Oi!!!
Bom, o post de utilidade pública que eu vou linkar aqui esse mês é um pouquinho diferente...
A gente sabe que o público que mais tem procurado por serviços turísticos (ou no mínimo um dos públicos principais dos serviços turísticos) é o público GLBT. Então, acho que muita gente que tá lendo esse texto tá à procura de mais informações sobre serviços assim pra já ir programando próximas férias, né?rs
E no mês passado, eu assisti uma palestra do Professor Maurício Werner, que é bacharel em Turismo, e que achei muito interessante tudo o que ele disse.
Assim, como eventualmente ele dá palestras por aí, nas quais talvez vocês possam conseguir mais informações sobre questões de turismo em geral, achei interessante linkar o site dele aqui. Então, lá vai:
Bom, hoje a gente vai falar aqui sobre um assunto muito polêmico em todas as sociedades: a poligamia.
Em mais de 90% de todas as culturas do Mundo, o que se ensina é que um casamento, ou qualquer situação que se aproxime de um casamento, deve ser entre 2 pessoas. Mais do que 2 pessoas, pelo menos oficialmente, não é aceito na quase totalidade das culturas.
É claro que, extra-oficialmente, tem gente em todas as partes do Mundo que mantém mais de 1 relacionamento fixo ao mesmo. Mas legalmente e religiosamente, isso não costuma ser aceito e nem sequer bem visto. E mesmo quando é aceito, não costuma dar certo.
O Calundu, que era praticado na África entre os povos iorubás, permitia esse tipo de casamento. Mas quando esses povos foram presos pelos portugueses e trazidos pro Brasil como escravos, se percebe que esse costume já tava em decadência.
No Brasil, o Calundu se transformou no que hoje é o Candomblé. E os mitos do Candomblé que são seguidos até hoje pelos membros da religião sempre mencionam a poligamia como um hábito do passado e que, mesmo no passado, nunca dava certo. Ou seja, como um anti-exemplo pros dias atuais.
Os mitos mais famosos sobre esse assunto certamente são os que mencionam os casamentos de Xangô. Ele é um deus masculino casado ao mesmo tempo com 3 deusas femininas: Iansã, Oxum e Obá.
Os desentendimentos entre essas deusas, principalmente entre Oxum e Obá, são sempre mostrados como constantes pelos mitos e pelas próprias cerimônias religiosas. E muitas vezes, têm resultados muito ruins.
Assim, como o Candomblé mostra a poligamia como algo que realmente não dá certo e não deve ser posto em prática na atualidade, esse costume não se manteve no Brasil entre os praticantes dessa religião.
A religião mais conhecida que aceita a poligamia é o Islamismo: cada homem muçulmano pode ter 4 esposas.
As explicações pra aceitação desse tipo de casamento no Islamismo variam de um xeique muçulmano pro outro.
Alguns dizem que isso é simplesmente uma manutenção da tradição judaica, na qual o Islamismo foi inspirado, pois, nos primeiros milênios do Judaísmo, era permitido que cada homem tivesse várias esposas (o Rei Salomão, por exemplo, chegou a ter mais de 700 esposas). E só na Idade Média, sob a influência do Cristianismo, é que esse costume foi proibido entre os judeus: a monogamia passou a ser imposta no Judaísmo.
Outros xeiques dizem que, como as guerras sempre foram muito frequentes entre os muçulmanos (bom, essa parte, pelo menos, é bem óbvia e evidente até hoje, já que os muçulmanos são o grupo religioso que mais se envolve em guerras), a taxa de óbito masculina sempre foi muito alta. E consequentemente, a quantidade de mulheres muçulmanas sempre foi muito maior que a quantidade de homens muçulmanos. Então, pra equilibrar essa diferença de quantidade, se permite que 1 homem muçulmano seja casado com 4 mulheres ao mesmo tempo.
Outros xeiques dizem que 1 homem ser casado com 4 mulheres ao mesmo tempo é uma forma de evitar que muitas mulheres fiquem sozinhas e sem filhos e tenham que trabalhar pra se sustentar (é bom lembrar que a imagem da mulher que é solteira e sem filhos por vontade própria e que trabalha pra se sustentar por vontade própria é sempre repudiada pelo Islamismo, que sempre tenta fazer parecer que essa é uma mulher infeliz).
