quarta-feira, 24 de novembro de 2010

APROVEITANDO O GANCHO DA DATA DE AMANHÃ, ALGO PRA REFLETIR

Oi!!!

Esse post vai ser só em Português, porque tem a ver com a NOSSA realidade aqui: Brasil, 2010 / 2011.
Amanhã, 25 de Novembro, é o Dia Internacional do Combate à Violência Contra A Mulher. E o assunto de que eu vou tratar no post de hoje é exatamente pra aproveitar o gancho dessa data.
E pra quem quiser ver um post que eu fiz no ano passado sobre esse assunto, tá aí o link:

http://centrogb.blogspot.com/2009/11/falsa-vitima-unica-da-violencia.html

Bom, uma coisa que é muito importante lembrar em relação à violência doméstica é que o agressor pode ser homem ou mulher e a vítima também pode ser homem ou mulher. Portanto, tem 4 tipos possíveis de agressão no ambiente doméstico: um homem pode agredir outro homem, um homem pode agredir uma mulher, uma mulher pode agredir um homem e uma mulher pode agredir outra mulher.
Aí eu sei que tem gente que vem com aquela justificativa da diferença de força:

“Ah! O mais forte é que agride o mais fraco sempre.”

Não é preciso observar muito pra ver que não é isso...
A outra pessoa pode ter 10 vezes menos força física do que você, mas se ela bater de determinadas formas em determinadas partes do seu corpo, ela pode ferir você seriamente. Ou mesmo matar você.
Sem falar que ela pode pegar você quando você tiver distraído ou dormindo, sem chance nenhuma de se defender. Ou ela pode atirar em você com uma arma de fogo.
A diferença de força física entre agressor e vítima não muda NADA nos exemplos que eu mencionei acima.
Mas, como a gente sabe bem, na atual sociedade brasileira, criou-se uma espécie de obsessão em inocentar as mulheres em público.
Se aconteceu uma situação envolvendo só mulheres em que uma fez alguma coisa contra a outra, não vai demorar a aparecer alguém pra falar:

“Ah! Coitadinha da fulana! Pobrezinha da fulana! Ela não fez por mal! Ela estava com TPM quando ela fez aquilo!”

Ou:

“Ah! Coitadinha! Pobrezinha! Ela não fez por mal! São os hormônios que fazem a mulher ser assim!”

Por outro lado, se aconteceu uma situação em que uma mulher fez alguma coisa contra um homem, a história é sempre deturpada pra fazer parecer que a culpa é do homem e que a mulher é a vítima inocente da situação.
Vamos ver alguns exemplos:
Se uma mulher casada comete qualquer tipo de erro em relação a qualquer assunto, tem sempre alguém que chega e fala:

“A culpa não foi dela! A culpa foi do marido, porque ele não teve sensibilidade pra suprir as carências emocionais dela! Por isso ela cometeu o erro que cometeu!”

Se uma maria-chuteira engravida de propósito de um jogador de futebol famoso sem ele saber e alguém fala alguma coisa contra ela, tem sempre alguém que diz:

“Ah! Coitadinha! Pobrezinha! Ela só engravidou dele porque ela é muito romântica, idealizou um pai perfeito pro filho dela... Mas homem é muito insensível: não tem condições de entender isso!”

Se uma pessoa diz uma frase do tipo:

“É difícil entender as mulheres!”

No mesmo segundo, alguém vem correndo e fala:

“É difícil entender o ser humano.”

Essa 2ª frase dilui a culpa das mulheres, né?
Outra situação parecida, em que a gente vê até um fenômeno linguístico interessante, é quando alguém tá mencionando as características positivas de uma mulher. É sempre assim:

“A fulana é uma mulher maravilhosa! A fulana é uma mulher extraordinária! A fulana é uma mulher inteligentíssima!”

Mas quando tão mencionando as características negativas dessa mesma mulher, o que a gente ouve é:

“A fulana é uma pessoa carente! A fulana é uma pessoa invejosa! A fulana é uma pessoa ciumenta!”

Ou seja, sai a palavra ‘mulher’ e entra a palavra ‘pessoa’. Isso é por acaso? Óbvio que não! O que acontece é que pega mal associar a palavra ‘mulher’ a características negativas. Quando você vai fazer isso, você tem que substituir essa palavra por outra. Pelo menos se você quiser enfeitar a sua imagem pública na atual sociedade brasileira, você tem que falar dessa forma.
Isso acontece porque, na realidade que nos cerca (repito: Brasil, 2010 / 2011), o que pega bem, o que dá status, o que é bem visto, é inocentar as mulheres em público.
A própria Lei 11340, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, é um reflexo dessa mentalidade. Aliás, ela foi criada de uma forma tão tendenciosa e tão parcial que, mais tarde, teve que ser reformulada. Porque, da forma como ela foi projetada, tava literalmente inconstitucional.
Em relação à minha opinião sobre essa lei, podem clicar aqui pra ver:

http://centrogb.blogspot.com/2009/07/leis-pra-punir-violencia-domestica-sim.html

Bom, devido a essa tendência atual de até mesmo deturpar a história pra poder inocentar a mulher (ou, no mínimo, diminuir a culpa da mulher), a gente vê claramente que, sempre que uma mulher comete uma agressão física contra alguém, isso é banalizado. É tratado como se ela não tivesse feito nada demais.
Principalmente quando uma mulher comete uma agressão física contra um homem adulto, mesmo que tenha sido uma agressão física grave, geralmente a maioria das pessoas nem dão importância ao assunto. E quando dão, dizem que, se ela bateu nele, a culpa foi dos hormônios, a culpa foi da TPM ou simplesmente dizem que com certeza ela teve um bom motivo pra bater. E nem prestam atenção nos antecedentes: nem procuram se informar sobre o que ele fez antes de ser agredido ou sobre o que ela fez antes de agredir.
E quando uma mulher comete uma agressão física contra uma criança? Aí a gente vê que também depende do sexo da criança...
Várias estatísticas mostram que, entre 60% e 80% dos casos de agressões graves contra crianças, o agressor é a mãe. E isso não é tão divulgado exatamente porque, quando uma mulher comete uma agressão física contra um menino, mesmo que tenha sido uma agressão física grave, ninguém leva isso muito a sério. E ainda falam que ela tá educando o menino quando ela faz isso.
Tem até aquele ditado popular que sempre tem alguém que fala nessa hora:

“Patada de galinha não mata pinto.”

Aí, quando alguém fala isso, todo mundo ri e o assunto morre aí. Mesmo que a mulher tenha ferido o menino gravemente.
Quando é uma menina que é agredida, aí sim. Aí a coisa muda. Mas, pelo que eu posso observar, não é porque enxerguem a culpa da mulher, mas sim porque a vítima aí é do sexo feminino. E por tudo o que eu já expliquei acima, é bem visto defender uma vítima do sexo feminino.
Querem que eu prove o que eu digo? Vamos lá:
No 1º semestre de 2010, foi vastamente divulgado pela imprensa brasileira o caso da procuradora Vera Lúcia Gomes, que agrediu verbalmente e fisicamente uma menina de 2 anos no Rio de Janeiro.
E há alguns dias atrás, também foi bem divulgado pela imprensa brasileira o caso da dona de creche Maria do Carmo Serrano, que foi filmada espancando crianças numa creche em Goiânia.
Por que esses 2 casos especificamente foram tão divulgados? Porque o 1º caso mostrava uma menina que foi espancada e o 2º caso mostrava, entre as crianças que foram espancadas, várias meninas.
Mas quando é um caso de uma mulher que espanca um homem (ou mesmo um menino, que seja), no máximo sai uma matéria sobre isso em alguns telejornais em 1 dia. E a partir do dia seguinte, nenhum telejornal toca mais no assunto. Na verdade, parece que procuram abafar o caso. Afinal, mostrar uma mulher como agressora pega mal. Não é bem visto.
Eu tô lembrando tudo isso no dia de hoje exatamente pra ver se eu consigo fazer alguém repensar esse conceito que se instalou entre nós de inocentar as mulheres infinitamente em qualquer situação, não importa o que elas tenham feito. Porque não é por aí que vai se acabar com nenhum tipo de preconceito.
E não venham me dizer que isso é feminismo, porque feminismo é lutar pra que a mulher tenha os mesmos direitos que o homem tem. Simplesmente isso. Feminismo não é fazer parecer que mulher tá sempre certa, mulher nunca erra e mulher tem sempre razão só pra enfeitar a imagem pública. Isso se chama demagogia, e não feminismo.
Pensar que uma pessoa tá sempre certa, nunca erra e tem sempre razão só porque ela faz parte de um determinado grupo (só porque ela é mulher, só porque ela é cristã, só porque ela é norte-americana, só porque ela é rica, só porque ela é nazista...) nunca acaba bem. Aliás, pensar assim são os alicerces pra se formar uma ditadura.
Bom, fica aí algo pra refletir. Pensem nisso!

Até a próxima!

2 comentários:

Fantôme disse...

Sobre o YR, eu cancelei minha conta, aquilo estava me fazendo mal demais.

Seu post me lembrou a história da Fera da Penha, crime passional que rolou aí no Rio no final da década de 50. A menina vítima do crime virou até santa milagreira. Passou no Linha Direta em 2003, não sei se você chegou a assistir.

Dá uma olhada aí.

http://decadade50.blogspot.com/2006/09/o-crime-da-fera-da-penha.html

Forte abraço.

Leo Carioca disse...

Bom, então vê se continua aparecendo pelo menos por aqui.rs
Mas olha só, você tem bem mais tempo de YR do que eu. E você sabe que aquilo lá sempre fica meio caótico nos meses de férias, né? Durante o ano, geralmente é mais tranquilo. Então, se o problema é alguma coisa que você viu lá recentemente, talvez se resolva quando passarem as férias.
E eu vi, sim, esse caso no Linha Direta. Mas já tinha ouvido falar nessa história antes.
Bom, abraço também!