sexta-feira, 22 de abril de 2011

MAIS UMA SOBRE OS CÍCLOPES

Oi!!!

Como no mês passado eu fiz um post sobre o filme The Cyclops (1957), na qual existem algumas cenas que fazem referência a uma passagem da Odisseia, do Homero, achei interessante falar sobre um quadro que fosse inspirado nessa mesma passagem.

O quadro que eu encontrei que retrata melhor essa parte da Odisseia foi o que tá aqui. Mas, infelizmente, encontrei poucas informações sobre ele.

Eu posso dizer que ele foi pintado pelo Pellegrino Tibaldi em algum momento do século XVI. E atualmente, se encontra em exposição no Palazzo Sanguinetti, em Bologna.

Bom, acho que quem nunca ouviu falar na Odisseia vai ter que conhecer essa passagem pra entender o quadro. Vamos lá:

A Odisseia, considerada uma das primeiras grandes obras da Literatura Ocidental, é um mito grego cantado pelo poeta Homero, por volta do século IX a.C. E conta as aventuras do Rei Ulisses, de Ítaca, que volta da Guerra de Tróia junto com os soldados dele.

Na viagem de retorno entre Tróia e Ítaca, eles vão desembarcando em alguns lugares pra descansar antes de seguir viagem. E numa das ilhas onde fazem essas escalas, eles encontram uma caverna que, pela aparência, é habitada por alguém.

Embora nem saiba que ilha é aquela nem qual povo vive ali, o Ulisses se aproxima junto com os soldados dele pra pedir abrigo e comida. Mas, como não encontram ninguém na caverna, eles resolvem entrar e esperar... E não muito tempo depois, chega o morador da caverna: um cíclope chamado Polífemos.

Ele é um pastor de ovelhas e chega junto com o rebanho dele, tocando todos os animais pra dentro da caverna. E como é muito maior e muito mais forte que os homens humanos, ele bloqueia a entrada da caverna com uma pedra enorme, pra que as ovelhas não saiam.

É só aí que o Polífemos percebe a presença dos humanos dentro da caverna. E embora fale a mesma língua que eles e entenda que eles tão ali em paz, ele começa a abater e comer (no mal sentido) 1 por 1 dos soldados do Ulisses!

Quando já tá com a barriga cheia, ele se acomoda em alguns panos estendidos no chão da caverna e dorme.

Os soldados sobreviventes se dispõem a matar o cíclope enquanto ele tá dormindo. Mas o Ulisses lembra que, se fizerem isso, vão se condenar à morte presos dentro da caverna: quem vai ter força pra tirar a pedra que tá bloqueando a entrada? O que eles têm que fazer é dar um jeito de fazer o próprio Polífemos tirar a pedra dali pra eles poderem fugir.

Mas, ao mesmo tempo, ele reconhece que, se deixarem o cíclope ileso, ele vai terminar de comer todos eles quando acordar.

Perto da fogueira da caverna, o Ulisses encontra um grande galho de árvore. E tem uma ideia: ele coloca a ponta do galho na fogueira até que ele se incendeie e, se aproximando do cíclope adormecido, crava a ponta do galho em chamas no olho dele.

O Polífemos acorda urrando de dor e ódio. Mas como perdeu o único olho que tinha, não pode fazer mais nada.

No dia seguinte, quando chega a hora das ovelhas irem pastar, elas começam a ficar muito inquietas dentro da caverna e o Polífemos vai tateando até a pedra na entrada e desbloqueia o caminho pra elas saírem pra pastar.

E aproveitando a chance, o Ulisses e os soldados dele saem da caverna misturados com as ovelhas sem serem percebidos pelo cíclope, embora ele vá tateando as ovelhas conforme elas vão saindo.

Essa parte do mito é considerada a representação da vitória da astúcia (simbolizada pelo Ulisses) sobre a força bruta (simbolizada pelo Polífemos).

Bom, posto isso, vamos ver o quadro:


Em posição de destaque no quadro, vemos o Ulisses enfiando o galho de árvore no olho do Polífemos, que se contorce de dor, acabando de acordar.

Na extrema esquerda do quadro, vemos o rebanho de ovelhas dele, num canto da caverna. E um pouco à frente delas, junto do Polífemos, as carcaças dos humanos que ele devorou.

Um pouco mais pra direita, vemos os poucos soldados sobreviventes do Ulisses observando a cena, mas com um certo medo de se aproximar. E mais à direita, a fogueira da caverna.

Na parte de baixo do quadro à direita, se vê um enorme porrete de madeira (provavelmente uma arma do cíclope), sobre a qual foi deixada uma grande flauta grega.

Bom, nesse mito, não. Mas em outros mitos em que o Polífemos aparece, ele às vezes é descrito tocando uma flauta (a única atitude delicada que ele sabia praticar).

Last month, I posted about the film The Cyclops (1957), where there are some references to the Homer’s Odyssey. Then, this month I’m posting about a portrait based on the same myth.

The picture found by me which depicts that better is this one here. But I found very few pieces of information about it.

I can tell you it was painted by Pellegrino Tibaldi in the 1500s. And nowadays it stays at Palazzo Sanguinetti, in Bologna.

Well, if you know nothing about the Odyssey, I’ll tell you something about that in order to make you the picture more understandable:

The Odyssey is seen as one of the 1st masterpieces of the Occidental Literature. It’s a Greek myth attributed by Homer, who is supposed to have sung that in the 9th century B.C. And it tells the adventures of Ulysses, King of Ithaca. He’s going home after the Trojan War with his soldiers.