Outros xeiques dizem que cada homem muçulmano deve se casar mais de 1 vez porque, se o homem sentir tesão e a esposa dele tiver impossibilitada de transar (tem determinados períodos, como o pós-parto e o período menstrual, em que o Islamismo proíbe a mulher de transar), ele tem outra pra satisfazer ele... É engraçado que, depois de dar uma explicação assim, os muçulmanos ainda dizem que não veem a mulher como um objeto sexual! Ah, tá. Agora conta a do papagaio.
Outros xeiques dizem que o homem muçulmano deve se casar mais de 1 vez pra evitar que ele tenha relações extra-conjugais... Bom, de acordo com essa explicação, isso é simplesmente uma legalização da promiscuidade: o homem pode satisfazer os desejos sexuais dele até com 4 mulheres ao mesmo tempo, desde ele seja casado legalmente com as 4.
Tem os xeiques que partem pra demagogia e dizem que a poligamia na verdade é uma forma de proteger as mulheres, pois, se o homem não gostar mais da 1ª esposa, pode se casar com outra sem “desamparar” a 1ª, já que continua casado com a 1ª. E ele ainda pode realizar esse mesmo procedimento por mais 2 vezes, pois pode ser casado com 4 esposas ao mesmo tempo... Bom, essa explicação só procede pra mulheres que são 100% dependentes do casamento. Explicar isso numa situação que não envolve mulheres dependentes a esse ponto é demagogia pura mesmo.
E tem os xeiques mais radicais, que dizem que o homem deve se casar com 4 mulheres como uma forma de fazer apologia do casamento oficial e de denegrir as formas não-legalizadas de casamento, que são sempre vistas pelos muçulmanos como abomináveis, pecaminosas e dignas de castigo (geralmente, de castigo físico).
Mas enfim: tem gente que pergunta por quê, nas sociedades que aceitam a poligamia, ela é sempre masculina. E realmente, a gente vê que, nessas sociedades, é permitido que o homem seja casado com várias mulheres ao mesmo tempo, mas não que a mulher seja casada com vários homens ao mesmo tempo.
Bom, isso se deve à questão da gravidez: há milênios atrás (claro que hoje, com os testes de DNA, a história seria outra), se uma mulher fosse casada com mais de 1 homem ao mesmo tempo, como é que iam fazer pra saber qual marido era o pai da criança se ela ficasse grávida? Então, por causa disso, essas sociedades fixaram a poligamia como um direito só masculino.
De qualquer forma, eu não acho que isso seja uma coisa que dê certo. Como eu disse, a gente sempre conhece pessoas que, extra-oficialmente, tem mais de 1 relacionamento fixo. E a gente vê bem que isso nunca dá muito certo pra nenhuma das 3 partes.
Se a pessoa é tãããããããããão sexualmente insaciável assim e sente taaaaaaaaaanta necessidade assim de ter mais de 1 parceiro sexual, ela que dê suas trepadinhas sem compromisso por aí, né? Só tome os devidos cuidados quando fizer isso. Mas não se fixe em mais de 1 pessoa ao mesmo tempo, porque aí não vai acabar bem.
Além disso, prum homem da atual sociedade brasileira, qual seria a vantagem em ter, por exemplo, 4 esposas ao mesmo tempo?
Tem 2 posts que eu fiz no Super CECG&B em que eu descrevi o básico da forma como a mulher brasileira urbana atual se posiciona em relação ao marido. Vejam:
Viram? Pois é. Se um homem da atual sociedade brasileira for casado com 4 mulheres ao mesmo tempo, ele vai ter que conviver com isso multiplicado por 4!
Today we’ll talk about a very controversial issue in all societies: polygamy.
In more than 90% of all cultures in the World, what is taught is that a marriage (or any kind of marriage-like relationship) must be between 2 people only. More than 2 people (at least in official situations) is not accepted in almost all cultures.
Of course, unofficially, there are people in every part of the World who are married to more than 1 person at the same time. But legally and religiously, this is usually not accepted. And even when it’s accepted, it works in a fine way only in very rare cases.
Let’s see a religion that allowed a man to have more than 1 wife at the same time...
Calundu was the religion practiced in Occidental Africa among the Yoruba people. And it allowed this kind of marriage in the past. But when these people were captured by the Portuguese and brought to Brazil as slaves, we can see that this custom was already in decline.
