quinta-feira, 21 de julho de 2011

CHEGOU A HORA DE FALAR SOBRE AS DIVINDADES DO CANDOMBLÉ

Oi!!!

Como eu mencionei em Fevereiro, eu voltei pro Candomblé, depois de ter ficado alguns anos afastado. E como eu disse lá, vocês não vão encontrar nenhuma tentativa de conversão proselitista da minha parte dirigida a ninguém. Sendo candomblecista, eu sou pagão. E sendo pagão, eu não posso ser proselitista: o proselitismo é completamente contrário à ética pagã.

Mas quem me acompanha há mais de 1 ano sabe que posts mencionando assuntos ligados ao paganismo são relativamente comuns nos meus blogs (até porque os grupos pagãos não são homofóbicos). E desde o início do ano passado, em todos os meses, eu fiz posts sobre divindades do Helenismo, da Wicca e do Druidismo.

Assim, da mesma forma que era antes, agora chegou a hora de fazer posts sobre as divindades do Candomblé. E provavelmente vão acabar sendo posts um pouco maiores do que os outros simplesmente porque aqui eu conheço melhor o assunto.

É importante destacar que o Candomblé aceita pessoas homossexuais e bissexuais como praticantes numa boa. E não tem aquela:

“Ah! Mas a minha religião também aceita, desde que a pessoa concorde em passar o resto da vida sem sexo.”

No Candomblé você pode ter seja lá o tipo de sexualidade que for (homossexual, bissexual ou heterossexual) e continuar tendo vida sexual ativa ou, POR VONTADE PRÓPRIA SUA, passar a viver sem sexo se você quiser. É o seu livre arbítrio que manda e em nenhum desses casos você passa a ser menos candomblecista.

Se os deuses e deusas do Candomblé (os orixás) quiserem você perto deles, eles vão encontrar uma forma de chegar até você, não importa em que parte do Mundo você esteja. Mas O MAIS IMPORTANTE: eles apenas se mostram a você; eles não se impõem a você. Depois que eles se fazem conhecer por você, é você, pelo seu livre arbítrio, que decide se vai ou não seguir esses deuses e deusas. E o que você decidir, eles vão aceitar.

A conversão a essa religião tem que ser voluntária, com a pessoa querendo se converter por vontade própria. A conversão forçada, que é algo comum de se ver em alguns grupos cristãos, não é aceita pelas divindades do Candomblé.

Por falar nas divindades, é importante lembrar que o Candomblé não diz que todas as divindades são iguais. É sempre mencionado, com bastante clareza, que existe 1 única Divindade Suprema, que fica acima de tudo o que existe, inclusive das outras divindades.

Muita gente de religiões monoteístas pergunta:

“Mas se existe uma Divindade Suprema, por que Ele/Ela permite que existam outras divindades abaixo Dele/Dela?”

Bom, aí vamos ter que fazer a mesma pergunta em relação a tudo mais que existe, né? Por que Ele/Ela permite que existam vários seres humanos, e não 1 só? Por que Ele/Ela permite que existam vários animais, e não 1 só? Por que Ele/Ela permite que existam vários vegetais, e não 1 só? Por que Ele/Ela permite que existam várias montanhas, e não 1 só? Por que Ele/Ela permite que existam vários planetas, e não 1 só?

Dá no mesmo, né? É uma questão de lógica.

Se Ele/Ela permite que existam vários indivíduos do mesmo grupo abaixo Dele/Dela, o que impede que Ele/Ela permita que também existam outras divindades abaixo Dele/Dela?

Outra coisa: os grupos catolicizados do Candomblé geralmente tentam impor a essa religião um caráter monoteísta, por causa da influência que sofreram do Catolicismo Romano. Então, eles implicam um pouco com a expressão “deuses e deusas”. Eles dizem que a única divindade que pode ser chamada de “Deus” é a Divindade Suprema e que essa palavra não pode ser usada pra definir as outras divindades. Mas, como eu disse, isso é influência do Catolicismo Romano. Não tem nada a ver com as raízes africanas do Candomblé.


Quanto à personalidade, cada divindade tem a sua. Não é preciso se informar muito sobre o Candomblé pra saber que cada divindade está associada a 1 ou vários fenômenos da Natureza. E a personalidade da divindade condiz com o fenômeno da Natureza ao qual ela está associada.

No Brasil, o Candomblé não teve fundadores, mas sim organizadores: o Pierre Verger, o Joãozinho da Goméia, a Menininha do Gantois... Sendo que, a meu ver, o que fez um trabalho de organização mais consistente sobre as tradições do Candomblé foi o Pierre Verger.

Mas enfim: todas essas pessoas foram simplesmente seres humanos, tão humanos quanto qualquer outro. Mas, através das escolhas que eles fizeram ao longo da vida, conseguiram conhecer melhor os deuses e deusas do Candomblé e, consequentemente, conseguiram se aproximar mais deles.

Mas foram seres humanos, que não tinham nenhuma autoridade infalível sobre a religião como um todo, que não podiam excomungar ninguém e que não podiam proibir ninguém de ser membro do Candomblé.

Como se vê, se dá às personalidades importantes do Candomblé um enfoque bem diferente do enfoque que os judaico-cristãos dão aos profetas deles (o Moisés, o Paulo de Tarso, o Maomé...). Pois eles acham que esses profetas foram inspirados por um deus único que quer impor um caminho único a toda a Humanidade. Então, os judaico-cristãos não têm o direito de discordar do que esses profetas ditaram como o certo.

Mas quem gosta de viver dessa forma e fazendo parte das religiões judaico-cristãs que continue lá. Não tenho nada com isso. O que é de gosto é regalo da vida.

Por falar nas personalidades do Candomblé, os direitos sacerdotais nessa religião são iguais entre homens e mulheres: uma mulher pode ser sacerdotisa (ialorixá) no mesmo peso e na mesma medida em que um homem pode ser sacerdote (babalorixá).

Bom, feita essa pequena introdução, abaixo desse post aqui tá o 1º post sobre divindades do Candomblé.

E eu repito que não vai aqui nenhuma tentativa da minha parte de converter ninguém à minha religião, mas sim de divulgar o Candomblé, assim como eu já divulguei outros grupos religiosos pagãos e não-homofóbicos.

2 comentários:

Jorge disse...

me encantó la nota de las divinidades del candomblé
no siento que estés haciendo proselitismo, estás hablando de un tema apasionante y el que quiera leer, lo hace. y el que no, no hay problema.

no sabía que en el candomblé aceptaran a personas homosexuales y bisexuales.

también me gusta que la conversión sea voluntaria. tal cual como tú dices, otras creencias, como la católica, te bautizan siendo uno muy pequeño sin tener conciencia de la decisión que estamos tomando.

muito obrigado pela explicao.

Leo Carioca disse...

Sí. Estoy de acuerdo con todo lo que dices.
El Candomblé es más conocido en Brasil y también en algunos países de América que fueron territorios de España en el pasado... No sé si es tan conocido así en Venezuela.
Pero lo más curioso es que, aunque sea una religión venida de África, ¡actualmente es más conocida aquí que en África!
Bueno, un gran abrazo para tí.