While they have this journey, they occasionally land on some islands in order to rest a little. And on one of these islands they see a cave which really seems to be somebody’s home.

Ulysses has no idea about which island they’re on or who are the people who live there. But even so he goes near the cave with his soldiers to look for shelter and food. But there’s nobody inside the cave. Then, they decide to wait for the owner and talk to him about their needs... And some ours later the owner arrives: it’s a cyclops named Polyphemus.

After a cannibalistic attack from the monster, Ulysses and his men are able to leave the cave using the plan seen at the picture.

El cíclope Polifemo es visto en la Odissea (siglo IX a.C.) como un pastor de ovejas. Y un día que llega a su cueva junto a sus animales, él bloquea la entrada con una gran piedra, para que las ovejas no se huyan de la cueva.

Pero, entonces, ve un grupo de hombres humanos allá, buscando comida y refugio. Son el Rey Ulises, de Ítaca, y sus soldados, que están regresando a su tierra después de una guerra. Y aunque sea posible al cíclope comprender lo que dicen los humanos, ¡empieza a matarlos y comerlos 1 a 1!

Después de eso, el monstruo se lanza sobre el suelo y se duerme.

Los soldados de Ulises que todavía estan vivos quieren matar el cíclope adormecido. Pero su rey les recuerda que, si lo hacen, estan muertos también: ¿quién más tendrá fuerza para remover la piedra de la entrada de la cueva? Lo que tienen que hacer es que el propio Polifemo remueva la piedra para que puedan irse de allá.

Pero, al mismo tiempo, él reconoce que, si deja el cíclope ileso, el monstruo comerá a todos después.

Junto a la hoguera de la cueva, Ulises encuentra un gran tronco de árbol. Y tiene una idea: coloca la punta del tronco en el fuego hasta que se queda en llamas y, acercándose del cíclope, introduce la punta del tronco llena de fuego en su ojo.

Polifemo despierta gritando de dolor y odio. Pero, ahora sin el único ojo que tenía, ya no puede ehacer nada contra los humanos.

Es lo que se ve en el cuadro de este post.

Vediamo cosa c’è nel dipinto di questo post:

In una posizione di rilievo, si vede l’eroe Ulisse mettendo un tronco d’albero nell’occhio del ciclope Polifemo, che si contorce in dolore, appena sveglio.

Sulla estrema sinistra del dipinto, si vede il gregge di pecore di Polifemo. E un po’ davanti a questo, accanto al ciclope, si vede le carcasse degli umani che lui ha divorato.

Un po’ più a destra, si vede i pochi soldati sopravvissuti di Ulisse guardandolo. Ma si vede che hanno paura di avvicinarsi. Ed ancora più a destra, si vede il fuoco della caverna del mostro.

Sulla parte inferiore del dipinto, a destra, si vede un enorme bastone di legno (probabilmente, questo è un’arma del ciclope). E su questo, è stato lasciato un grande flauto greco.

Bene, non si parla di nessun flauto di Polifemo nell’Odissea omerica. Ma in altri miti che hanno questo ciclope come personaggio, lui è a volte descritto suonando un flauto (questa era l’unica cosa delicata che lui sapeva fare in mezzo alla sua vita di barbarie).

Secondo l’Odissea, il giorno dopo la lotta di Ulisse contro Polifemo, è arrivato il momento di portare le pecore al pascolo. E il ciclope apre la porta della caverna (che era bloccata da una pietra) per i suoi animali.

E così, Ulisse e i suoi soldati lasciano la caverna in mezzo alle pecore. E Polifemo non fa attenzione alla sua fuga, nonostante lui non lasci di toccare la schiena delle pecore.

Si vede questa parte del mito come una rappresentazione della vittoria dell’astuzia (Ulisse) sulla forza bruta (Polifemo).

6 comentários:

Kaka disse...

Feliz Páscoa, Leo!!!

Saudade de ti!!

Forte Abraço

Leo Carioca disse...

Oi, Kaká!
Pra você também!
Mandei um e-mail pra você!
Abraço também!

Anônimo disse...

Cá entre nós, esse ciclope tem um piruzinho muito pequenininho, não é mesmo? Será que ele era violento assim por complexo?rsrsrs

Leo Carioca disse...

rsrsrs
Isso era um estilo das artes plásticas pelo menos até o início do século XX.
Sempre que um homem era retratado em nu frontal, tanto nos quadros quanto nas estátuas, ele era retratado com piruzinho pequenininho.
Na Grécia e Roma Antigas, isso era um código usado pra diferenciar os deuses da fertilidade de outros personagens masculinos: só as divindades masculinas da fertilidade eram retratadas com pênis grande; todos os outros tipos de demais personagens eram retratados com pênis querubínicos (ou no mínimo menores).
Depois, da Idade Média pra frente, acho que acabou virando estilo mesmo.

Anônimo disse...

Leo é uma das obras que mais gosto .. o dois filmes sobre a obra que vi foram fantásticos :)

Leo Carioca disse...

Há 1 mês, mais ou menos, passou acho que a versão mais nova da Odisseia no SBT. Só que passou com muitas cenas cortadas (o que é até compreensível, porque o filme é muito grande).
Eu já vi o filme inteiro, mas aí eu peguei na locadora.
O 1º livro sobre Mitologia Grega que eu li foi A Odisseia. Eu devia ter uns 12 anos na época. Também gostei muito.