terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BATALHA NO JARDIM DAS VIRTUDES

Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada numa obra de arte plástica do início do século XVI: o quadro Trionfo della Virtù (“Triunfo da Virtude”, em Português), do Andrea Mantegna.
O quadro foi pintado por ele sob encomenda da Marquesa Isabella d’Este, ficando pronto em 1502.
O quadro tem 1, 60m de altura e 1, 92m de largura. E a situação que ele retrata é um grupo de 3 deusas se manifestando num jardim que pertence às virtudes, mas que foi invadido pelos defeitos humanos. E assim, as deusas tão botando os defeitos pra correr, enquanto as virtudes apenas aguardam que isso aconteça pra se reapossarem do jardim delas.

Curiosamente, embora o pintor tenha querido que não ficasse nenhuma dúvida sobre a identidade de alguns personagens mostrados no quadro (os nomes deles aparecem literalmente escritos junto a eles na tela), outros personagens não ficam com uma identificação muito clara.
Provavelmente, nesse 2º caso, ele achou que esses personagens podem ser entendidos da forma como o expectador quiser entender, sem que isso altere a mensagem que ele quis transmitir.
Bom, o fundo do quadro mostra uma região que parece ser um vale de morros baixos e um rio. E ao lado desse cenário, fica um alto rochedo, visto à esquerda do quadro.
Em 1º plano, se vê um jardim cercado por um muro de arcos de pedra quase totalmente coberto por uma hera florida. E que tem do lado de dentro um lago artificial infestado de plantas pantanosas.
A aparência de pântano que o lago tá assumindo provavelmente foi causada pela presença dos defeitos, já que uma grande parte deles aparecem em contato direto com a água.
À extrema esquerda do quadro, é possível ver uma figura mista de árvore e mulher, envolta numa fita na qual existem frases escritas, aparentemente, em Grego e Latim. Mas não é possível ler com clareza o que tá escrito ali.
De acordo com alguns estudiosos do quadro, essa figura representa simplesmente a Natureza, como parte do jardim.
À esquerda do quadro, perto da ‘mulher-árvore’, se vê a deusa Minerva, caminhando na direção dos defeitos com uma brava postura de ataque.
Ela segura uma lança quebrada (a ponta tá caída no chão ao lado dela), demonstrando que já começou a lutar ali pelo menos há alguns minutos e já encontrou resistência, mas não vai recuar.
Na verdade, pela posição dos personagens no quadro, dá pra perceber que, com exceção das virtudes, todos tão em movimento. Então, a luta ali já acabou e as deusas tão simplesmente tocando os defeitos pra fora dali.
O quadro destaca que é Minerva que comanda o ataque contra os defeitos, até por ser uma deusa guerreira e racional (e o raciocínio é a melhor arma pra lutar contra qualquer defeito). Mas também dá pra ver que ela não é a única presença divina no jardim: é possível ver, quase misturadas aos defeitos, 2 outras deusas, que, pelos gestos que fazem com as mãos, tão mandando os defeitos embora. A deusa de vestido azul, que segura um arco e tem uma aljava de flechas nas costas, parece ser Diana. A outra ao lado dela, de vestido verde, segura um cetro. Mas, como aparece quase totalmente atrás de Diana, não dá pra ver muitos detalhes, o que torna a identificação dela bem mais difícil.
Bom, os defeitos tão sendo todos enxotados na direção direita do quadro, pro que parece ser a porta de saída do jardim. Então, vamos ver quem eles seriam da esquerda pra direita.
Os defeitos que parece que Minerva tá enxotando de forma mais direta têm a aparência de crianças, ou mesmo de bebês, com algumas partes do corpo de animal. Esses parecem representar as coisas maléficas em geral que têm aparência frágil e inocente. Alguns, inclusive, usam máscaras. Ou seja, provavelmente eles representam a falsa bondade ou a falsa fragilidade.
Cercada por eles, se vê uma mulher com orelhas e pés de cabra. Ela parece querer proteger os defeitos que têm aparência de criança, segurando um deles pela mão e mantendo 3 outros no colo. Então, provavelmente, o defeito que ela representa é a superproteção maternal.
Os outros defeitos aparecem todos dentro do lago ou sendo carregados por outros defeitos que tão dentro do lago.
À esquerda, se vê uma velha deformada e vestida com farrapos puxando por uma corda outra velha deformada nua e sem braços. A que veste farrapos usa uma fita no braço direito onde se lê a identificação dela: é a inércia. E a outra que ela tá puxando, é identificada por alguns estudiosos do quadro, pela cara de sono que tem, como a preguiça.
