segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SOU MAIS “MACHO” QUE MUITO HÉTERO

Oi!!!

Hoje eu ia falar sobre outra coisa, mas me ocorreu aqui uma ideia melhor...
Na verdade, eu já tinha mencionado isso há um tempinho atrás num site que eu frequentava. E hoje, vendo algumas situações, esse assunto se avivou na minha mente.
Vou mandar o texto só em Português porque, embora a gente veja situações parecidas com o que eu vou dizer aqui em outros países, esse texto tem que ser lido do início ao fim pra ser entendido. E se eu dividisse em 3 partes e traduzisse cada parte numa língua, como costumo fazer, os visitantes de outros países não entenderiam direito o que eu quis dizer.
Bom, vocês sabem que muita gente acha que, só porque um homem é gay, ele tem a obrigação de ser mais sensível, tem a obrigação de ter uma visão mais emocional do Mundo e, talvez o mais preconceituoso de tudo, tem a obrigação de pensar da mesma forma que uma mulher pensa.
Ao mesmo tempo, eu vejo muitos homens héteros soltando o famoso bordão “EU SOU É MACHO!!!” quando percebem que se enquadram no oposto disso.
Bom, no entender deles, o que eles chamam de “ser macho” pode ser traduzido como “não fazer o que uma mulher faria naquela situação”. Ou seja: ser sentimental, ser subjetiva, supervalorizar detalhes, chorar à toa... Enfim, as frescuras que são tradicionalmente atribuídas ao comportamento feminino (embora, evidentemente, muitas mulheres passem longe de ter essas frescuras). Ir na contra-mão dessas frescuras é “ser macho”.
Mas aí é que tá a questão: se ISSO é “ser macho”, então eu conheço uma multidão de gays que são “machos”. A maioria dos gays, na verdade, são “machos”.
Os gays que “pensam como mulheres”, que é o que muitos héteros ignorantes pensam que são a maioria entre nós, na verdade são uma minoriazinha. Talvez eles estejam até mais pra transexuais do que pra gays.
E eu posso afirmar que eu sou muito mais “macho” do que muito hétero comedor de mulher que tem por aí. Porque eu não sou sensível (em várias ocasiões, inclusive, já fui chamado de “grosso” só porque não supervalorizei algum detalhe insignificante que tinha acontecido ali), não choro à toa e trato a maioria das situações de forma racional.
Mas eu sou homem e gosto (sexualmente) de homens. Então, sou gay. E sou um dos vários indivíduos que provam que, pra ser gay, não é preciso ser um retardado sentimentalóide.
Não é à toa que, quando um hétero que não está acostumado a conviver com gays começa a conviver mais de perto com a gente, ele solta aquelas exclamações que, pra nós, parecem ridículas:

“Mas vocês nem parecem gays!!!”

“Ninguém diz que vocês são gays!!!”

“Duvido que você seja gay de verdade, porque você se veste que nem homem e fala que nem homem!!!”

Pois é. São comentários ridículos mesmo. Mas pra eles, que têm aquela ideia pré-estabelecida de que os gays são uma imitação escandalosa, vulgar e sentimentalóide das mulheres, é mesmo um certo choque ver que a maioria de nós não são assim.
Ao mesmo tempo, os homens héteros que se emocionam com detalhes, que choram à toa e que ficam cantando louvores às mulheres em prosa e verso porque (assim se diz) elas são mais sensíveis, esses, desde a infância, são confundidos com gays. E não são. Se eles não sentem atração sexual por homens, eles não são gays.
Então, eu já disse e posso repetir: sou mais “macho” do que todos os héteros desse tipo.
Ler isso deve chocar muitos héteros que não estão acostumados a conviver com a gente, né? Mas, antes de mais nada, ler isso deve ser uma facada no estômago de muitos conservadores, que tentam manter na mente das pessoas a imagem de que nós somos mais fracos do que os héteros em termos de personalidade... E consequentemente, inferiores a eles.
Levem em conta principalmente essa última parte do texto quando alguém disser a vocês que os gays têm a obrigação de ser mais sensíveis, que os gays têm a obrigação de ter a mesma sensibilidade que uma mulher ou qualquer outra frase parecida com essas.
Fica aí algo pra refletir.

Até mais!

4 comentários:

Fred disse...

E vai dizer que não é um prazer, uma satisfaçao a gente ver a cara de tacho que as pessoas ficam quando alguém ousa sair do caricato... hehehe! Eu adoro! Hugz, man!

Leo Carioca disse...

Sim. Até aí é até legal. Você fica até com uma sensação de que deu uma lição de moral em quem tinha uma imagem estereotipada de você, né?
O problema é que, quando associam a gente ao ´´mais frágil``, na verdade o que tão querendo dizer é que a gente é inferior.

Anônimo disse...

É a minoria fazendo a fama da maioria. Sempre foi assim. Nem todo negro gosta de black music ou pagode e nem todo brasileiro curte futebol e feijoada. Assim como nem todo gay é afeminado, sensível e sai agarrando qualquer homem que vê pela frente.

Leo Carioca disse...

Exatamente. Nem tenho mais nada a acrescentar depois do que você disse.