Oi!!!
O post de hoje vai ser só em Português porque é uma questão voltada especificamente pro Brasil, devido à novela Fina Estampa, que foi recentemente exibida aqui.
O personagem Crô, interpretado pelo ator Marcelo Serrado, despertou uma certa polêmica entre os gays brasileiros, devido à imagem exageradamente caricata que passava dos homossexuais.

“Estou ovulando!”, “Não me chame de ‘senhor’; me chame de ‘senhorita’!” e “Fiquei viúva!” (essa última quando um namorado dele morreu) foram algumas das frases que o personagem soltou durante a novela.
Claro que a maioria das pessoas acharam ele engraçado, até porque a intenção em mostrar o personagem afetado àquele ponto era fazer uma coisa engraçada mesmo... Mas por acaso alguém tem a obrigação de ser engraçado só porque é gay? E alguém tem a obrigação de ser afeminado ao extremo e falar esse tipo de frase idiota só porque é gay?
De qualquer forma, não é sobre isso que eu quero falar aqui.
Vamos voltar só um pouquinho mais no tempo, pra virada de 2010 pra 2011, e lembrar do personagem Arturzinho, interpretado pelo ator Júlio Andrade, que era o mordomo gay e afeminado da personagem Stela, interpretada pela atriz Maitê Proença, na novela Passione.
O Arturzinho passava o tempo todo paparicando a Stela, chamando ela de “milady” e por aí vai.
Até aí, isso não chegou a passar uma imagem negativa dos gays, já que a Stela não era uma personagem perversa e o Arturzinho não era escandaloso e caricato (apesar de ser afeminado). Mas de fato mostrou uma realidade: gays afeminados gostam de fazer adoração a uma mulher.
Em Fina Estampa, nós vimos uma nova versão da situação que já tínhamos visto em Passione: a relação do Crô com a Tereza Cristina era igual è relação do Arturzinho com a Stela, só que levada a extremos.
A Tereza Cristina era a vilã principal da novela e o Crô, como já vimos, era uma caricatura em fase extrema de gay. Mas nem é a esse tipo de extremos que eu me refiro, e sim è ideia de que um gay tem a obrigação de render culto a uma mulher.
Sempre que a Tereza Cristina maltratava alguém, ameaçava alguém ou mesmo cometia um crime contra alguém, o Crô vinha correndo inocentar ela, dizer que ela tinha apenas sido sincera, dizer que ela estava só brincando, ao mesmo tempo em que era humilhado e rebaixado por ela 24 horas por dia...
Na cena em que a polícia vai à casa da Tereza Cristina e encosta o Crô na parede pra ele revelar os crimes dela, ele se limita a soltar a ridícula frase:
“Eu quero a minha mamãe!!!”
E aí sobe pro quarto dela e se enfia no armário dela.
É por causa desse tipo de imagem que a mídia passa dos gays que muita gente acha que TODO gay tem a obrigação de fazer adoração a uma mulher.
Uma coisa que acontece com uma certa frequência quando nós testemunhamos um desentendimento de uma mulher com o namorado dela ou com o marido dela é, por mais errada que ela esteja, ela exigir de nós um posicionamento a favor dela. E vai se justificar dizendo alguma coisa mais ou menos assim:
“Eu sou mulher e você é gay. Então, você tem a OBRIGAÇÃO de dar razão a mim!”
Outra situação meio comum de se ver é quando uma mulher comenta alguma coisa sobre qualquer assunto e um gay não concorda com algum detalhe do que ela falou ali. Só por isso, do nada, ela já grita frases do tipo:
“VOCÊ É MUITO MACHISTA!!!”
Ou:
“VOCÊ ODEIA AS MULHERES!!!”
Isso quando ela não acha que o gay tem a obrigação de ver o Mundo sob o mesmo ponto de vista que ela vê, tem a obrigação de entender ela em qualquer tipo de situação, tem a obrigação de pensar da mesma forma que ela pensa... Tudo isso só porque ela é mulher e ele é gay.
Em outras palavras, ela espera uma submissão cega do gay em relação às coisas que ela fala e faz. E quando ela não encontra essa submissão que ela idealizou, ela se descontrola de alguma forma.
Até essa idiota entender que existem ALGUNS gays que fazem adoração a mulheres, mas que nem todos os gays são assim... Bom, muitas delas provavelmente nunca vão entender isso.
Voltando a falar do Crô, é interessante lembrar uma cena em que, pra justificar a submissão dele à Tereza Cristina, ele diz à Celeste, personagem da atriz Dira Paes:
“A gente não escolhe quem ama!”
E ela responde:
“Como eu te entendo!”
Vamos lembrar que essa personagem, apesar de apanhar do marido frequentemente, sempre aceitava ele de volta em casa e ainda ficava contra quem fazia ou falava alguma coisa contra ele! E ela fazia isso por motivos emocionais, e não por dependência financeira.
Tem até uma cena num dos últimos capítulos em que a Griselda, personagem da atriz Lília Cabral, diz a ela:
“Isso que você sente por ele já deixou de ser amor e já virou sem-vergonhice!”
