Oi!!!
Amanhã, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia.
Pra homenagear a data, vou deixar aqui um poema de autoria do poeta pernambucano Antonino Sales: Malinculia.
Vamos ler o poema e depois eu explico por quê escolhi esse:
Malinculia, patrão,
É um suspiro maguado
Qui nace no coração!
É o grito safucado
Duma sodade iscundida
Qui nos fala do passado
Sem se torná cunhicida!
É aquilo qui se sente
Sem se pudê ispricá!
Qui fala dentro da gente
Mas qui não diz onde istá!
Malinculia é tristeza
Misturada cum paxão,
Vibrando na furtaleza
Das corda do coração!
Malinculia é qui nem
Um caminho bem diserto
Onde não passa ninguém...
Mas nem purisso, bem perto,
Uma voz misteriosa
Relata munto baxinho
Umas história sodosa,
Cheias de amô e carinho!
Seu moço, malinculia
É a luz isbranquiçada
Dos ano qui se passô...
É ternura... é aligria...
É uma frô prefumada
Mudando sempre de cô!
Às vez ela vem na prece
Qui a gente reza sozinho.
Otras vez ela aparece
No canto dum passarinho,
Numa lembrança apagada,
No rumance dum amô,
Numa coisa já passada,
Num sonho qui se afindô!
A tá da malinculia
Não tem casa onde morá...
Ela veve noite e dia
Os coração a rondá!
Não tem corpo, não tem arma,
Não é home nem muié...
E ninguém lhe bate parma
Pru casu de sê quem é!
Ela se isconde num bejo
Qui foi dado há muntos ano...
Malinculia é desejo,
É cinza de disingano,
Malinculia é amô
Pulo tempo sipurtado,
Malinculia é a dô
Qui o home sofre calado
Quando lhe vem à lembrança
Passages da sua vida...
Juras de amô... isperança...
Na mucidade culhida!
É tudo o que pode havê
Guardado num coração!
É uma histora que se lê
Sem forma de ispricação!
Pruquê inda vai nacê
O home, ou mermo a muié,
Capacitado a dizê
Malinculia o qui é!!!
Provavelmente, a 1ª coisa que vocês perceberam nesse poema é que ele não foi escrito seguindo as regras gramaticais tradicionais do Português. Pelo menos metade das palavras desse texto foram escritas nas formas mais populares que elas têm na fala do brasileiro.
Mas antes que alguém diga que nesse texto as palavras foram escritas “erradas”, vamos lembrar que elas não foram escritas erradas. Como eu acabei de explicar acima, elas foram escritas nas suas formas populares, geralmente usadas pelas classes mais pobres da sociedade brasileira (e por isso mesmo mal vistas pela maioria das pessoas).
Bom, escolhi esse poema não só pra homenagear o Dia Mundial da Poesia, mas também pra gente lembrar as variedades linguísticas que o Português tem no Brasil.
Eu fiz posts sobre várias delas em 2009. Pra quem não viu, lá vão os links sobre cada uma dessas variedades:
Assimilação:
Eliminação do plural redundante:
Monotongação:
Rotacismo:
E só lembrando: eu já fiz um post bem parecido com esse aqui em Janeiro de 2010, usando a letra da música Cuitelinho. Não viu? Lá vai o link:
Happy World Poetry Day!
¡Feliz Día Mundial de la Poesía!
Felice Giornata Mondiale della Poesia!
Até mais!
Amanhã, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia.
Pra homenagear a data, vou deixar aqui um poema de autoria do poeta pernambucano Antonino Sales: Malinculia.
Vamos ler o poema e depois eu explico por quê escolhi esse:
Malinculia, patrão,
É um suspiro maguado
Qui nace no coração!
É o grito safucado
Duma sodade iscundida
Qui nos fala do passado
Sem se torná cunhicida!
É aquilo qui se sente
Sem se pudê ispricá!
Qui fala dentro da gente
Mas qui não diz onde istá!
Malinculia é tristeza
Misturada cum paxão,
Vibrando na furtaleza
Das corda do coração!
Malinculia é qui nem
Um caminho bem diserto
Onde não passa ninguém...
Mas nem purisso, bem perto,
Uma voz misteriosa
Relata munto baxinho
Umas história sodosa,
Cheias de amô e carinho!
Seu moço, malinculia
É a luz isbranquiçada
Dos ano qui se passô...
É ternura... é aligria...
É uma frô prefumada
Mudando sempre de cô!
Às vez ela vem na prece
Qui a gente reza sozinho.
Otras vez ela aparece
No canto dum passarinho,
Numa lembrança apagada,
No rumance dum amô,
Numa coisa já passada,
Num sonho qui se afindô!
A tá da malinculia
Não tem casa onde morá...
Ela veve noite e dia
Os coração a rondá!
Não tem corpo, não tem arma,
Não é home nem muié...
E ninguém lhe bate parma
Pru casu de sê quem é!
Ela se isconde num bejo
Qui foi dado há muntos ano...
Malinculia é desejo,
É cinza de disingano,
Malinculia é amô
Pulo tempo sipurtado,
Malinculia é a dô
Qui o home sofre calado
Quando lhe vem à lembrança
Passages da sua vida...
Juras de amô... isperança...
Na mucidade culhida!
É tudo o que pode havê
Guardado num coração!
É uma histora que se lê
Sem forma de ispricação!
Pruquê inda vai nacê
O home, ou mermo a muié,
Capacitado a dizê
Malinculia o qui é!!!
Provavelmente, a 1ª coisa que vocês perceberam nesse poema é que ele não foi escrito seguindo as regras gramaticais tradicionais do Português. Pelo menos metade das palavras desse texto foram escritas nas formas mais populares que elas têm na fala do brasileiro.
Mas antes que alguém diga que nesse texto as palavras foram escritas “erradas”, vamos lembrar que elas não foram escritas erradas. Como eu acabei de explicar acima, elas foram escritas nas suas formas populares, geralmente usadas pelas classes mais pobres da sociedade brasileira (e por isso mesmo mal vistas pela maioria das pessoas).
Bom, escolhi esse poema não só pra homenagear o Dia Mundial da Poesia, mas também pra gente lembrar as variedades linguísticas que o Português tem no Brasil.
Eu fiz posts sobre várias delas em 2009. Pra quem não viu, lá vão os links sobre cada uma dessas variedades:
Assimilação:
http://centrogb.blogspot.com.br/2009/11/assimilacao.html
Eliminação do plural redundante:
http://centrogb.blogspot.com.br/2009/05/eliminacao-do-plural-redundante.html
Monotongação:
http://centrogb.blogspot.com.br/2009/06/monotongacao.html
Rotacismo:
http://centrogb.blogspot.com.br/2009/02/rotacismo.html
E só lembrando: eu já fiz um post bem parecido com esse aqui em Janeiro de 2010, usando a letra da música Cuitelinho. Não viu? Lá vai o link:
http://centrogb.blogspot.com.br/2010/01/cuitelinho.html
Happy World Poetry Day!
¡Feliz Día Mundial de la Poesía!
Felice Giornata Mondiale della Poesia!
Até mais!
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