ho relazioni con nessuno qui. Tu sei il primo e credo che già lo sanno. Ma io non do importanza a questo.”

Quello che lui dice nella sua ultima frase è un po’ strano se si sta parlando SOLTANTO di amicizia, vero? Se lui dice che non da importanza a qualcosa che qualcuno già lo sa, questo significa che molte delle persone che sono intorno a lui sono contro quello di cui sta parlando (non dimenticare che loro sono fra sacerdoti cattolici), ma che lui continuerà a farlo. O si può capire un’altra cosa? E i sacerdoti che sono intorno a loro sarebbero contro una relazione SOLO di amicizia?
Ci sono molte altre parti del libro che mostrano situazioni come questa fra Escobar e Bentinho.
Quando lasciano il seminario, Bentinho sposa Capitu. E dopo, loro hanno un figlio, chiamato Ezequiel.
Nella pagina 187, Escobar va alla spiaggia. Gli piaceva nuotare nel Mare in risacca... Ma questa volta non riesce più a tornare. La corrente di ritorno l’uccide.
Nella pagina 190, mentre si sotterra la bara di Escobar, Bentinho si ricorda di quello che ha visto pochi minuti fa: quando la bara era ancora aperta, Capitu guardava il defunto, secondo Bentinho, diversamente. E da quel momento, senza giustificazione, lui comincia a credere che Escobar e Capitu erano amanti.
C’è bisogno di ricordare che l’unico che ha creduto che lei guardava il defunto diversamente è Bentinho. Non si vede altri personaggi parlando niente così. E c’erano tantissime altre persone intorno alla bara.
Penso io che Bentinho è traumatizzato per la morte di Escobar e, forse per questo, ha cominciato a delirare. E dopo questo, ha cominciato a credere ai suoi stessi deliri.
Dalla pagina 198, Bentinho comincia a credere che Ezequiel è figlio di Capitu e Escobar...
Bene, nella pagina 168, Escobar ha detto a Bentinho che gli piacerebbe vedere la figlia che aveva avuto con sua moglie sposando Ezequiel nel futuro. E questo invalida la possibilità di Ezequiel essere un figlio suo. Se lo fosse, Escobar non vorrebbe che lui sposasse sua figlia: sarebbero fratello e sorella.
Ma questo non ferma la paranoia de Bentinho. Lui continua a credere sempre più che Escobar e Capitu erano amanti...
Nella pagina 208, dopo aver detto a Capitu quello che (credeva che) sapeva, Bentinho la porta nella Svizzera con Ezequiel. E torna nel Brasile da solo.
Capitu non sarebbe mai tornata in Brasile: è morta nella Svizzera alcuni anni dopo. Così, Ezequiel, adesso un ragazzo, è tornato ad abitare con suo padre. Ma ci sono solo 3 pagine che ci raccontano la nuova relazione fra loro.
Quando ritrova Ezequiel, Bentinho lo vede come quasi totalmente uguale a Escobar quando aveva la sua stessa età. Ma questo è molto contestabile, visto che l’unica persona che aveva visto Escobar ragazzo e adesso vede Ezequiel ragazzo è lui. Così, non c’è altro personaggio che possa confermare questa possibile somiglianza. In realtà, si crede che Bentinho ha capito quello che voleva capire.
Poco tempo dopo, Ezequiel decide che lascerà Brasile e farà un viaggio turistico nel Vicino Oriente. Ma il tifo l’uccide a Gerusalemme.
L’ultima pagina del libro viene dopo questa. E ci mostra che il resto della vita di Bentinho è stata triste. Lui soltanto si lamenta con quello che è sicuro che i suoi migliori amici hanno fatto contro lui.
Molti ricercatori di questo libro credono totalmente che l’adulterio di Capitu è stato reale. Ma gli indizi principali mostrano che Bentinho è diventato momentaneamente impazzito dopo la morte de Escobar e ha creduto alle cose che lui stesso immaginava.
Non dimenticare che Don Casmurro è un’autobiografia fittizia: Bentinho “l’ha scritta” quando aveva 54 anni ed è lui che ci racconta tutta la storia. E quando qualcuno racconta la storia della sua vita, raramente riesce a raccontare le cose esattamente come sono successe. Non dimenticare che sta raccontando le cose che sono successe nella sua vita sotto il suo punto di vista.
Così, non si sa qual’era il punto di vista degli altri personaggi e non si sa quello che questi personaggi pensavano specificamente del possibile adulterio di Capitu. Le uniche informazioni che abbiamo di quello che è successo sono i racconti di Bentinho.
Un altro problema è che la memoria di questo personaggio è veramente debole. Così, è certo che le informazioni che lui ci da non sono 100% sicure. Lui stesso dice nella pagina 98 che la sua memoria non è degna di fiducia:

