Oi!!!
Hoje a gente vai falar aqui sobre uma obra do final do século XIX: o quadro A Redenção de Cam.
O quadro tem 199 cm de altura e 166 cm de largura e foi pintado em 1895 pelo pintor espanhol Modesto Brocos.
A figura retratada é uma crítica à situação em que o Brasil se encontrava, na época, em relação aos preconceitos étnicos.
Sentada em frente à porta de uma casa pobre, uma mulher mulata mantém o filho recém nascido no colo, enquanto mostra a ele uma mulher negra mais velha. E essa olha pro Céu e levanta as mãos num gesto de agradecimento.
Do outro lado do quadro, um homem branco com um jeito meio de malandro se mantém sentado na soleira da porta da casa numa posição que sugere preguiça.

A história que o quadro conta é bastante direta: uma mulher negra (provavelmente uma ex escrava) teve uma filha mulata com um homem branco no passado e agora tá agradecendo porque a filha, ao se casar com um homem branco, teve um filho branco.
Parece ser a 1ª visita que ela faz à filha depois do nascimento do neto, já que ela parece estar tomando conhecimento só agora de que o neto é branco e a filha parece estar apresentando a criança à avó.
Vejam o seguinte: o marido que ela arranjou tá bem longe de ser um príncipe encantado. É um cara pobre (vejam a casa e as roupas dele) e aparentemente meio vadio. Mas, como ele é branco, é visto pela sogra como o melhor genro que ela pode ter. Ou seja, ser branco no Brasil do final do século XIX era visto como uma virtude que compensava qualquer característica negativa que a pessoa tivesse.
Assim, um bebê branco já tinha a garantia de um futuro feliz: se era branco, tinha uma qualidade que superava qualquer defeito. Mesmo que fosse pobre, mesmo que fosse filho de um pai alcoólatra...
Aliás, vejam que o bebê tá em posição de destaque no quadro, literalmente no meio da figura, como se fosse a coisa mais importante ali.
É interessante lembrar que no Brasil atual a gente vê basicamente o preconceito oposto a esse: o preconceito mais forte que existe no Brasil nos dias de hoje é contra o pobre, e não contra o negro.
Você vê algum negro rico sofrendo preconceito da maior parte da sociedade no Brasil só porque é negro? Óbvio que não. O rico geralmente é visto como ‘melhor’ do que os outros na atual sociedade brasileira.
Mas você vê algum pobre (branco ou negro) sofrendo preconceito só porque é pobre? Eu, pelo menos, vejo alguma situação desse tipo quase todo dia.
Ninguém aqui tá dizendo que não existe mais preconceito étnico no Brasil. Ainda existe, e MUITO. Só que é gritantemente menor do que o preconceito de classe social.
Uma situação que hoje você vê no Brasil com bastante frequência é alguma mulher pobre olhando pro Céu e agradecendo porque a filha dela teve um filho com algum homem rico, independente de quem seja negro ou branco na história.
Hoy hablaremos un poquito de un cuadro brasileño hecho en el final del siglo XIX: A Redenção de Cam (“La Redención de Cam”).
El cuadro, de 199 cm de altura y 166 cm de ancho, fue hecho por el pintor español Modesto Brocos en 1895.
La figura retratada es una crítica de la situación en que la gente de Brasil estaba con relación a los prejuicios étnicos en aquella época.
Sentada junto a la puerta de una casa pobre, una mujer mulata mantiene su hijo recién nacido sobre su regazo, al mismo tiempo que le muestra una mujer negra más vieja. Y esta mira al Cielo y levanta sus manos en un gesto de agradecimiento.
En el otro lado del cuadro, vemos un hombre blanco, con un aspecto de vagabundo, sentado en la puerta de la casa en una posición de aparente pereza.
La historia que esa figura nos cuenta es muy evidente: una mujer negra (posiblemente una ex esclava) tuvo una hija mulata con un hombre blanco en el pasado y ahora se muestra muy feliz porque su hija, casada con un hombre blanco (aunque este sea pobre y vagabundo), tuvo un hijo blanco.
Il dipinto A Redenção de Cam (“La Redenzione di Cam”) ci mostra l’apparente prima visita di una donna nera a sua figlia mulatta, che ha un marito bianco. Lei vede che suo nipote è bianco e sua figlia sta introducendo il bambino a sua nonna.
C’è bisogno di prestare attenzione a una cosa: il marito della donna mulatta non ha niente di un bell’uomo, vero? È un tipo povero (guardate la sua casa e i suoi vestiti) e apparentemente è un vagabondo. Ma perché è bianco, sua suocera lo vede come il migliore genero che lei avrebbe mai avuto. In altre parole, il Brasile della fine del secolo XIX (questo dipinto è del 1895) vedeva l’essere bianco come una virtù che aboliva ogni caratteristica negativa che la persona aveva.
Così, si credeva che un bambino bianco avrebbe un futuro felice per certo: se era bianco, aveva una qualità che superava qualsiasi difetto. Anche se era povero, anche se era il figlio di un uomo alcolizzato...
A proposito, si vede che il bambino si trova in una posizione di rilievo nella figura, letteralmente nel bel mezzo del dipinto, come fosse la cosa più importante.
It’s interesting to note that in the current Brazil we see basically the opposite of the prejudice we see in the picture above (a black old woman extremely happy because now she has a white grand-child). Nowadays the rejection against poor people is much stronger than against black people.
If you live in Brazil, you certainly will not see most of the society rejecting a rich guy just because he is black. Any rich person is usually seen as “better” than other people in the current Brazilian society.
But talking about people who belong to the lowest class of the Brazilian society (both white and black), you will see several cases of a strong prejudice against them almost every day.
I’m not telling you there isn’t any ethic prejudice in Brazil. There are still many, many racist people in Brazil, of course. But their principles are certainly extremely weaker than the social prejudice.
In the current Brazil you see very often some low-class woman looking at the Sky and thanking because her daughter had a child with any rich man. If the people in this case are all white, all black or white & black, it changes really nothing.
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