Bom, a inércia é a incapacidade de se mover. E a preguiça é a falta de vontade de se mover. Então, essa parte do quadro parece querer dizer que a preguiça só se move se for puxada por alguma coisa. Mas quem tá puxando ela aí é a inércia, ou seja, exatamente aquilo que não se move. Nesse caso, elas nunca vão sair do lugar.
Só que fica algo incoerente aí. Porque, se a outra velha não tem braços, então ela é que seria a inércia, né? Porque ela é que tem uma certa incapacidade de se mover. Então, talvez as 2 figuras aí sejam a inércia, representada de formas diferentes.
Mais à frente, se vê uma ‘mulher-macaca’ cheia de pequenos sacos amarrados por barbantes e interligados uns aos outros, enrolados ao redor do corpo dela. Ela também traz uma fita com a identificação dela amarrada ao braço esquerdo. Mas não é possível ler com clareza o que tá escrito ali. Alguns estudiosos desse quadro supõem que seja “ciúme” que tá escrito na fita. Mas não dá pra ter certeza.
Os sacos que ela carrega supostamente seriam frascos de elementos que ela usa pra fazer malefícios e que, já que tá sendo expulsa dali, tá levando pro próximo lugar pra onde vai.
Logo à frente dela, se vê uma mulher nua, fazendo poses, sacudindo véus verdes e observando tudo ao redor dela com um ar soberbo e arrogante.
Ela não traz nenhuma identificação. Mas como ela vem logo depois da ‘mulher-macaca’, tá em pé nas costas de um centauro e sendo escoltada por um sátiro, que abre o caminho pra ela um pouquinho à frente (lembrando que o centauro e o sátiro são descritos na Mitologia Grega como personagens de sexualidade brutal e insaciável), não podemos deixar de perceber que ela tá exatamente no meio das figuras mais animalescas do quadro. Então, é possível que ela represente a zoofilia. Ou, no mínimo, a sexualidade brutal.
Outra interpretação um pouco polêmica, mas que faz sentido, é que ela representa a pedofilia, pois o sátiro que vai abrindo caminho pra ela carrega uma criança nua no colo.
Já sei que alguma feminista neurótica vai achar um absurdo fazer essa interpretação, pois, como a gente já viu, tem outra personagem que representa a superproteção materna logo ao lado, ou seja, tá se colocando a superproteção materna e a pedofilia como defeitos equivalentes. Mas, em termos de resultados práticos, uma coisa não tá tão distante da outra, não. Uma criança que foi superprotegida durante a infância toda tem a tendência de ficar tão cheia de traumas psicológicos quanto uma criança que foi vítima de violência sexual durante a infância toda. Então, guardando-se as devidas proporções de diferença, a superproteção materna é tão nociva em termos psicológicos quanto a pedofilia.
Mas enfim: também é possível que essa personagem represente os defeitos sexuais em geral. E como dá pra ver claramente que é ela que Diana tá mais ansiosa por expulsar dali (e Diana é uma deusa virgem), isso parece confirmar a teoria.
E já na suposta porta de saída do jardim, vemos uma mulher gorda nua e de fisionomia alienada. E ela usa uma coroa com a identificação dela: a ignorância. E assim, é representada como a Rainha dos Defeitos.
Ela é tão idiota que nem parece perceber direito o que tá acontecendo. E é carregada pra fora do jardim por 2 velhas nuas, que usam fitas na cabeça com a identificação delas escrita: a ingratidão e a avareza.
Lá ao fundo, fora do jardim, é possível ver, por entre os arcos do muro, 2 mulheres nuas correndo pra longe dele. Enquanto outra, alguns metros mais à frente delas, descansa, sentada numa pedra. Aparentemente, são defeitos que foram expulsos pelas deusas antes, quando o ataque delas começou.
Encostadas no muro, alguns metros atrás do centauro, é possível ver 2 virtudes, esperando que os defeitos sejam expulsos pra poderem se reapossar do jardim. E no Céu, encostadas numa nuvem, é possível ver 3 outras virtudes... Supostamente, essas ficaram com medo dos defeitos e foram prum lugar mais seguro, até que eles fossem expulsos do jardim delas.
Com exceção da nuvem onde essas 3 virtudes tão, em todas as outras é possível ver algumas formas de rostos humanos. E essa é a única parte do quadro em que não fica muito claro o que o pintor quis dizer.
Por volta de 1630, o quadro foi dado de presente ao Cardeal de Richelieu, sendo levado pra França. Mas, com a morte dele, em 1642, o quadro foi dado ao Rei Louis XIII de Bourbón, passando a ser um dos tesouros da Família Real da França.
Atualmente, o quadro se encontra no Museu do Louvre, em Paris, onde pode ser admirado.