“Quanto io invidio quei che non hanno scordato il colore dei primi pantaloni che hanno avuto! Io non mi ricordo nemmeno del colore di quei che ho portato ieri.”

Comunque sia, come già lo sapete, il nostro narratore qui ha 54 anni e sta si ricordando e ci raccontando delle cose che sono successe molti anni fa (e alcune di queste cose sono successe quando lui era un adolescente)... Qualcuno con una memoria così debole ci racconterà quello che è successo nella sua vita tanti anni fa propriamente come queste cose sono successe? Evidentemente no, vero?
Parlando della sessualità di Bentinho, molti dicono che lui era etero. Ma anche così, non si può negare che lui aveva qualche tipo di trauma psicologico sessuale, anche dovuto alla vita che ha avuto: sua madre era una cattolica conservatrice che voleva forzarlo a ordinarsi prete (così, evidentemente, lui è arrivato totalmente vergine almeno alla sua post-adolescenza) e comprovatamente lei non ha mai parlato niente di sesso con lui. Si può vederelo quando Bentinho ci parla del suo primo bacio con Capitu, quando aveva 15 anni. A dire il vero, è stato soltanto un bacetto. Ma dopo questo, lui ha cominciato a ripetere:

“Sono uomo! Sono uomo!”

Così, è certo che lui credeva che un bacetto era il punto massimo del sesso. Si vede che credeva che aveva perso la sua virginità allora!
Si può dire, senza paura di sbagliare, che Bentinho era un ignorante totale di sesso. Forse Escobar gli ha insegnato le prime cose di questo tema.
Così, anche se Bentinho era un eterosessuale, la sua eterosessualità era veramente problematica.


Até mais!

6 comentários:

Fábrica de Música disse...

Eu li esse livro faz muito tempo, não me lembro se foi no segundo grau ou no ginásio. Mas na época eu li por questões escolares, nem me lembrava da história exatamente. Fora que esse vocabulário complicado e diferente que eles usavam na época, fez com que eu não compreendesse metade da história. Mas esse detalhamento do livro que vc colocou aqui me deu até vontade de ler de novo...

Leo Carioca disse...

É. Eu também li a 1ª vez quando tava na faculdade. Fazia parte da matéria de Literatura Brasileira.
Depois, li mais 2 vezes. Aí que eu fui observando certas passagens que são insinuações de homossexualidade do Bentinho.
Tem certas palavras que são meio difíceis de entender mesmo, porque isso foi escrito no Português de mais de 100 anos atrás. Mas a maior parte da pra entender. Principalmente se você lê mais de uma vez.

Marcos disse...

Léo,sentimento homoafetivo puro...rsrs. Claro tudo descrito e feito numa época que se insinuava de leve, cheio de não me toques...rsrsr... provocando até um duplo sentido em quem lê mais despercebido...rsrsr

Leo Carioca disse...

Bom, eu acho que se não rolava nada ali era só porque o Bentinho devia ficar sem saber o que fazer, né? Já que ele desconhecia TANTO o assunto ´sexo`...rsrsrs
Mas como dá pra ver, tem várias insinuações de um romance entre o Bentinho e o Escobar. Mas desde a 1ª vez em que eu li o livro, comecei a perceber que tinha algo... ´exagerado` na aproximação deles, no caso de se tratar de uma relação só de amizade.

Marcos disse...

É o sexto sentido gay, Léo, que nós desenvolvemos. Percebemos de longe que ali tem "algo" a mais...rsrsrsr. Abraço!

Leo Carioca disse...

Na maioria das vezes, com certeza percebemos.rs
Abraço também!