Oi!!!
O post de hoje vai ser só em Português porque tem a ver com a realidade do Brasil atual.
Como a maioria de vocês devem saber, no remake da novela Ti! Ti! Ti!, que tá sendo exibido atualmente pela Globo, foi tocado no assunto da depressão pós-parto usada de forma desonesta pela personagem Stéfany, interpretada pela atriz Sophie Charlotte.
Então, achei interessante discutir aqui esse assunto.
Na novela, depois de ter uma filha, a personagem fingiu ter uma depressão pós-parto pra que todos ficassem com pena dela, tratassem ela com regalias e poupassem ela de ter qualquer trabalho em relação ao que quer que fosse...
Bom, acho que podemos perguntar: quantas Stéfanys você conhece na vida real que já aplicaram esse mesmo golpe?
Você pode até não ter contato próximo com nenhuma, mas com certeza já viu algum caso desses por aí.
Já se que alguém vai dizer:
“Ai! Que absurdo colocar isso em dúvida. Depressão pós-parto é coisa séria!”
É claro. Quando é real, é claro que é sério. Aliás, vamos esclarecer o que é uma depressão pós-parto real:
De acordo com a maioria dos especialistas no assunto, esse tipo de depressão só acontece, ou no mínimo acontece de forma mais intensa, quando a mulher já apresentava tendências depressivas antes do parto. É muito pouco possível que a mulher esteja psicologicamente muito bem até o momento do parto e, de um segundo pro outro, do nada, ela desenvolva uma depressão em fase extrema e passe a rejeitar o filho em fase extrema.
Bom, também de acordo com a maioria dos especialistas no assunto, se essa tendência à depressão já existia antes do parto, ela pode se agravar após o parto devido a uma somatória de fatores: o nível de dificuldade que foi enfrentado durante o parto, o modo como o pai da criança tratou a situação, as condições físicas e mentais com que a criança nasceu, a perspectiva de futuro que a mulher tem pra vida da criança, a perspectiva de futuro que a mulher tem pra vida dela mesma agora que ela tem uma criança... Se tudo isso junto for visto de forma negativa pela mulher, é claro que a depressão se instala ou aumenta.
Existe a teoria de que esse tipo de depressão é causado só por fatores hormonais. E isso pode acontecer, mas só em casos muito específicos: só uma mulher que tem uma personalidade muuuuuito fraca é que vai ser atingida de uma forma tão radical por uma mudança hormonal. Porque mudanças hormonais todo ser humano tem em todos os dias de sua vida. E nem por isso todo ser humano vive todos os dias de sua vida jogado no chão do quarto, chorando e achando que a vida acabou. Quem faz isso é a pessoa que já tem uma tendência a se deixar abater com facilidade.
Uma das consequências que acontecem nesses casos é a mulher rejeitar a criança, já que, de forma consciente ou inconsciente, ela vê a criança como a causa de tudo de ruim que tá acontecendo.
Bom, esses são os casos de uma depressão pós-parto real. Mas e quando não é real? E quando tem uma Stéfany da vida fingindo que tá passando por isso só pra se dar bem?
Já que nós vivemos numa sociedade (Brasil / 2011) em que é bem visto dar razão à mulher em público, e esse princípio é levado a extremos quando a mulher em questão é mãe, geralmente não acontece nada demais com ela, não.
Claro que, no início, falam alguma coisa contra, acham um absurdo a mulher rejeitar o filho e tal. Mas, pouco depois, os comentários mudam:
“Ah, coitada! Se ela teve uma depressão pós-parto, ela não teve culpa de nada! Nenhuma mãe nunca vai fazer nada de ruim contra um filho!”
Fazem sempre essa generalização de glorificação às mães. Mesmo sem saberem dos antecedentes e mesmo sem saberem se a depressão pós-parto é real ou não.
É interessante lembrar que, quando é um homem que rejeita o filho, não existe nem a 10ª parte dessa tolerância toda. Ele é simplesmente visto como um monstro e acabou.
Aliás, ainda que ele não rejeite, fica sempre no ar aquela ideia de que a mulher fez pelo filho muito mais do que o homem fez, mesmo nos casos em que isso não é verdade.
Eu já vi vários casais héteros em que o homem levou o filho pra clínica de madrugada em todas as vezes em que o filho teve algum problema de saúde, deu banho no filho sempre que foi preciso, limpou aquele xixi todo, limpou aquele cocô todo, deixou de ir ao trabalho todas as vezes em que foi possível pra resolver algum problema do filho... E mesmo assim, a mulher falou que ele não fez nada (ou, pelo menos, que o que ele fez foi muito pouco) e que sempre foi ela que fez TUDO sozinha.
Como na atual sociedade brasileira pega bem dar razão à mulher, todo mundo que ouve uma mulher falando isso dá razão a ela e acredita nela, mesmo que não conheça os antecedentes da história. O que importa é acreditar só na versão da mulher, defender que mulher nunca faz nada por mal e que se alguém teve alguma culpa por alguma coisa ruim que aconteceu não pode ter sido ela (mas pode ter sido o homem).
É por essas e por outras que as Stéfanys da vida se dão tão bem, né?
Fica aí algo pra refletir.
Até mais!