E ela própria admite:
“É. Talvez eu seja sem-vergonha mesmo!”
Simplificando, ela é aquele tipo de mulher que desenvolve uma obsessão por manter o casamento a qualquer preço, por pior que aquele casamento seja.
Os resultados práticos de alguém querer manter o casamento a qualquer custo rarissimamente são bons. E muitas vezes são os filhos que pagam por isso.
Pra ver alguns exemplos do que eu digo, dê uma clicada aqui:
http://centrogb.blogspot.com.br/2009/07/violencia-contra-criancas-coisa-de.html
Se é esse tipo de mulher que apóia esse tipo de gay...
E infelizmente, esses personagens não têm nada de fictícios: existe esse tipo de mulher na vida real e existe esse tipo de gay na vida real.
Eu sou gay, mas quero distância de gays que se comportam como o Crô nessa idolatria “obrigatória” a uma mulher (ainda mais, como era o caso dele, fazendo idolatria a uma mulher que não vale o que caga). E também quero distância de mulheres como a Celeste, que se autodestroem por um amor obsessivo e, muitas vezes, acabam levando junto quem estiver por perto.
Bom, é isso que eu tenho a dizer sobre esse personagem.
Até mais!
6 comentários:
cara, pára de ver novelas, ofendem o intelecto de qualquer um.
o pouco que já vi desses "gays" globais, eu não gostei
eu não sou assim, meus amigos não são assim. as novelas já chegaram a um ponto de criar um homocara que só se vê na ficção, e o pior é que os heterocaras levam essa criatura à sério
Nossa quanta volta vc deu para falar falar e acabar não falando nada. Não acredito que eu li até o final. :C
Bjos
Alessandro→ Mas o problema é exatamente o que você disse no final: os héteros que não tão acostumados a conviver com gays acabam ficando com ESSA imagem de gay como referência.
Se eu disser que sou gay a algum deles ou se eles descobrirem de alguma outra forma, vão pensar que eu sou uma coisa desprezível como o Crô, que eu passo o dia lambendo o rabo de mulher que não presta...
E como você disse, 90% de nós não somos assim. Nem mesmo os gays afeminados que eu conheço são escrotos do jeito que o Crô é. Então, ele é uma caricatura meeeeeeeeeesmo.
Mas vai fazer certos héteros entenderem isso...
Anônimo→ Teria muito mais coisas pra eu falar contra esse personagem, mas procurei me fixar no que eu vi como o defeito principal dele, que é passar a imagem de que gay tem a obrigação de lamber o rabo de mulher. É claro: se tem os que lambem e gostam, problema deles. Não tenho nada com isso. Mas a ideia de que TODO gay tem a obrigação de arranjar uma mulher pra botar num pedestal, entender ela em tempo integral e ainda virar capacho dela é extremamente danosa contra nós. E por isso mesmo é uma ideia que tem que ser quebrada.
Foi essa a mensagem, bastante clara, que o post transmitiu.
Eu até comecei falando sobre outro assunto, mas deixei bem claro: não é sobre isso que eu quero falar aqui.
Então, não sei qual foi a parte que você não entendeu.
Leo,
De fato o personagem tratado em seu texto é estereotipado. Há muito tempo não assisto às novelas, mas li a respeito dele e o vi em propagandas.
Temos que pensar, no entanto, que este é o começo, que as coisas estão caminhando aos poucos. Primeiro os gays entram em cena; depois conquistam mais espaço. Veja, por exemplo, quanto tempo demorou para que os negros se destacassem em novelas (e ainda assim continuam fazendo papeis de escravos e empregados)...
Sei que a maior parte dos gays não é assim... eu, por exemplo, sou advogado, e namoro um médico. A maior parte dos nossos amigos gays são universitários ou profissionais formados, e não conheço nenhum neste estilo retratado na novela.
Mas ele, ainda que de forma distorcida, lembra à sociedade que os gays existem, que, cada vez mais conquistam direitos. Este é um lado que deve ser considerado.
A partir disso podemos ir melhorando nossa situação.
Leo Carioca, adorei seu blog. La no Yahoo Repostas falavam tão mal do seu blog, dizendo que era pobre e mediocre. Mas eu gostei, parabéns
Anônimo→ Eu acho que a gente não tá mais tão no começo assim nesse sentido.
Em 1995, a novela A Próxima Vítima já mostrou um relacionamento homossexual de forma séria (se não me engano, foi a 1ª novela a mostrar o assunto de forma séria). E a partir dali já podemos dizer que os gays entraram em cena. Agora o que está na hora de fazer é derrubar as ideias pré-estabelecidas que muitos héteros têm de nós.
Mas, como eu expliquei, o problema não é o personagem ser afeminado. Conheço muitos gays afeminados que não ficam falando o monte de besteira que esse personagem falava. O problema é que isso acaba passando uma imagem de que TODO gay se comporta dessa forma.
Anônimo→ Lá no YR não falta evangélico homofóbico (foi um dos motivos pelos quais eu decidi não voltar mais lá). Você deve ter lido a pergunta ou resposta de um deles, né?
Mas, já que você gostou, volte sempre.
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