In Brazil, Calundu turned into what nowadays is Candomble. And the myths of Candomble that are followed even nowadays by the members of this religion always mention polygamy as a habit of a distant past. And they also mention that even at that time it rarely worked well. That is, polygamy is seen in Candomble as an anti-example to the current days.
The most famous myths about this subject are certainly those which mention the marriages of Shango. He is a male god who is married at the same time to 3 female goddesses: Iansan, Oshun and Oba.
The disagreements among these goddesses, especially between Oshun and Oba, are always shown as a constant by the myths and even by the religious ceremonies. And they often have very bad results.
Thus, as polygamy is shown in Candomble as something that really doesn’t work and shouldn’t be put into practice nowadays, this custom was not maintained in Brazil among the members of this religion.
La religione più conosciuta che accetta la poligamia è l’Islam: ogni uomo musulmano può avere 4 mogli.
Gli sceicchi musulmani danno spiegazioni diverse per l’accettazione di questo tipo di matrimonio nell’Islam.
Alcuni dicono che è semplicemente una manutenzione della tradizione ebraica, visto che, nei primi milleni del Giudaismo, era consentito ad ogni uomo avere diverse mogli allo stesso tempo (Re Salomone, per esempio, aveva più di 700 mogli). E soltanto nel Medio Evo, sotto l’influenza del Cristianesimo, questa tradizione è diventata proibita tra gli ebrei: la monogamia è diventata obbligatoria nel Giudaismo.
Altri sceicchi dicono che, visto che le guerre sono sempre state molto comuni tra i musulmani (bene, questa parte almeno è veramente ovvia: i musulmani sono il gruppo religioso che più si occupa di guerre), il tasso di mortalità maschile è sempre stato troppo alto fra loro. E per questo, il numero delle donne musulmane è sempre stato molto più elevato rispetto al numero di uomini musulmani. E così, per risolvere questa differenza di quantità, è consentito a ogni uomo musulmano avere 4 mogli allo stesso tempo.
Altri sceicchi dicono che 1 uomo avere 4 mogli allo stesso tempo è un modo per impedire che molte donne restino nubili e senza figli e per evitare che loro abbiano bisogno di lavorare per mantenere sé stesse (è importante ricordare che l’immagine della donna che è nubile e senza figli perché lo vuole e che lavora per mantenere sé stessa perché lo vuole è sempre ripudiata dall’Islam, che sempre cercare di far sembrare che questa è una donna infelice).
Altri sceicchi dicono che ogni uomo musulmano ha bisogno di avere più di 1 moglie allo stesso tempo perché, se l’uomo vuole fare sesso e la moglie non può farlo (ci sono certi periodi, come il post-partum e i giorni di mestruazione, in cui l’Islam proibisce le donne di fare sesso), lui ha un’altra donna per soddisfare la sua libidine... È divertente che, dopo aver dato una spiegazione così, i musulmani ancora dicono che non vedono le donne come oggetti sessuali!
E altri sceicchi dicono che l’uomo musulmano ha bisogno di sposarsi più di 1 volta per impedire che lui abbia relazioni extraconiugali... Bene, secondo questa spiegazione, questo è semplicemente una legalizzazione della promiscuità: l’uomo può soddisfare i suoi istinti lussuriosi con 4 donne allo stesso tempo, poiché lui è legalmente sposato con le 4.
Por lo que dicen algunos jeques musulmanes, la poligamia es una forma de proteger a las mujeres, pues que si al hombre no le gusta más su primera esposa, puede casarse con otra sin “perjudicar” la primera, porque es todavía casado con ella. Y todavía puede hacerlo 2 veces más, ya que puede estar casado con 4 esposas al mismo tiempo... Bueno, esta explicación sólo hace sentido cuando se habla de mujeres que son 100% dependientes del matrimonio. Pero decir lo mismo en una situación que no tiene mujeres que son tan dependientes a este punto es pura demagogia.
Hay los jeques más radicales que dicen que el hombre tiene que casarse con 4 mujeres como una manera de hacer apología de la boda oficial y de denigrar las formas de matrimonio no legalizado, que son siempre vistas por los musulmanes como abominables, llenas de pecado y dignas de castigo (generalmente, de castigo corporal).
Como sea, hay gente que pregunta por qué, en las sociedades que permiten la poligamia, ella es siempre sólo masculina. Se permite que 1 hombre sea casado con varias mujeres al mismo tiempo, pero no que 1 mujer sea casada con varios hombres al mismo tiempo.