Oggi parleremo un po’ di un’opera d’arte visiva dell’inizio del secolo XVI: Trionfo della Virtù, un dipinto tempera su tela di Andrea Mantegna.
Il dipinto è stato fatto da lui sotto ordine della Marchesa Isabella d’Este. Ed è stato finito nel 1502.
Ha 1, 60 m di altezza e 1, 92 m di larghezza. E la situazione che il dipinto raffigura è un gruppo di 3 dee che si manifesta in un giardino che appartiene alle virtù, ma che è stato invaso dai vizi, cioè dai difetti umani. E così, le dee stanno espellendo i vizi. Nel frattempo, le virtù sono solo in attesa di rientrare in possesso del loro giardino.
Il pittore non ha voluto che restasse nessun dubbio circa l’identità di alcuni personaggi visti nell’opera (i loro nomi appaiono letteralmente scritti accanto a loro sul dipinto), ma altri personaggi non hanno un’identificazione molto chiara...
Probabilmente, in questo secondo caso, il pittore ha trovato che lo spettatore poteva vedere questi personaggi come lo volesse, visto che questo non cambierebbe il messaggio che voleva trasmettere.
Bene, la parte posteriore del dipinto mostra una regione che sembra essere una valle di basse colline con un fiume. E accanto a questo scenario, rimane una rupe alta, vista a sinistra del dipinto.
Sul fronte, si vede un giardino circondato da un muro di archi in pietra quasi interamente coperto da una florida edera. E che ha all’interno un lago artificiale infestato da piante di palude.
L’aspetto di palude del lago è stato probabilmente causato dalla presenza dei vizi, poiché gran parte di loro vengono a diretto contatto con l’acqua.
All’estrema sinistra del dipinto, si può vedere un essere misto di albero e donna avvolto in un nastro su cui sono scritte frasi, apparentemente in Greco e Latino. Ma è impossibile leggere con chiarezza quello che si dice lì.
Secondo alcuni studiosi, questo sarebbe semplicemente la Natura, come parte del giardino.
A sinistra del dipinto, accanto alla ‘donna-albero’, si vede la dea Minerva, camminando verso i vizi con un atteggiamento coraggioso di attacco.
Lei prende una lancia spezzata. Questo mostra che ha iniziato il combatte almeno dei minuti fa e che ha già trovato resistenza. Ma non vuole tornare indietro.
Infatti, la posizione dei personaggi nel dipinto mostra che, ad eccezione delle virtù, sono tutti quanti in movimento. Quindi la lotta è già finita lì e le dee stanno semplicemente espellendo fuori i vizi.
Il dipinto indica che è Minerva che guida l’attacco contro i vizi, anche per essere una dea guerriera e razionale (e la razionalità è la migliore arma di combattere contro qualsiasi difetto). Ma anche si può vedere che lei non è l’unica presenza divina nel giardino: quasi mescolate con i vizi, ci sono 2 altre dee. Loro fanno gesti con le mani, indicando che vogliono tirare fuori i vizi dal giardino. La dea del vestito blu, che ha un arco ed una faretra di frecce sulla schiena, sembra essere Diana. L’altra accanto a lei, di vestito verde, prende uno scettro. Ma si è vista quasi interamente dietro Diana. Così, non si può vedere molti dettagli ed è più difficile identificarla.