O post de hoje vai ser só em Português porque tem a ver com a realidade do Brasil atual.
Como a maioria de vocês devem saber, no remake da novela Ti! Ti! Ti!, que tá sendo exibido atualmente pela Globo, foi tocado no assunto da depressão pós-parto usada de forma desonesta pela personagem Stéfany, interpretada pela atriz Sophie Charlotte.
Então, achei interessante discutir aqui esse assunto.
Na novela, depois de ter uma filha, a personagem fingiu ter uma depressão pós-parto pra que todos ficassem com pena dela, tratassem ela com regalias e poupassem ela de ter qualquer trabalho em relação ao que quer que fosse...
Bom, acho que podemos perguntar: quantas Stéfanys você conhece na vida real que já aplicaram esse mesmo golpe?
Você pode até não ter contato próximo com nenhuma, mas com certeza já viu algum caso desses por aí.
Já se que alguém vai dizer:
“Ai! Que absurdo colocar isso em dúvida. Depressão pós-parto é coisa séria!”
É claro. Quando é real, é claro que é sério. Aliás, vamos esclarecer o que é uma depressão pós-parto real:
De acordo com a maioria dos especialistas no assunto, esse tipo de depressão só acontece, ou no mínimo acontece de forma mais intensa, quando a mulher já apresentava tendências depressivas antes do parto. É muito pouco possível que a mulher esteja psicologicamente muito bem até o momento do parto e, de um segundo pro outro, do nada, ela desenvolva uma depressão em fase extrema e passe a rejeitar o filho em fase extrema.
Bom, também de acordo com a maioria dos especialistas no assunto, se essa tendência à depressão já existia antes do parto, ela pode se agravar após o parto devido a uma somatória de fatores: o nível de dificuldade que foi enfrentado durante o parto, o modo como o pai da criança tratou a situação, as condições físicas e mentais com que a criança nasceu, a perspectiva de futuro que a mulher tem pra vida da criança, a perspectiva de futuro que a mulher tem pra vida dela mesma agora que ela tem uma criança... Se tudo isso junto for visto de forma negativa pela mulher, é claro que a depressão se instala ou aumenta.
Existe a teoria de que esse tipo de depressão é causado só por fatores hormonais. E isso pode acontecer, mas só em casos muito específicos: só uma mulher que tem uma personalidade muuuuuito fraca é que vai ser atingida de uma forma tão radical por uma mudança hormonal. Porque mudanças hormonais todo ser humano tem em todos os dias de sua vida. E nem por isso todo ser humano vive todos os dias de sua vida jogado no chão do quarto, chorando e achando que a vida acabou. Quem faz isso é a pessoa que já tem uma tendência a se deixar abater com facilidade.
Uma das consequências que acontecem nesses casos é a mulher rejeitar a criança, já que, de forma consciente ou inconsciente, ela vê a criança como a causa de tudo de ruim que tá acontecendo.
Bom, esses são os casos de uma depressão pós-parto real. Mas e quando não é real? E quando tem uma Stéfany da vida fingindo que tá passando por isso só pra se dar bem?
Já que nós vivemos numa sociedade (Brasil / 2011) em que é bem visto dar razão à mulher em público, e esse princípio é levado a extremos quando a mulher em questão é mãe, geralmente não acontece nada demais com ela, não.
Claro que, no início, falam alguma coisa contra, acham um absurdo a mulher rejeitar o filho e tal. Mas, pouco depois, os comentários mudam:
“Ah, coitada! Se ela teve uma depressão pós-parto, ela não teve culpa de nada! Nenhuma mãe nunca vai fazer nada de ruim contra um filho!”
Fazem sempre essa generalização de glorificação às mães. Mesmo sem saberem dos antecedentes e mesmo sem saberem se a depressão pós-parto é real ou não.
É interessante lembrar que, quando é um homem que rejeita o filho, não existe nem a 10ª parte dessa tolerância toda. Ele é simplesmente visto como um monstro e acabou.
Aliás, ainda que ele não rejeite, fica sempre no ar aquela ideia de que a mulher fez pelo filho muito mais do que o homem fez, mesmo nos casos em que isso não é verdade.
Eu já vi vários casais héteros em que o homem levou o filho pra clínica de madrugada em todas as vezes em que o filho teve algum problema de saúde, deu banho no filho sempre que foi preciso, limpou aquele xixi todo, limpou aquele cocô todo, deixou de ir ao trabalho todas as vezes em que foi possível pra resolver algum problema do filho... E mesmo assim, a mulher falou que ele não fez nada (ou, pelo menos, que o que ele fez foi muito pouco) e que sempre foi ela que fez TUDO sozinha.
Como na atual sociedade brasileira pega bem dar razão à mulher, todo mundo que ouve uma mulher falando isso dá razão a ela e acredita nela, mesmo que não conheça os antecedentes da história. O que importa é acreditar só na versão da mulher, defender que mulher nunca faz nada por mal e que se alguém teve alguma culpa por alguma coisa ruim que aconteceu não pode ter sido ela (mas pode ter sido o homem).
É por essas e por outras que as Stéfanys da vida se dão tão bem, né?
Fica aí algo pra refletir.
Até mais!
Nenhum comentário:
Postar um comentário