Bueno, esto se debe a la cuestión del embarazo: en los últimos milenios (por supuesto, hoy en día, con el DNA, es otra historia), si una mujer se quedara casada con más de 1 hombre al mismo tiempo, ¿cómo se haría para saber cual de sus esposos era el padre de su niño si ella se quedara embarazada? Así, por eso, estas sociedades han creado la poligamia como un derecho solamente de los varones.
De todos modos, no creo que eso es una cosa que funciona. Siempre conocemos a personas que, extraoficialmente, tienen más que 1 relación fija. Y podemos ver claramente que eso nunca funciona bien para cualquiera de las 3 personas allá.
Si la persona tiene TANTA voracidad sexual y siente TANTA necesidad de tener más de 1 pareja sexual, puede hacer sexo ocasional y sin compromiso, ¿no? Solamente tenga los cuidados que tiene que tener al hacerlo. Pero no tenga compromisos con más de 1 persona a la vez, ya que eso nunca termina bien.
Y para un hombre de la sociedad brasileña actual, lo que sería bueno en tener, por ejemplo, ¿4 esposas al mismo tiempo?
Hay 2 posts (en Portugués) en que hablo de como las mujeres brasileñas actuales suelen comportarse con sus maridos. Pueden clicar en los enlaces arriba para verlos.
Si es tan difícil así para un hombre hetero brasileño vivir junto de 1 esposa, ¿cómo lograría a hacerlo con 4?
Eu volto em Abril. Até lá!
6 comentários:
;)
Achei curiosos os termos que você usou lá. Maternalismo patológico e sanha maternalizadora. Mas infelizmente somos obrigados a admitir que é isso mesmo. Há mulheres assim que eu francamente desconfio que tenham algum distúrbio mental relacionado à maternidade.
Quanto a esta postagem aqui, também é muito interessante. Sabe que, mesmo entre os muçulmanos mais jovens, a poligamia hoje é mal vista? Eles a vêem como uma tradição primitiva, fora de moda e incompatível com a vida de um muçulmano dos dias atuais. Portanto, acho que a poligamia no Islam está seguindo o mesmo caminho que seguiu no Candomblé.
Daqui a algumas décadas, vai acabar de vez.
É. Eu já ouvi várias fontes diferentes (quase todas essas fontes são muçulmanas, inclusive) dizerem que, nos dias atuais, a poligamia tá se tornando cada vez mais rara entre os muçulmanos. Muitos, inclusive, consideram a poligamia um ato errado nos dias de hoje. E que embora o Maomé tenha sido casado ao todo 16 vezes (e alguns desses casamentos foram simultâneos), a poligamia ali foi usada como exceção e num momento de emergência, porque tinham muitas mulheres solteiras e viúvas ao redor dele naquela época. Mas que não tem mais sentido ser usada hoje.
Oi Leo!
Realmente esse é um assunto interessante e mostra o quão plural e diferente pode ser o homem e sua cultura. Mas, adaptando aos dias atuais, acho que as coisas não funcionam tão bem como nos filmes Les Chansons d'amour ou The Dreammers (se não viu, são filmes que falam sobre relacionamentos à três).
Acho esse tipo de instituição nos dias de hoje totalmente dispensável, em um mundo a cada vez mais individualista.
Também concordo contigo na "saída": uma rapidinha de vez em quando sem compromisso quase não faz mal a ninguém, rsrs.
Abraços! E congrats pelo blog mais uma vez. Adoro tuas múltiplas abordagens.
Olha, eu já acho complicadíssimo administrar 1 relação com 1 pessoa. Imagine ter mais de 1 relação fixa com pessoas diferentes!
Como nos ensinam os mitos candomblecistas, mesmo num passado distante isso já era bem difícil. Hoje... Só se a pessoa for muito louca.
Abraços também!
Aliás, isso foi mostrado na novela O Clone.
O personagem Ali tem três esposas ao mesmo tempo e o personagem Said tem duas esposas ao mesmo tempo. E elas vivem num constante pé de guerra!
Sinceramente, acho que nem tem como ser de outra forma.
Basta que haja 2 esposas pra coisa começar a sair dos trilhos: quando chega a segunda esposa, ela não vai aceitar ser a segunda; e a primeira esposa também não vai aceitar que haja uma segunda.
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