At the painting Triumph of the Virtues, we can see 3 goddesses expelling the vices (human defects) from the Garden of the Virtues. They’re moving from left to right (presumably to the exit of the garden). Let’s see who some of these vices are.
Goddess Minerva seems to be more interested in expelling the vices who look like children with some animal parts at their bodies. They seem to represent the evil things that look fragile and innocent. Some of them even wear masks. That is, they probably represent false kindness or false fragility.
Surrounded by them, there’s a woman with goat ears and feet. She seems to want to protect the defects that have the aspect of children, holding one of them’s hand and holding 3 others in her lap. So, probably the defect that she represents is maternal overprotection.
All other defects appear within the lake or being carried by other defects who are within the lake.
On the left, we can see an old deformed woman dressed in rags pulling by a string another old deformed woman naked and without arms. The old woman who wears rags has a cloth ribbon on her right arm where it is written her identification: she is inertia. And the other old creature that she’s dragging is identified by some scholars of this picture as laziness, because of her sleepy face.
Well, inertia is the inability to move. And laziness is the unwillingness to move. So, this part of the picture seems to mean that laziness moves only if dragged by something. But who’s pulling her there is inertia, that is exactly what does not move. In this case, they will never go from any place to any other place.
But there’s something contradictory there. You see: if there’s a character who has no arms, so it’s the one that would be inertia, really? Because she’s the one who has some kind of inability to move. So maybe these 2 figures are inertia, represented in 2 different ways.
A little ahead, we see a “monkey-woman” full of small bags tied with strings and connected to each other, wrapped around her body. She also has a cloth ribbon tied to her left arm in order to be identified. But these writings are unclear. Some scholars assume that it’s “jealousy” that is written on the ribbon. But we can’t be sure.
The bags she carries are supposed to be vials of elements she uses to do harm and that since she’s being kicked out of there, she is taking to the next place she’s going to.


En el cuadro Triunfo de la Virtud, se ve 3 diosas expulsando los defectos humanos del Jardín de las Virtudes. Y entre los defectos que están ya casi dejando el jardín, se ve una mujer desnuda mirando todo con un aire arrogante y orgulloso.
No se sabe lo que ella representa. Pero se queda cerca de una mujer-mona, está de pie sobre la espalda de un centauro y mantiene un sátiro caminando adelante de ella (centauros y sátiros son vistos en la Mitología Griega con una sexualidad descontrolada). Así, ella está justo en medio de los personajes más animalescos del cuadro. Por lo tanto, es posible que ella represente el sexo entre humanos y animales. O por lo menos, la sexualidad brutal.
Otro punto de vista, un poco más polémico, pero que hace sentido, es que ella represente el estupro de niños, puesto que el sátiro que está adelante de ella lleva un niño desnudo en su regazo.
Hay otro personaje un poco más a la izquierda que representa la sobreprotección materna, llevando niños mostruosos en su regazo. Y es cierto que alguna feminista neurótica dirá que es un absurdo mostrar la sobreprotección materna y el estupro de niños como defectos del mismo tipo. Pero en términos de resultados prácticos, una cosa no se ve tan lejos de la otra. Una persona que fue sobreprotegida en la infancia tiene una tendencia a ser tan llena de traumas psicológicos como una persona que ha sufrido violencia sexual en la infancia. Por lo tanto, manteniéndose las proporciones adecuadas de diferencia entre las 2 situaciones, una madre sobreprotectora hace tanto daño en términos psicológicos como un estuprador de niños.
Bueno, también es posible que ese personaje represente a las violencias sexuales en general. Y como se puede ver claramente que es ella que Diana, vestida de azul, está más dispuesta a expulsar de allí (y Diana es una diosa virgen), esto parece confirmar la teoría.
Y junto a la puerta del jardín, se puede ver una mujer gorda, desnuda y con cara de débil mental. Ella tiene sobre la cabeza una corona con su nombre: ella es la ignorancia. Y es mostrada como la Reina de los Defectos.
Ella es tan estúpida que ni parece darse cuenta de lo que está ocurriendo. Y es cargada por 2 viejas desnudas, que llevan sobre sus cabezas bandas con sus nombres escritos: son la ingratitud y la avaricia.
En el fondo, fuera del jardín, hay algunas mujeres desnudas corriendo para lejos de allá. Al parecer, son defectos que ya fueron expulsados del jardín antes.
Apoyadas en la pared a pocos metros detrás del centauro, hay 2 virtudes. Y en el Cielo, apoyadas en una nube, hay otras 3 virtudes... Es posible que ellas estean esperando hasta que los defectos sean expulsados del jardín por las diosas para poder volver.
Con excepción de la nube donde las virtudes están, en todas las demás se puede ver algunas formas de caras humanas. Y esa es la única parte del cuadro en el que no está claro lo que el pintor quiere decir.
Alrededor de 1630, el cuadro fue regalado al Cardenal de Richelieu y fue llevado a Francia. Pero debido a su muerte, en 1642, el cuadro fue dado al Rey Luis XIII de Bourbon, convirtiéndose en uno de los tesoros de la Familia Real de Francia.
Actualmente, el cuadro puede ser admirado en el Museo del Louvre, en Paris.


Até mais!

Um comentário:

Leo Carioca disse...

Thank you very much.
I´ve alreday linked your blog here.
See you!